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Pânico [Scream] – Sessão comentada por Beatriz Saldanha

Dir. Wes Craven, EUA, Terror, 1996. Legendado.

Pompeia

Duração: 111 minutos

16

atividade presencial

Local:  Espaço Cênico

Grátis. Retirada on-line a partir de 29/9, às 17h, e nas bilheterias no dia 3/10, às 18h.

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Em uma pequena cidade dos EUA, uma série de assassinatos cometidos por uma figura mascarada aterroriza um grupo de adolescentes. Enquanto tenta sobreviver à perseguição, Sidney Prescott passa a desconfiar de todos ao seu redor. Com suspense, humor ácido e referências ao próprio cinema de horror, Pânico reinventou o gênero slasher.

Essa é uma sessão especial. Após a exibição do filme, teremos comentários da pesquisadora, curadora e especialista em cinema de horror Beatriz Saldanha.

Beatriz Saldanha é pesquisadora, crítica, curadora e realizadora cearense radicada em São Paulo, escreve regularmente sobre filmes de horror para encartes de homevideo, catálogos de mostras e livros, entre eles um capítulo sobre as diretoras brasileiras de horror para a publicação para a publicação “Mulheres atrás das câmeras” (Abraccine). Doutoranda em Comunicação Audiovisual pela UAM com pesquisa sobre horror francês, escreve sobre o gênero para a revista eletrônica Les Diaboliques. Integrou curadorias e júris de diversos festivais pelo país e realizou a mostra “Les Diaboliques: Diretoras de horror 1980-1999″.


Mais sobre o filme Pânico:

Lançado em 1996 e dirigido por Wes Craven, Pânico acompanha Sidney Prescott, uma jovem que ainda tenta lidar com o trauma do assassinato de sua mãe quando um misterioso assassino mascarado, conhecido como Ghostface, passa a perseguir ela e seus amigos em Woodsboro. O que inicialmente parece seguir a fórmula clássica dos filmes de terror logo se transforma em um jogo de suspeitas, referências cinematográficas e constantes reviravoltas.

Escrito por Kevin Williamson, o filme surgiu em um momento em que o subgênero slasher parecia esgotado. Em vez de apenas repetir fórmulas consagradas por obras como Halloween e Sexta-Feira 13, Pânico faz dessas convenções o próprio objeto de discussão. Os personagens conhecem as “regras” dos filmes de terror, comentam clichês do gênero e tentam utilizá-los para sobreviver. Essa abordagem metalinguística transformou o filme em uma das obras mais influentes dos anos 1990. Diversos críticos apontam Pânico como o responsável por revitalizar o cinema slasher e popularizar uma nova fase do horror autoconsciente e autorreflexivo.

O filme foi amplamente elogiado pela crítica por equilibrar humor, suspense e violência, sem abrir mão da tensão característica do gênero. Sua mistura de ironia e genuíno terror tornou-se referência para inúmeras produções posteriores. A personagem Sidney Prescott também se destacou como uma atualização da chamada final girl tradicional do cinema de horror: uma protagonista inteligente, complexa e emocionalmente marcada, cuja sobrevivência não depende apenas de pureza moral ou sorte, mas de sua capacidade de enfrentar traumas e tomar decisões. Essa leitura tornou o filme particularmente relevante para análises feministas do terror.

Com sucesso foi imediato, o filme, produzido com orçamento estimado deUS$ 15 milhões, arrecadou cerca de US$ 173 milhões mundialmente, tornando-se um dos maiores sucessos do horror na década. Em seu histórico de premiações, Pânico venceu o Saturn Award de Melhor Filme de Terror e garantiu o Saturn Award de Melhor Atriz para Neve Campbell. Também conquistou o prêmio de Melhor Filme no MTV Movie Awards de 1997, além de reconhecimentos em festivais especializados em cinema fantástico e de horror, como o Festival de Gérardmer e o International Horror Guild.

Seu grande diferencial para a história do cinema está justamente em sua capacidade de dialogar com décadas de filmes de terror ao mesmo tempo em que os reinventa. Poucas obras conseguiram impactar tão profundamente um subgênero específico, influenciando a produção de horror das décadas seguintes. Mais do que um sucesso comercial, Pânico redefiniu a linguagem do slasher moderno e consolidou um modelo de horror que combina consciência crítica, humor e tensão.

 

Título original: Scream
Título no Brasil: Pânico
Ano: 1996
País: Estados Unidos
Direção: Wes Craven
Roteiro: Kevin Williamson
Produção: Cathy Konrad e Cary Woods
Fotografia: Mark Irwin
Montagem: Patrick Lussier
Trilha sonora: Marco Beltrami
Elenco principal: Neve Campbell, Courteney Cox, David Arquette, Drew Barrymore, Skeet Ulrich, Matthew Lillard e Rose McGowan.
Distribuição: Dimension Films



MONSTRA de cinema – um panorama da representação das mulheres no cinema de terror

Essa exibição integra a MONSTRA de cinema, uma mostra dedicada ao cinema de terror que propõe um percurso histórico e crítico sobre a representação das mulheres no gênero. A curadoria atravessa diferentes épocas e arquétipos femininos, acompanhando a transformação dessas personagens ao longo do tempo, até chegar à emergência de diretoras que passam a comandar as câmeras, as narrativas e os imaginários do terror.

A estreia de Pânico marca uma transformação importante em como era representada a figura feminina dentro do horror comercial dos anos 1990. Embora dialogue com décadas de filmes slasher, o longa questiona várias das convenções que tradicionalmente colocavam as mulheres apenas como vítimas unidimensionais.

A protagonista Sidney Prescott emerge como uma personagem que desafia expectativas. Nos slashers dos anos 1970 e 80, os assassinos mascarados representavam uma resposta conservadora à liberdade dos jovens e as vítimas deles eram não apenas superficiais como também moralmente culpáveis. Já em Pânico, Sidney não é retratada apenas como alvo da violência, mas como alguém que interpreta os acontecimentos, confronta seus medos e assume papel ativo na narrativa. Sua trajetória está diretamente ligada ao enfrentamento do trauma, da violência de gênero e das pressões sociais impostas às jovens mulheres, temas recorrentes em leituras feministas do cinema de horror. Nesse sentido, o filme representa um momento importante na evolução da chamada final girl.

O filme apresenta diferentes arquétipos femininos, essas personagens contribuem para uma narrativa em que as mulheres não aparecem apenas como corpos vulneráveis, mas como sujeitos multidimensionais e complexos, que produzem conhecimento, resistem e sobrevivem. Ao mesmo tempo, Pânico examina criticamente as próprias regras do terror, incluindo aquelas relacionadas à sexualidade feminina e aos papéis de gênero.

Dentro da MONSTRA de Cinema, Pânico permite refletir sobre a curva que o cinema de terror realizou, incorporando perspectivas mais complexas sobre as tramas. É um ponto de ruptura dentro do terror slasher comercial e começa um percurso de complexificação das histórias por trás e da representação da final girl.

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