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A Noiva Cadáver [Corpse Bride]

Dir. Tim Burton e Mike Johnson, EUA, 2005, Animação/Fantasia. Dublado.

Pompeia

Duração: 77 minutos

L

atividade presencial

Local:  Espaço Cênico

Grátis. Retirada on-line a partir de 6/10, às 17h, e nas bilheterias 11/10, às 13h.

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Às vésperas de seu casamento, o tímido Victor ensaia seus votos em uma floresta e, sem querer, acaba se unindo a uma misteriosa noiva morta-viva. Dividido entre o mundo dos vivos e dos mortos, ele se vê envolvido em uma história que mistura romance, fantasia gótica, humor sombrio e reflexão sobre amor e liberdade.

 

Mais sobre A Noiva Cadáver:

Dirigido por Tim Burton e Mike Johnson, A Noiva Cadáver é uma animação em stop motion ambientada em uma pequena vila inspirada na Inglaterra vitoriana. A trama acompanha Victor Van Dort, um jovem prestes a se casar com Victoria Everglot em uma união arranjada entre duas famílias. Nervoso com a cerimônia, Victor foge para a floresta para ensaiar seus votos, mas acaba acidentalmente realizando um casamento com Emily, uma noiva que retornou do mundo dos mortos. A partir desse encontro, ele passa a transitar entre os universos dos vivos e dos mortos, descobrindo segredos, injustiças e diferentes formas de compreender o amor. Inspirado parcialmente no conto folclórico judaico “The Finger“, registrado por Howard Schwartz, o filme desenvolve uma narrativa que combina romance, terror leve, musical e fantasia gótica.

A crítica aclamou a riqueza visual da animação, a sofisticação do trabalho artesanal em stop motion e a capacidade do filme de abordar temas como morte, solidão, pertencimento e afeto, sem perder o humor característico do universo burtoniano. Outro aspecto frequentemente elogiado foi a trilha sonora e as canções compostas por Danny Elfman.

O longa também foi reconhecido em importantes premiações internacionais. Recebeu indicação ao Oscar de Melhor Longa de Animação e venceu o Saturn Award de Melhor Filme de Animação. Também conquistou o prêmio Future Film Festival Digital Award no Festival de Veneza e recebeu diversas indicações ao Annie Awards, principal premiação da animação.

Em vez de apresentar os mortos como ameaça, A Noiva Cadáver constrói um universo em que o mundo dos vivos é frequentemente mais cruel, conservador e opressor do que o reino dos mortos. Essa inversão contribuiu para aproximar o imaginário gótico e macabro de públicos mais amplos, incluindo espectadores jovens, sem abrir mão de temas complexos relacionados à morte e à exclusão social.

 

Título original: Corpse Bride
Título no Brasil: A Noiva Cadáver
Ano: 2005
País: Estados Unidos e Reino Unido
Direção: Tim Burton e Mike Johnson
Roteiro: John August, Caroline Thompson e Pamela Pettler
Produção: Tim Burton e Allison Abbate
Direção de fotografia: Pete Kozachik
Montagem: Jonathan Lucas e Chris Lebenzon
Trilha sonora: Danny Elfman
Elenco de vozes: Johnny Depp (Victor Van Dort), Helena Bonham Carter (Emily, a Noiva Cadáver), Emily Watson (Victoria Everglot), Tracey Ullman, Paul Whitehouse, Joanna Lumley, Albert Finney, Richard E. Grant.


 

MONSTRA de cinema – um panorama da representação das mulheres no cinema de terror

Essa exibição integra a MONSTRA de cinema, uma mostra dedicada ao cinema de terror que propõe um percurso histórico e crítico sobre a representação das mulheres no gênero. A curadoria atravessa diferentes épocas e arquétipos femininos, acompanhando a transformação dessas personagens ao longo do tempo, até chegar à emergência de diretoras que passam a comandar as câmeras, as narrativas e os imaginários do terror.

A Noiva Cadáver oferece uma representação feminina incomum dentro do imaginário gótico e do horror voltado ao grande público. Embora não seja um filme de terror em sentido estrito, ele dialoga diretamente com tradições do gótico, dos contos macabros e das narrativas sobre fantasmas e mortos-vivos.

A personagem Emily é particularmente interessante porque escapa da figura clássica do monstro feminino. Sua condição sobrenatural não define totalmente sua identidade. O filme a apresenta como alguém marcada por violência, abandono e expectativas românticas frustradas, mas que mantém agência sobre suas escolhas. Ao longo da narrativa, Emily deixa de ser apenas um obstáculo para a história de amor do protagonista e ganha complexidade emocional própria.

Ao mesmo tempo, o filme estabelece um contraste entre duas figuras femininas centrais: Emily e Victoria. Em vez de colocá-las em disputa permanente, a narrativa permite que ambas existam como personagens com desejos e dilemas distintos. Isso diferencia a obra de muitas histórias românticas tradicionais que reduzem as personagens a rivais ou recompensas para o herói.

A Noiva Cadáver não é necessariamente um filme feminista nem uma crítica direta às estruturas de gênero. Emily ocupa um espaço intermediário entre vítima, fantasma, heroína trágica e protagonista afetiva, oferecendo uma representação mais complexa do que aquela normalmente reservada às mulheres mortas ou monstruosas no imaginário do horror. Dentro da MONSTRA de Cinema, o filme ajuda a ampliar a discussão sobre as diversas formas de representação feminina no gênero, especialmente ao mostrar como personagens associadas à morte e ao monstruoso podem ser construídas com empatia, subjetividade e profundidade dramática.

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