Foto: divulgação
Foto: divulgação

Laboratório Clandestino de Dramaturgia

Com Bruna Menezes

Santos

A14

atividade presencial

R$ 9,00 Credencial Plena
R$ 15,00 Meia entrada
R$ 30,00 Inteira

Local:  Sala 1

Inscrições de 30/9 a 3/10 em https://centralrelacionamento.sescsp.org.br/ e no app

Datas e horários

03/10 a 10/10

03/10 • • 15h00
10/10 • • 15h00
Foto: divulgação
Foto: divulgação


Inspirado nas reflexões de Ailton Krenak sobre a urgência de “adiar o fim do mundo”, este laboratório de criação dramatúrgica propõe a escrita como um gesto ético, político e poético de reinvenção das formas de existência. Partindo da compreensão de que as narrativas moldam percepções, relações e possibilidades de futuro, a oficina convoca dramaturgos e criadores da cena a assumirem uma postura ativa e responsável em seus processos de escrita, entendendo a dramaturgia como um campo de disputa simbólica, capaz de tensionar imaginários consolidados e abrir brechas para a emergência de outros modos de ver, sentir e narrar o mundo. 
 
Nesse contexto, o laboratório se estrutura como um espaço de investigação e experimentação que busca deslocar o olhar tradicional sobre a construção de personagens. Em vez de reproduzir trajetórias marcadas exclusivamente pela dor, pela violência ou pela subalternização, propõe-se a criação de figuras que evidenciem territórios de potência, autonomia e complexidade. Trata-se de um movimento consciente de recusa à redução de sujeitos a marcadores identitários fixos ou a narrativas previsíveis, abrindo espaço para a construção de personagens atravessadas por múltiplas camadas de pertencimento, memória, desejo e transformação. 
 
A oficina também se ancora na valorização do pensamento cosmológico e das epistemologias da oralidade como ferramentas fundamentais para a criação artística. Ao incorporar princípios como escuta, circularidade, relação e coletividade, o processo dramatúrgico se desloca de uma lógica linear e individualizante para uma perspectiva mais integrada, em que o conhecimento é construído de forma compartilhada e situada. Esses elementos permitem que a dramaturgia se afaste do já conhecido e esperado, aproximando-se de territórios ainda não imaginados, ampliando assim as possibilidades narrativas e estéticas. 
 
No campo teórico, o laboratório articula contribuições de pensadores como Gloria Anzaldúa, Octavio Paz, David Ball e Amadou Hampâté Bâ, compondo uma base plural que atravessa diferentes geografias, culturas e perspectivas de mundo. Esse entrelaçamento teórico não se dá de forma ilustrativa, mas como suporte ético e estético para a criação, oferecendo ferramentas conceituais que auxiliam na construção de dramaturgias mais complexas, sensíveis e comprometidas com a ampliação dos horizontes de representação. 
 
Ao longo do processo, os participantes serão estimulados a desenvolver exercícios de escrita, escuta e análise crítica, investigando suas próprias referências, repertórios e implicações no ato de criar. A proposta é que cada dramaturgo possa reconhecer suas escolhas como posicionamentos políticos, compreendendo que toda narrativa produz efeitos no mundo e contribui para a manutenção ou transformação das estruturas simbólicas existentes. 
 
Dessa forma, o laboratório se apresenta não apenas como um espaço de formação técnica, mas como um território de elaboração ética e poética, onde a criação dramatúrgica se torna uma prática de imaginação radical. Ao tensionar o que está dado e apostar no que ainda pode ser criado, a oficina busca contribuir para o surgimento de narrativas mais plurais, sensíveis e potentes, capazes de adiar não apenas o fim do mundo, mas também de inaugurar outros começos possíveis. 
 
Bruna Menezes é graduada em Letras pela Universidade Federal de São Paulo. Formada em Dramaturgia pela SP Escola de Teatro, integrou a 11ª turma do Núcleo de Dramaturgia do Sesi. É dramaturga e dramaturgista. Foi estagiária de dramaturgismo em O Filho, do Teatro da Vertigem, com direção de Eliana Monteiro. Atuou como assistente de dramaturgismo na peça Enquanto Ela Dormia, no Sesi Paulista, também com direção de Eliana Monteiro. Colaborou na publicação Teatro da Vertigem 25 anos (Ed. Cobogó). Participou como avaliadora no processo seletivo da 12ª turma do Núcleo de Dramaturgia do Sesi. É dramaturga da peça Inundação, do grupo Confraria de Teatro (ES), texto contemplado no concurso internacional Escenas del Confinamiento.

Trabalhou como dramaturgista no espetáculo Chroma Key, com direção de Eliana Monteiro, Sesc Paulista. Foi dramaturga do Projeto Espetáculo na Fábrica de Cultura da Vila Nova Cachoeirinha. É dramaturgista de Agropeça, espetáculo do Teatro da Vertigem com direção de Antônio Araújo e dramaturgia de Marcelino Freire. Escreveu a dramaturgia de “Hoje foi amanhã” no projeto audiodrama,  disponível no spotify (2022). É dramaturgista da intervenção urbana Florestania, idealizada por Eliana Monteiro, apresentada na PQ – Quadrienal de Praga 2023 e em temporada no Mirada 2025. Colaborou na publicação Isto não é uma dramaturgia (Ed. Javali, 2025), coletânea de exercícios de dramaturgia.

Participação da mesa Entre dramaturgismos, com Antonio Duran e Silvana Garcia. Foi coordenadora interina do curso de Dramaturgia da SP Escola de Teatro (2024). Atualmente, é artista-docente do curso, onde orientou os seguintes projetos: cinco edições do projeto Cena Única – Leituras Dramáticas e o grupo de estudos Axé: verbalizar o poder criador. Autora de Promissa Terra. 

Utilizamos cookies essenciais para personalizar e aprimorar sua experiência neste site. Ao continuar navegando você concorda com estas condições, detalhadas na nossa Política de Cookies de acordo com a nossa Política de Privacidade.