Foto: divulgação
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Nitrido Ou A Dramaturgia de Cavalo

De Laís Cafari

Santos

Duração: 80 minutos

A12

atividade presencial

Local:  Teatro

Vendas nas bilheterias a partir do dia 04/11, às 17h.

Foto: divulgação
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Cinco homens negros atravessados por diferentes experiências da vida periférica colocam seus corpos em cena para investigar a relação entre fome, alimentação, território, memória e sobrevivência, nesta obra que transforma a experiência da quebrada em matéria poética, política e corporal. 

Nitrido significa ato de relinchar. O relincho torna-se, assim, uma imagem de voz, chamado e resistência: aquilo que insiste em existir mesmo quando seu território é cercado, sua história apagada e seus recursos reduzidos. O cavalo, animal de força, trabalho, transporte e guerra, aparece como figura central da dramaturgia e como espelho de corpos humanos submetidos ao cansaço, ao deslocamento, à exploração e à necessidade de continuar caminhando.  
 
A obra aproxima o equino do jovem periférico que trabalha, estuda, atravessa a cidade em transportes lotados e retorna para casa exausto. Assim como o animal conduzido pelo cabresto, esse corpo muitas vezes segue caminhos determinados por estruturas sociais que restringem sua visão e suas possibilidades. Na periferia, entretanto, o cavalo também revela outra dimensão: a falta de pasto, de alimento e de espaço, enquanto os campos desaparecem para dar lugar às casas, às estradas e à expansão urbana.

É nesse território de escassez que surge a questão da comida. O que comemos? O que deixamos de comer? O que foi apagado da nossa memória? Quem determina aquilo que chega à nossa mesa? A dramaturgia relaciona a perda dos saberes ancestrais sobre raízes, sementes e alimentos ao excesso de produtos industrializados e embutidos disponíveis nos territórios marginalizados. A fome deixa de ser apenas uma experiência individual e passa a ser compreendida como consequência de processos históricos de apagamento e desigualdade. 

Elenco: Abraão Kimberley, Dante Preto, Janderson Fundação, Jefferson Silvério e João Carlos Pinto 
Coordenação de Produção Artística: Trinity 
Dramaturgia e Direção: Laís Cafari 
Orientação junto à Direção: Lúcia Kakazu 
Preparação Corporal: Gisele Calazans 
Preparação Vocal: Tâmara David 
Criação e Operação de Luz: Nayka Alexandre 
Criação e Operação de Som: Mica Matos 
Assistente de Produção: Vini Ranieri 

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