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Sexta-feira 13 [Friday the 13th]

Dir. Sean S. Cunningham, EUA, Terror, 1980. Legendado

Pompeia

Duração: 95 minutos

18

atividade presencial

Local:  Espaço Cênico

Grátis. Retirada on-line a partir de 27/10, às 17h, e nas bilheterias, 1h antes da exibição.

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Enquanto tentam reabrir o abandonado acampamento Crystal Lake, um grupo de jovens monitores passa a ser perseguido por uma presença desconhecida. Marcado por antigas tragédias e lendas locais, o local revela-se palco de uma sucessão de acontecimentos violentos que transformam um verão de trabalho em uma luta pela sobrevivência.

 

Mais sobre Sexta-Feira 13:

Dirigido por Sean S. Cunningham e escrito por Victor Miller, Sexta-Feira 13 acompanha um grupo de jovens contratados para preparar a reabertura do acampamento Crystal Lake, fechado há anos após acontecimentos traumáticos que marcaram sua história. À medida que os preparativos avançam, os funcionários começam a ser mortos por uma figura misteriosa, inaugurando uma das franquias mais influentes do cinema de terror.

Produzido sob forte influência do sucesso de Halloween (1978), o filme surgiu em um momento decisivo para o desenvolvimento do slasher norte-americano. Embora hoje seja frequentemente associado à figura de Jason Voorhees, o primeiro longa da série possui características bastante distintas das continuações, investindo mais na estrutura de mistério, na construção gradual do suspense e em elementos ligados ao trauma, à memória e à punição.

Seu principal diferencial para o cinema de terror está na sistematização de elementos que passariam a constituir o slasher clássico: isolamento espacial, juventude em trânsito para a vida adulta, violência como desestabilização da comunidade e uma estrutura narrativa baseada na eliminação sucessiva dos personagens. Embora não tenha sido o primeiro filme a utilizar esses recursos, foi uma das obras que os transformou em modelo industrial.

A recepção crítica inicial foi majoritariamente negativa. Muitos críticos da época condenaram o nível de violência gráfica e os efeitos especiais elaborados por Tom Savini. Entretanto, a resposta do público foi extremamente positiva. Produzido com orçamento estimado entre US$ 550 mil e US$ 650 mil, o filme arrecadou cerca de US$ 59,8 milhões mundialmente e tornou-se um enorme sucesso comercial. O sucesso cultural da franquia tornou Crystal Lake e seus personagens referências permanentes da cultura popular e da história do horror.

Seu impacto histórico foi decisivo. Sexta-Feira 13 foi o primeiro slasher independente do período a alcançar distribuição por um grande estúdio norte-americano, a Paramount Pictures, e seu êxito consolidou boa parte das convenções que passariam a definir o subgênero durante a década de 1980. A obra deu origem a uma das franquias mais duradouras do horror contemporâneo, inspirando sequências, séries televisivas e inúmeras imitações.

 

Título original: Friday the 13th
Título no Brasil: Sexta-Feira 13
Ano: 1980
País: Estados Unidos
Direção: Sean S. Cunningham
Roteiro: Victor Miller
Produção: Sean S. Cunningham
Fotografia: Barry Abrams
Montagem: Bill Freda
Trilha sonora: Harry Manfredini
Elenco principal: Betsy Palmer, Adrienne King, Harry Crosby, Laurie Bartram, Mark Nelson, Jeannine Taylor, Robbi Morgan, Kevin Bacon


 

MONSTRA de cinema – um panorama da representação das mulheres no cinema de terror

Essa exibição integra a MONSTRA de cinema, uma mostra dedicada ao cinema de terror que propõe um percurso histórico e crítico sobre a representação das mulheres no gênero. A curadoria atravessa diferentes épocas e arquétipos femininos, acompanhando a transformação dessas personagens ao longo do tempo, até chegar à emergência de diretoras que passam a comandar as câmeras, as narrativas e os imaginários do terror.

Muito sangue, perseguição, perfuração, um assassino mascarado, múltiplos assassinatos e um local amaldiçoado. Sexta-Feira 13 é um clássico slasher, produzido com o objetivo final de fazer de um filme de terror um sucesso financeiro. A franquia tem 12 filmes, diversos produtos, jogos e empreendimentos. O roteirista Victor Miller conta que a montanha-russa de tensão crescente do filme buscava explorar terrores primitivos: “Estávamos tentando, à nossa maneira neófita, ser ‘hitchcockianos’ nesse sentido. O gore em si não era importante”.

Essa relação é importante, porque os terrores primitivos que ele se refere se relacionam com algumas figuras do filme: o assassino Jason Voorhes – uma vingança de anos de preparo – e a final girl – a busca por sobrevivência. Carol J. Clover, autora de Men, Women and Chain Saws (Homem, Mulher e Motosserras), demonstrou que os slashers produzem uma figura recorrente, posteriormente denominada Final Girl: a personagem que sobrevive, investiga a ameaça e confronta a violência no desfecho. Alice ocupa uma posição fundamental para a consolidação histórica desse modelo. O espectador é progressivamente deslocado para seu ponto de vista, compartilhando seu processo de descoberta, interpretação e sobrevivência.

Ao mesmo tempo, o filme apresenta uma característica menos comum: a centralidade de uma figura materna como agente da violência. Sexta-Feira 13 expõe uma longa tradição cultural que associa maternidade e monstruosidade. Barbara Creed, em The Monstrous-Feminine (1993), argumenta que o horror frequentemente produz figuras femininas monstruosas não porque elas sejam simplesmente más, mas porque encarnam medos culturais ligados à reprodução, ao poder materno e à autonomia feminina. Em vez da mãe protetora idealizada, o filme apresenta uma maternidade marcada pelo luto, pela perda e pela incapacidade de elaborar o trauma. É dessa perda que nasce o terror. A violência em Crystal Lake nasce de uma perda que nunca foi simbolicamente processada. O horror funciona como repetição traumática.

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