
A partir de 22 de setembro, o Sesc Pompeia recebe a exposição “O Barco”, da artista Grada Kilomba, em parceria inédita com o Instituto Inhotim na primeira itinerância do projeto para fora do museu mineiro. Em cartaz até 25 de outubro no Galpão do Sesc Pompeia, a mostra reúne a instalação homônima, de 2021, e duas obras que passaram a dialogar com ela: “Opera to a Black Venus” (2024) e “Compressed Time” (2024).
A chegada ao Sesc Pompeia dá continuidade ao percurso da obra, que antes de aportar em Minas Gerais, em abril de 2024, passou por Portugal e Inglaterra, com apresentações em Lisboa e Londres. Desde o início, Kilomba desejava que “O Barco” não ficasse parado, mas continuasse navegando pela América do Sul, e agora ele chega a um novo porto em São Paulo.

“O Barco” é uma obra escultórica, performática e poética composta por 134 blocos de madeira queimada, dispostos em uma área de mais de 220 m² e com 32 metros de comprimento. A peça desenha, com precisão quase arquitetônica, a silhueta do fundo de uma grande embarcação, revelando a arquitetura dos porões dos navios negreiros, onde foram confinados os corpos de milhões de pessoas africanas escravizadas. Em 18 desses blocos, ritualmente queimados a fogo, está gravado em dourado um poema escrito por Kilomba, traduzido para iorubá, kimbundu, crioulo cabo-verdiano, português, inglês e árabe da Síria.
Somam-se a “O Barco” a videoinstalação “Opera to a Black Venus” (2024) e a instalação “Compressed Time” (2024), nascidas da pesquisa que a artista aprofundou durante a concepção da obra original e que respondem a uma mesma pergunta: o que o fundo do oceano nos diria amanhã, se esvaziado de água hoje? Para Kilomba, o oceano é um espaço de sepultamento de milhões de vidas perdidas, da escravização e do colonialismo às guerras, às mudanças climáticas e às migrações forçadas. Na videoinstalação, a artista recorre à figura mítica de uma Vênus Negra como narradora dessas histórias; em “Compressed Time”, propõe um arquivo humano para guardá-las e abrir espaço a novas narrativas.
“Grada Kilomba é uma das vozes mais contundentes de nosso tempo. É uma artista que trabalha com o que não está visível e com as histórias esquecidas. Em ‘O Barco’, várias dessas histórias ganharam voz, corpo e forma em um diálogo significativo com outros artistas, de Portugal e do Brasil. É um privilégio ver esse trabalho ganhar agora um novo público, em outra cidade, com toda a força que carrega desde sua concepção”, afirma Marília Loureiro, curadora, ao lado de Júlia Rebouças, de “O Barco”.

Sesc Pompeia amplia a circulação de “O Barco”
Antes de chegar a São Paulo, “O Barco” passou pelo Instituto Inhotim, primeiro museu fora da Europa a receber o projeto, onde ficou em exibição desde abril de 2024 ao longo de três atos, marcos conceituais e temporais que, a cada ano, deram à obra novos públicos e ativações. No Ato I, um ensemble de coro, percussão e balé vindo de Portugal deu corpo à exposição, nomeada duas vezes melhor mostra do ano. Em 2025, o Ato II aprofundou o diálogo com o território, incorporando ao ensemble 12 artistas mineiros de Brumadinho e Belo Horizonte. Para o Ato III, Kilomba propôs a integração de novos trabalhos nascidos dessa pesquisa, foi então que “Compressed Time” e “Opera to a Black Venus” passaram a compor a exibição, no formato que agora chega ao Sesc Pompeia.
Para Luiz Galina, diretor regional do Sesc São Paulo, “receber ‘O Barco’, de Grada Kilomba, no Sesc Pompeia, em parceria inédita com o Instituto Inhotim, reafirma o compromisso do Sesc São Paulo com a circulação da produção artística, a ampliação do acesso à cultura e a construção de diálogos com diferentes públicos. Neste ano em que se celebram os 80 anos do Sesc São Paulo e os 20 anos do Instituto Inhotim, é especialmente significativo promover o encontro do público com uma obra de reconhecida relevância artística e social, que aborda memória, ancestralidade e questões fundamentais da sociedade contemporânea.”
A parceria entre as instituições, que viabilizou a exposição no Sesc Pompeia, marca também um momento especial para ambas: o Sesc completou 80 anos em 2026 e o Inhotim, 20, motivo de celebração em São Paulo e Brumadinho. Para Júlia Rebouças, diretora artística do Inhotim, curadora e pesquisadora, o movimento reforça uma aposta institucional: “Estamos integrando o conceito de itinerância ao nosso modo de exibir os trabalhos. Vemos nisso uma forma de inovação e de troca institucional que é boa para os museus, para os artistas e para o público. Vale lembrar que o Inhotim já é conhecido por suas exibições de longa duração o próprio ‘O Barco’ permaneceu 28 meses em cartaz no instituto. Ao apostar também na itinerância, como conceito e como prática institucional, podemos levar a magnitude do pensamento de artistas como Grada Kilomba a mais públicos.”

Fala Pública
Na abertura, em 22 de setembro, Grada Kilomba participa de um diálogo público com Júlia Rebouças, diretora artística do Instituto Inhotim, curadora e pesquisadora, em conversa aberta ao público no Sesc Pompeia.
A distribuição de ingresso acontece na sexta, dia 18/9, a partir das 17h no aplicativo Credencial Sesc SP e em centralrelacionamento.sescsp.org.br e na
terça, dia 22/9, a partir das 15h nas bilheterias do Sesc SP.
“O Barco”, de Grada Kilomba, no Sesc Pompeia
De 22/9 a 25/10
Terças a sextas, das 10h às 21h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.
Galpão| Grátis | Livre
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