Datas e horários
22/10 a 25/04
Com curadoria de Fernando Limberger, o encontro entre som e artes visuais organiza um percurso de quatro ambientes que leva o público a atravessar os elementos que sustentam a vida. O conceito ecomúsica guarda duas ideias: o prefixo eco carrega o sentido de casa, o lugar onde se mora; eco é também aquilo que volta de um som lançado ao mundo. A curadoria trabalha com esses dois aspectos de forma simultânea e propõe ao visitante uma pergunta instigante: “O que ainda se ouve da casa que habitamos?”.
A expografia, assinada por Anna Helena Vilella e Fernando Limberger, incorpora a matéria orgânica aos ambientes da exposição e dá uma identidade própria a cada sala. Logo na entrada o público é recebido por uma obra comissionada do artista Guto Lacaz. O núcleo terra compõe esse momento de recepção, tomado por plantas, onde se encontram o texto de Rafael Vogt Maia Rosa, a paisagem de Caio Reisewitz presente no registro Jaraguá B e a obra Amoahiki, Árvores do canto xamânico, de Gisela Motta e Leandro Lima.
Dentro desse primeiro grande espaço, abrem-se três salas. A primeira delas é a do elemento água. Feita com piso de seixo de rio e obras de grandes dimensões dedicadas à paisagem, a sala reúne as fotografias justapostas de Marcos Chaves, a série Prelo, de Luiz Zerbini, a obra Canastra, de Ludmila Ferolla, a pintura Sem fim, de Mo Toledo e Viagem Pitoresca pelo Brasil #93, do fotógrafo Cássio Vasconcellos. A artista macuxi Carmézia Emiliano pinta o buritizeiro e a maloca do seu local de nascimento, em Roraima. Há ainda a obra inédita de Luciana Napchan, Cartas a Debret.
A segunda sala tem o ar como elemento central e reúne obras em que pássaros e insetos aparecem em diferentes linguagens e formas de representação. Disposta em imagens contínuas ao longo das paredes, encontra-se a série Pássaros de São Paulo, realizada pela artista gráfica Noris Lima. Nesse mesmo núcleo da exposição, Rochelle Costi apresenta fotografias de insetos que atravessam a obra Casa & Jardim. Ulysses Bôscolo apresenta a obra Pássaros da Mata Atlântica e Dudi Maia Rosa apresenta desenhos de insetos, enquanto Juan Fontanive faz borboletas baterem asas na instalação formada por máquinas de folhear. Ismail Maxakali contribui com dois trabalhos cujos títulos resumem o espírito da exposição: Pau de religião tem canto e Morcego tem canto.
Na sequência, o público encontrará o núcleo fogo. Composto por três televisores exibindo vídeos do acervo do músico Fabio Caramuru, editados por Otavio Dias. Essa instalação ocupa todo o espaço, remetendo ao conceito de ecomúsica proposto na mostra.
O programa educativo do Sesc Vila Mariana propõe reflexões para quem mora na cidade e que ultrapassam os limites do espaço expositivo: quais pássaros São Paulo ainda ouve e quais deixou de ouvir sem que ninguém percebesse?
A ecomúsica também estará presente na programação da Unidade durante todo o período da exposição. Fabio Caramuru se apresenta ao piano na abertura, e outras ações acontecerão ao longo dos seis meses de visitação. A temporada segue até 25 de abril de 2027 e devolve ao público, em forma de percurso, a ideia que sustenta o projeto desde o começo: quem ecoa a vida deve assumir responsabilidade pelo futuro.
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