Pedro Bandeira: formador de leitores

30/09/2026

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Com mais de 100 livros publicados, autor escreveu obras que atravessaram a infância e a adolescência de diferentes gerações e, agora, são adaptadas para o audiovisual

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POR VANESSA D’AMARO
FOTOS NILTON FUKUDA

Alegre e extrovertido, Pedro Bandeira se sente confortável sob os holofotes. “Sempre quis trabalhar com teatro”, conta. Seu primeiro contato com a arte aconteceu justamente nos palcos, como ator — mas foi na literatura infantil que fez história. Ele é um dos autores mais lidos e prolíficos do Brasil: são mais de 100 livros infantojuvenis e cerca de 30 milhões de exemplares vendidos desde 1983, segundo a editora Moderna. “Saber que meus livros continuam sendo lidos é o que mais me deixa feliz”, afirma.

Natural de Santos (SP), desde pequeno preferia a leitura à praia. Aplacava a solidão da infância — era a única criança da casa — com a literatura. Seus companheiros estavam nas páginas: Narizinho, Tarzan, Tio Patinhas, Jim Hawkins…

Na adolescência, buscou os palcos para contar histórias e atuou ao lado de conterrâneos como o dramaturgo Plínio Marcos (1935-1999). Mudou-se para São Paulo em 1961 para estudar Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP) e tentar a vida como ator profissional. A instabilidade do teatro, no entanto, acabou levando-o a buscar um salário fixo: virou repórter de jornal. Depois migrou para as revistas, nas quais passou a escrever histórias infantis publicadas em fascículos.

Após ouvir conselhos da amiga, crítica e professora de literatura Marisa Lajolo, decidiu escrever seu primeiro livro infantil, O Dinossauro que fazia au-au (1983). “Comecei tentando imitar Monteiro Lobato (1882-1948). Depois, fui me especializar em psicologia do desenvolvimento para entender o ser humano desde que nasce até se tornar adulto”, conta.

Seu livro de maior sucesso, A droga da obediência (1984), inaugurou a série dos Karas, grupo de adolescentes que acabam se envolvendo em investigações. A trama — sobre jovens que enfrentam um plano para colocá-los em estado de submissão por meio de uma substância química — nasceu durante a ditadura militar. “Precisava de uma metáfora forte, de um símbolo. E isso veio da minha própria experiência. Sofri com a ditadura. Quando ela começou, eu era um jovem redator; quando terminou, já tinha 40 anos. Toda a minha juventude foi passada em silêncio”, lembra.  Atualmente, a primeira adaptação do livro está em produção com a Globo Filmes e a produtora Conspiração. 

Bandeira dedicou mais seis títulos à saga dos Karas, entre eles Pântano de sangue (1987), Anjo da morte (1988), A droga do amor (1994), Droga de americana! (1999) e A droga da amizade (2014). Ao longo da série, refletiu sobre temas atuais, como catástrofes ambientais, epidemias e conflitos geopolíticos — o que levou muitos dos títulos a serem adotados por escolas. “A cada ano, uma nova geração de crianças de 10 anos chega e lê. E assim eles continuam vivos”, diz.

Aos 84 anos, Pedro não cogita se aposentar. “Continuo trabalhando que nem um doido porque é uma delícia escrever para crianças e adolescentes”. Nesta Entrevista, o autor discute o seu processo criativo, o hábito de leitura, seus clássicos da literatura e a relação próxima que mantém com seus leitores.

Você contou em algumas entrevistas que lia muito na infância e que Monteiro Lobato foi uma inspiração importante. Quais livros, revistas e quadrinhos te marcaram na época? 
Nasci em Santos e era uma criança muito solitária. Não havia outras da minha idade por perto, então eu era companheiro de mim mesmo — brincava muito sozinho. Aos 7 anos, fui bem alfabetizado na escola e comecei a ler gibi, que era uma febre naquele tempo. Histórias de mistério, de faroeste, de romance, de tudo… lembro que as primeiras histórias em quadrinhos que li eram do Tio Patinhas e do Pato Donald. Gostava muito também do Tarzan, desenhado por Burne Hogarth (1911–1996). Aí alguém me disse: “você gosta de Tarzan? Tem um livro”. Sem perceber, você ia para o livro. Adorava Robert Louis Stevenson (1850-1894), que escreveu A ilha do tesouro. Para mim, esse é o melhor livro infantil da história. Li também O médico e o monstro, do mesmo autor, além de Os três mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo, os dois de Alexandre Dumas (1802-1870).

Você teve uma trajetória profissional bastante múltipla: estudou teatro, trabalhou como jornalista, redator publicitário, deu aulas de literatura… Virou escritor aos 40 anos. Você chegou a imaginar se tornar escritor quando era mais novo?
Eu não imaginava ser escritor, jamais pensei. Queria trabalhar no teatro. Quando tinha 18 anos, vim para São Paulo para fazer faculdade e trabalhar com teatro profissional. Eu me dava muito bem como ator em Santos. O Plínio Marcos (1935-1999), meu companheiro de teatro lá, veio para São Paulo nessa época também. Fizemos bastante coisa, só que o teatro é uma profissão muito difícil. Quando a peça sai de cartaz, você está desempregado. Eu estava sozinho, não tinha quem me sustentasse. Precisava pagar a pensão onde morava. Aí fui fazer um teste no jornal. Não sabia o que era jornalismo, mas escrevia bem e fui aceito. Para o chefe de reportagem, é mais difícil ensinar alguém a escrever do que ensinar jornalismo. Então ele pegava quem já sabia escrever. E eu passei a viver disso, com um salário no fim do mês. Mas ainda fazia muita coisa para ganhar um dinheirinho: mágica em festa de aniversário, teatro de fantoches, até show de hipnose. Aí veio a ditadura. Tanto o teatro quanto o jornal passaram a ter problemas sérios com a censura — que foi brutal. Proibia peças, proibia notícias.

Nessa época, você também escrevia histórias infantis em fascículos de banca. Como foi o caminho até o primeiro livro? 
Os fascículos eram muito importantes: as pessoas compravam toda semana um capítulo de um livro, ou de um livro de cozinha, e depois encadernavam. Começaram então a pintar oportunidades de escrever pequenas histórias para essas revistas de banca. Eu era muito disciplinado, obedecia aos prazos — e prazo, no jornalismo, é mais importante do que qualidade. Se o jornal fecha e você não entregou o texto, dançou. Uma querida amiga minha, a Marisa Lajolo [crítica e professora de literatura], disse: “Pedro, você já escreveu tantas historinhas, por que não escreve um livro?”. Fiz meu primeiro livro tentando imitar Monteiro Lobato. Eu não sabia nada de pedagogia ou psicologia — tinha estudado ciências sociais na USP. Então, fui me especializar em psicologia do desenvolvimento, para entender o ser humano desde que nasce até se tornar adulto. Você precisa conhecer essas fases quando vai escrever para crianças e adolescentes. 

Você então começa um livro definindo a faixa etária do seu público?
Eu considero as fases de desenvolvimento: o que interessa uma criança aos 4, aos 7, aos 12 anos… A gente adequa o conteúdo e a linguagem de acordo com o leitor, para conseguir se comunicar com ele. Se quero falar com uma criança de 5 anos, preciso ter uma economia de vocabulário. A Ruth Rocha ensina uma coisa muito boa: você pode diminuir os adjetivos e usar substantivos adjetivados. Se você fala “bruxa”, não precisa dizer “bruxa malvada” — a função da bruxa é ser malvada. Se fala “delegado”, não precisa dizer “delegado sério” — a função dele já é essa. Se escrevo para um adulto, posso chutar o balde, porque vai me ler quem quiser. Se tiver palavra complicada, o problema é do leitor.

Como surgem as ideias para o enredo dos livros?
A ideia vem muito do interlocutor. Dei aula de literatura brasileira e portuguesa e lembro de um bom exemplo: um menino que ficava no meio da classe, quieto, só observando. A própria figura da timidez. Mas ele já estava chegando na adolescência, e a realidade ia cair como um tapa na cara. O que acontecerá com ele? A partir disso, invento uma história sobre um menino que precisa agir diante de algum acontecimento da vida. O que me inspira muito é a baixa autoestima do adolescente. Para se tornar um adulto forte, a gente precisa se aceitar. Eu marco a minha existência com a minha identidade. O livro começa quando surge o personagem. O enredo não é a primeira coisa. Gosto de comparar a literatura a uma via férrea: para existir, é preciso haver trilhos. O trilho é o enredo, o caminho — ele pode ser sinuoso. Ele serve para conduzir a locomotiva e os vagões – ou seja, a forma. Mas o que importa, na literatura, é o que os vagões transportam: as pessoas. Como agem, como pensam, como se relacionam ao longo do percurso. A história é sempre sobre o ser humano. Esse é o foco da literatura.

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024, do Instituto Pró-Livro, mostra que mais de 80% das crianças entre 5 e 10 anos dizem gostar de ler, mas esse interesse diminui com a idade. Muitos dos seus livros se tornaram leitura obrigatória em escolas. Como você vê o papel da escola no incentivo à leitura?
Como eu escrevo como auxílio às professoras, o meu livro precisa ser agradável, interessante — algo que faça o aluno querer ler. A leitura é fundamental porque amplia o vocabulário, ajuda a organizar o pensamento e a fixar mais coisas na memória. Talvez você não conheça a história da Romênia. Mas sabe ler. Se eu te dou um livro, você aprende. Se você lê mal, você não vai ficar sabendo nada. Como é que se conquista uma boa leitura? Treinando leitura. De tanto ler, a criança vai aumentando o seu estoque vocabular, o que vai permitir que ela entenda melhor as coisas do mundo. Por isso, eu acho que a disciplina mais importante na escola é a língua portuguesa. Porque tudo é escrito, até o problema de matemática. O enunciado é sempre um enigma de português. Você precisa destrinchar para entender que conta fazer. Se entende mal a pergunta, vai dar a resposta errada. Por isso, quando a criança diz “não gosto de ler”, “não tenho tempo” ou “canso quando leio”, em geral há uma dificuldade de letramento. Se a criança ainda não é capaz, vamos fazê-la capaz. Por isso que eu advogo que toda escola, como um hospital, devia ter um centro de terapia intensiva para esses alunos que precisam de mais apoio.

Como é que se conquista uma boa leitura? Treinando leitura. De tanto ler, a criança vai aumentando o seu estoque vocabular, o que vai permitir que ela entenda melhor as coisas do mundo.

Algumas obras suas dialogam com clássicos da literatura. Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand (1868-1918), inspirou A marca de uma Lágrima (1985), e Hamlet, de William Shakespeare (1564-1616), inspirou Agora estou sozinha (1987). Quais clássicos formaram o escritor Pedro Bandeira?
Eu fui feito de livros. Mas ninguém na minha família lia e nem ia ao cinema. Era um ambiente muito conservador. Eu acabei me fazendo sozinho. Meu pai morreu seis meses antes de eu nascer. Minha mãe era uma pessoa amorosa, mas nunca a vi lendo um livro. Já falei de A ilha do tesouro, que eu amava — e acho que toda criança devia ler. Mas também amei, e amo até hoje, os livros de Monteiro Lobato. William Shakespeare foi meu grande ídolo, principalmente por causa do teatro. O que acho extraordinário em Shakespeare é que, há mais de 400 anos, ele não escreveu sobre reis — escreveu sobre sentimentos humanos. Sobre o amor impossível, em Romeu e Julieta; sobre o ciúme, em Otelo; sobre ambição, velhice, relações de poder… Ele já questionava comportamentos. Era muito à frente do seu tempo. Se você quer entender o presente, leia Shakespeare. Eu mesmo já trabalhei com Shakespeare e com Machado de Assis (1839-1908), que é minha paixão absoluta. Machado, aliás, escreveu Dom Casmurro inspirado por Otelo. E eu fiz um livro recente que faz referência aos dois: Ciúme – a hora da verdade (2025). Para mim, Machado foi o maior romancista do século 19. Maior até do que [Fiódor] Dostoiévski (1821-1881) e [Liev] Tolstói (1828-1910). Não que eles não sejam bons. Mas quem mergulhou na alma humana e nas suas contradições foi Machado. Há livros realmente que continuam crescendo com a gente. Um exemplo é Vidas secas, de Graciliano Ramos (1892–1953). Um dos maiores gênios da nossa literatura. Reli recentemente, numa edição nova, e achei ainda melhor do que lembrava. Há algo que me interessa muito ali: a falta de palavras. Os personagens não conseguem se expressar. Não é falta de inteligência, é falta de linguagem. 

Quando publicou A droga da obediência (1984), você disse que a história funcionava como uma metáfora sobre a repressão durante a ditadura militar. Escrever foi uma forma de lidar com as memórias e as vivências daquele período?
Ainda era ditadura quando escrevi, em 1982. Era o momento da anistia — inclusive para quem cometeu atrocidades. Então criei a turma dos protagonistas, porque nessa idade ninguém é solitário: sempre há um grupo de amigos. Eles gostavam de mistério, liam coisas da Agatha Christie (1890–1976), brincavam de investigação. Mas precisava acontecer algo que os colocasse em ação. Eu não queria um crime comum, de polícia. Precisava de uma metáfora forte, de um símbolo. E isso veio da minha própria experiência. Sofri com a ditadura. Quando ela começou, eu era um jovem redator; quando terminou, já tinha 40 anos. Toda a minha juventude foi passada em silêncio — “isso você não pode dizer, isso você não pode fazer”. Foi muito duro. Então inventei essa metáfora: a ditadura como uma droga que, na verdade, serve para obrigar todo mundo a obedecer. Um sujeito que quer impor obediência absoluta. Isso é antidemocracia. No livro, os meninos lutam contra isso. Talvez por isso ele ainda funciona hoje, mais de 40 anos depois. Quando chega à adolescência, todo mundo quer ser ouvido. O que o jovem diz não é besteira. Ele quer ter o direito de opinar. Não é mais criança — e, muitas vezes, continua sendo tratado como se fosse. O adolescente quer respeito, quer ser tratado como alguém que tem direito à palavra, ao conhecimento. Acho que é por isso que esse livro continua sendo um sucesso. 

Esse olhar para o contexto político aparece também em outros livros da série Os Karas. Em Anjo da morte (1988), eles lidam com um levante neonazista. Já em Droga de americana! (1999), publicado em um contexto bem diferente, a discussão política permanece presente, ainda que em outro registro. Como os livros podem ajudar na formação política dos jovens hoje? Essa era uma preocupação quando você começou a escrever a série?
Jean Piaget (1896-1980) diz que o jovem começa a olhar para além de si mesmo a partir dos 12 anos. É aí que a leitura pode ajudar muito. A minha série dos Karas é sobre cinco adolescentes que estão despertando para a idade adulta. Em cada livro, eu quis tratar de um tema importante: a destruição da natureza, em Pântano de sangue; as consequências de uma ditadura brutal para o mundo em Anjo da morte; e até uma pandemia, em A droga do amor — que, na época, imaginei de outro jeito, mas acabou dialogando com o que vimos depois na época da covid-19. Eu nunca precisei nomear exatamente os acontecimentos. O leitor entende. Ele se coloca ali dentro. É isso que me interessa: que o leitor viva aquela experiência. Que entenda como é ruim mandarem você calar a boca, como é ruim destruir a natureza, como é viver sob uma ditadura, como é ruim uma pandemia explorada comercialmente. Tudo isso ajuda o jovem a crescer com mais consciência e com mais capacidade de se defender.

A droga da obediência vai ganhar uma adaptação para o cinema. O livro se tornou um marco da literatura juvenil brasileira, com cenas e diálogos que já sugerem um ritmo cinematográfico. Por que essa adaptação demorou tanto a acontecer? 
Quando o livro saiu, fez muito sucesso e logo surgiram tentativas de adaptação. Na época, porém, a única possibilidade era a televisão — e isso significava uma novela juvenil. O problema é que seria uma produção cara para a faixa da tarde, que não tem anunciantes suficientes para sustentar esse tipo de projeto. E, no horário nobre, não fazia sentido. Houve outras tentativas ao longo dos anos, inclusive para cinema, mas nenhuma foi adiante. Agora, com o streaming, isso mudou: o projeto se tornou mais viável.  Vai ser uma superprodução. Escrever é barato; filmar, não.

Quando a história se apoia em elementos muito datados, ela envelhece. Mas, quando fala de sentimentos humanos, continua atual.

Ao longo da carreira, foram mais de 30 milhões de exemplares vendidos, segundo a editora Moderna. Como você manteve o sucesso ao longo dos anos? 
Existe o best-seller, que é o livro que você lança e vende muito. E existe o long-seller. No meu caso, é isso que acontece: a cada ano, uma nova geração de crianças de 10 anos chega para começar a ler. Se a professora adota o livro e ele funciona bem em sala, ela adota de novo. E assim ele continua vivo e sempre vendendo. Muitos dos meus livros foram escritos em outra época, quando o telefone ainda tinha disco. Hoje todo mundo tem celular. Em algumas edições, fiz pequenos ajustes, incluí um computador, por exemplo. Mas, como o livro não é sobre tecnologia, isso não é o essencial. Quando a história se apoia em elementos muito datados, ela envelhece. Mas, quando fala de sentimentos humanos, continua atual. Esse é o ponto. Pode mudar o cenário — antes era cavalo, hoje é carro — mas as pessoas são as mesmas. É isso que eu tento levar em conta: escrever sobre o que não muda. O pior que pode acontecer é escrever um livro que morre, que deixa de interessar. Se não interessa hoje, é porque talvez nunca tenha interessado de verdade. E saber que meus livros continuam sendo lidos é o que mais me deixa feliz.

Suas obras ajudaram a formar gerações de leitores no Brasil. Quando você pensa nesse percurso, o que mais te emociona?
O que mais me emociona são os leitores. No começo, eu recebia muitas cartas — sacos de cartas. A maioria hoje está na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que fez um trabalho de pesquisa com esse material. Eu guardei algumas, mas perdi outras que eram lindas. Eu gostava das cartas. Gostava mesmo — do papel, do selo, do envelope. Hoje ninguém mais escreve carta. A primeira que me marcou foi de um leitor que escreveu: “Pedro, eu não gostava de ler. Depois do seu livro, passei a gostar”. Isto é o maior orgulho que eu posso ter: conquistar alguém que não gostava de ler. Com o tempo, você cria um vínculo com os leitores. Eu tenho carinho por essas pessoas que me leem. Encontro leitores hoje que já são netos dos meus primeiros leitores. A avó leu, o filho leu, e agora a neta está lendo. Isso quer dizer que a história continua viva. 

Assista a trechos da Entrevista com o escritor Pedro Bandeira, realizada no Sesc Avenida Paulista, em março de 2026.

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