
Conheça locais em São Paulo que preservam e contam histórias do vestir, por meio de exposições, livros e acervos, como os figurinos do espetáculo Macunaíma (1984), dirigido por Antunes Filho, que fazem parte do acervo do CPT_Sesc (foto: Bob Sousa)
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POR ADRIANA TERRA
Peças de roupas contam histórias, guardam afetos, constroem memória. Para além do sentido primordial de nos vestir, mostram traços da nossa identidade e são um sinal da cultura do nosso tempo e território. Depois de cumprir com sua função original, alguns desses itens deixam os guarda-roupas e ganham espaço em galerias e museus. É o caso da icônica camisa amarela da seleção brasileira de futebol, criada após concurso em 1953 e que hoje pode ser apreciada no Museu do Futebol, na capital paulista, um dos locais que mantêm itens relacionados ao vestuário que podem ser visitados em São Paulo.
Se o interesse for por figurinos de espetáculos, um galpão localizado em uma pacata rua do Canindé, na zona Norte, preserva criações datadas desde 1948. Ali também são produzidas roupas que, na atualidade, entram em cena no Theatro Municipal. Também o acervo do Centro de Pesquisa Teatral do Sesc São Paulo (CPT_Sesc), preservado pelo Sesc Memórias, pode ser consultado pela plataforma sesc.digital. Ele inclui figurinos de espetáculos como Xica da Silva (1988) e Trono de sangue (1992). Neste Almanaque, conheça locais que apresentam histórias relacionadas ao vestir.
“Amarelinha” no Museu do Futebol

Dezoito camisas que a seleção brasileira de futebol usou em campeonatos mundiais, de 1958 a 2022, vestidas por craques como Vini Jr. e Sócrates (1954-2011), compõem essa exposição dedicada à peça que representa identidade, cultura, afeto e memória. Organizada a partir de objetos de colecionadores, a mostra é um passeio pela história que levou o Brasil – que desde 1914 usava branco – a vestir amarelo. “Amarelinha” conta, também por meio de jornais e desenhos, sobre o concurso realizado em 1953 para um novo uniforme, após o fracasso na Copa de 1950. “Falamos muito da camisa amarela como algo que representa a identidade brasileira, e fizemos questão de ter um espaço na mostra justamente sobre ela ter virado um símbolo de moda, para falar da evolução do design, desde a fonte dos números até o material tecnológico”, conta o curador Marcelo Duarte.
Praça Charles Miller, s/n, Pacaembu. Até 1/11. Ter. a dom. das 9h às 18h. R$ 25 (grátis às terças e para crianças de até 7 anos). museudofutebol.org.br/exposicoes/amarelinha
Ateliê Vivo

Um discreto galpão nos Campos Elíseos abriga um catálogo diferente e único no Brasil: trata-se de um acervo público de modelagem, com matrizes de estilistas brasileiros como Alexandre Herchcovitch, Jum Nakao e Karlla Girotto. Surgido em 2015, o Ateliê Vivo busca promover autonomia e conhecimento a partir de técnicas de moda e têxteis, oferecendo cursos e atividades sazonais e abrigando um laboratório onde a equipe cria trabalhos de arte, figurinos e cenografias. “A gente acredita em uma prática democrática, então a biblioteca e os cursos sempre foram gratuitos”, conta a cofundadora Gabriela Cherubini. Para isso, além de editais, o projeto busca doações, parcerias institucionais e apoios. “A modelagem é um documento histórico, esse é um acervo que trata da memória do design de moda brasileiro”, resume Carolina Cherubini, que também integra o projeto.
Alameda Nothmann, 999, Campos Elíseos.
Grátis. Aberto de acordo com as atividades divulgadas no site e nas redes sociais do projeto.
@atelievivo
Central Técnica do Theatro Municipal

Levando o nome do cenógrafo Chico Giacchieri (falecido em 1985), o galpão no bairro do Canindé é dedicado tanto à preservação e ao restauro de cenários e figurinos de espetáculos líricos e de dança do Theatro Municipal de São Paulo quanto à criação de novas peças, com itens de 1948 até os dias atuais. Entre as raridades de moda que podem ser visitadas por ali estão roupas idealizadas por artistas como Di Cavalcanti (1897-1976), Burle Marx (1909-1994), Flávio de Carvalho (1899-1973) e Heitor dos Prazeres (1898-1966) para o Ballet do IV Centenário, de 1954, comemorativo do aniversário da cidade; figurinos de montagens da temporada lírica de 1951; além de trajes usados nos últimos anos em apresentações do Balé da Cidade. A Central Técnica de Produções Chico Giacchieri recebe tanto visitas individuais quanto grupos de 20 a 50 pessoas, entre quartas e sextas-feiras, das 10h às 14h, mediante preenchimento de formulário no site.
Rua Pascoal Ranieri, 75, Canindé. Grátis. theatromunicipal.org.br/central-tecnica
Biblioteca do IMS

Especializada em fotografia, a biblioteca do Instituto Moreira Salles (IMS) abriga, no edifício na avenida Paulista, em torno de 250 publicações relacionadas ao universo da moda: seja pelo recorte temático, mas também pelo trabalho de artistas que de alguma forma transitaram por esse meio. Nesse acervo, o curador Miguel Del Castillo destaca, por exemplo, livros de nomes como Bob Wolfenson e Bea Feitler (1938-1982), brasileiros com atuação notória em editoriais de moda, mas também cita publicações de Annie Leibovitz e Maureen Bisilliat, mais ligadas ao jornalismo e à fotografia documental, além de um compilado de revistas Marie Claire de 1954 a 1979, e livros de fotógrafos africanos contemporâneos, como Seydou Keïta (1921-2001) e Malick Sidibé (1936-2016), ambos do Mali. O acervo pode ser consultado diretamente nas estantes ou por buscas online, que ajudam a definir quais publicações acessar quando visitar o espaço.
Avenida Paulista, 2424, Bela Vista. Grátis. ims.com.br
Modateca do Senac

Amostras de tecidos, itens de diversas épocas ligados à costura – como dedais e zíperes –, catálogos de marcas, criações de alunos, roupas e modelagens de grandes estilistas compõem o acervo da Modateca do Senac, localizada no campus Santo Amaro desde 2004, quando foi inaugurado, anexa à biblioteca da universidade. “A gente tenta incentivar a história da moda. Temos grande parte do figurino do Ney Matogrosso que o cantor ainda usa e que retorna para a gente fazer a conservação, temos peças da Fernanda Yamamoto, uma peça do Paco Rabanne (1934-
-2023)”, conta Ana Paula Mendonça Alves, coordenadora do curso de Design de Moda do Senac São Paulo. O local não é restrito a estudantes da instituição: quem quiser pode visitá-lo, de forma gratuita, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h, e aos sábados, das 8h às 14h. Pelo site, é possível também agendar passeios guiados.
Avenida Engenheiro Eusébio Stevaux, 823, Santo Amaro. Grátis.
sp.senac.br/blog/artigo/modateca-do-senac
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