Borda | MIRADA 2026

09/09/2026

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Foto: Fernanda Luz


Entrevista com Lia Rodrigues | Criadora


O espetáculo brinca com o duplo sentido de “borda”: o limite que divide e o ato de bordar. De que forma essa dualidade aparece no palco? 

A palavra “borda” vem do verbo “bordar”, que significa enriquecer, realçar, elaborar. Pode também significar fronteira, limite, periferia. Em sentido figurado, pode ser imaginar, fantasiar. Cada intérprete imaginou uma dança para essa peça que, paradoxalmente, se revela uma obra coletiva. Somente juntos os intérpretes podem realizar esse trabalho.  

Num mundo cada vez mais erguido por muros, como a dança pode criar, no palco, um território acolhedor e sem donos?  

Não acredito que a dança, por si só, possa fazer isso, nem no palco nem fora dele. São as nossas ações como cidadãos que podem se contrapor às barreiras presentes no Brasil e no mundo. Racismo, misoginia e outras formas de violência não serão transformadas apenas pela arte, mas talvez a arte possa abrir espaços de sensibilidade e reflexão. 


Foto: Fernanda Luz

A dança relaciona o “bordar” com a capacidade de fantasiar: qual o papel da imaginação e do sonho neste trabalho para encarar os desafios do presente?  

Talvez a imaginação e o sonho não possam, por si só, responder aos desafios do presente, mas podem criar um momento de suspensão, um espaço de respiro. Um lugar onde corpos diversos podem coexistir, experimentar outras relações e imaginar, ainda que por um instante, um mundo menos marcado pelos muros e mais atravessado pelos encontros. 

Lia Rodrigues é criadora do espetáculo Borda e fundadora da Lia Rodrigues Companhia de Danças.


Sinopse

Borda

Criada pela Lia Rodrigues Companhia de Danças, a coreografia nasceu no Centro de Artes da Maré, no Rio de Janeiro (RJ), e foi tecida paciente e laboriosamente como um lugar poroso de alteridades fluidas – um bordado no qual as margens se movem, flutuam e dançam. Em português, a palavra “borda” vem do verbo bordar, que significa enriquecer, realçar, elaborar. Também pode se referir à fronteira, margem, barreira, linha de demarcação – aquilo que separa. Há, em cena, bordada nos espaços intermediários dos nove corpos que dançam, a ideia de fronteiras geográficas e políticas, às vezes materializadas em muros, arames farpados, portões ou postos de controle. Em muitos casos, essas fronteiras marcam zonas de oposição e podem distinguir grupos e povos, humanos e não humanos, e estabelecer territórios. Quem tem permissão para atravessar?  

O espetáculo Borda foi apresentado nos dias 8 e 9/09 às 15h, no Teatro Municipal Braz Cubas, em Santos.

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