
A edição 22 reúne escritores, pesquisadores, educadores e artistas para refletir sobre a formação de leitores, a mediação cultural e os diferentes modos de ler o mundo.
O que nos torna leitores? Como a literatura dialoga com as transformações tecnológicas, as desigualdades de acesso ao livro e as múltiplas formas de produção cultural? Essas são algumas das questões que orientam a nova edição dos Cadernos Sesc de Cidadania, dedicada ao tema “Leituras – Por que e como lemos hoje?”. A publicação reúne reportagens, entrevistas, perfis, ensaios visuais, poesia e intervenções literárias para discutir a leitura como prática cultural, direito e experiência de formação humana.
A reportagem especial que abre a edição percorre diferentes experiências de formação leitora e mostra que o encontro com a literatura começa muito antes do primeiro livro. A partir de pesquisas, projetos culturais e relatos de escritores e especialistas, o texto discute como família, escola, bibliotecas, mediação cultural e experiências coletivas ajudam a construir vínculos duradouros com a leitura, ao mesmo tempo em que analisa os desafios apontados pelos indicadores recentes sobre os hábitos de leitura no Brasil e as transformações provocadas pelas novas tecnologias.
Entre os protagonistas dessa reflexão está o escritor Jeferson Tenório, que revisita sua própria trajetória para mostrar que a formação de um leitor começa na capacidade de interpretar o mundo antes mesmo do contato com o livro. Em entrevista ao Sesc, o autor relaciona literatura, memória, oralidade, vivências nos terreiros de umbanda e candomblé e sua experiência pessoal para pensar a leitura como um processo de construção da sensibilidade e do pensamento crítico.
A publicação também apresenta a educadora Bel Santos Mayer, referência nacional em mediação de leitura e democratização do acesso ao livro. Sua trajetória evidencia o papel das bibliotecas comunitárias e das ações de formação de leitores nos territórios, reafirmando a leitura como ferramenta de transformação social e fortalecimento da cidadania.
Outra presença de destaque é a poeta, atriz e pesquisadora Luiza Romão, que amplia o conceito de leitura ao abordar a potência da oralidade, da performance e do slam. A reportagem mostra como essas manifestações aproximam novos públicos da literatura e reafirmam que a leitura também acontece pela escuta, pelo corpo e pela experiência coletiva.
A discussão sobre acessibilidade ganha espaço com Maria Stockler Carvalhosa, editora e cofundadora da Supersônica, que compartilha sua experiência na criação de audiolivros concebidos como obras artísticas. A reportagem propõe uma reflexão sobre formatos acessíveis de leitura e defende que a acessibilidade seja pensada como parte da experiência estética, ampliando o acesso à literatura para diferentes públicos.
A edição destaca ainda iniciativas que fortalecem a formação de leitores em todo o país. Entre elas está o Arte da Palavra [Arte da Palavra – Sesc], projeto nacional do Sesc voltado à circulação de escritores e escritoras, à valorização da oralidade e à formação literária por meio de encontros, oficinas e ações realizadas em unidades do Sesc, escolas, bibliotecas e espaços comunitários. A publicação também aborda o papel das bibliotecas, das feiras literárias e das livrarias independentes como espaços de encontro, convivência e democratização do acesso ao livro, reforçando a importância das políticas públicas e das ações culturais para a formação de leitores.
A reflexão proposta pela publicação também dialoga com as diversas iniciativas do Sesc voltadas à democratização do acesso ao livro e à formação de leitores. Presente em todas as regiões do estado, a instituição desenvolve ações permanentes que estimulam o encontro entre pessoas, livros e diferentes práticas de leitura, reconhecendo esse direito como parte da formação cultural e do exercício da cidadania.
Entre essas iniciativas estão as bibliotecas das unidades do Sesc São Paulo, o BiblioSesc, que leva livros e atividades de incentivo à leitura a municípios e comunidades atendidas por bibliotecas móveis, o projeto Leituras Circulantes, as Malas de Livros, que ampliam o acesso aos acervos em diferentes contextos, os estandes de livros presentes em ações do Mesa Brasil Sesc São Paulo e o catálogo das Edições Sesc, dedicado à publicação de obras que promovem o acesso à educação, às artes, à cultura e ao pensamento contemporâneo. Ao reunir essas ações, o Sesc fortalece uma rede de promoção da leitura que articula circulação de livros, mediação cultural, formação de leitores e acesso ao conhecimento.
Outro destaque é a Galeria Gráfica, que percorre momentos da história do design editorial brasileiro por meio de capas, projetos gráficos, tipografias e publicações que marcaram diferentes épocas, evidenciando o livro como objeto cultural e expressão artística.
Completam a edição o perfil de Ailton Krenak, que propõe outras formas de compreender a leitura a partir da relação com o território, a ancestralidade e os modos de existência, e a entrevista com a escritora argentina María Teresa Andruetto, que defende a leitura como uma experiência capaz de ampliar a imaginação, a sensibilidade e a vida em comunidade.
A publicação também convida o público a ampliar essa experiência na plataforma Sesc Digital (acesse aqui), onde estão disponíveis conteúdos inéditos das Intervenções Literárias desta edição: a poeta Maria Vilani apresenta um poema acompanhado de um texto sobre seu processo criativo; Kiusam Oliveira compartilha uma narrativa voltada ao público infantojuvenil; e Amara Moira assina um conto escrito em bajubá, explorando a potência literária desse criptoleto historicamente construído por travestis e pessoas LGBTQIAPN+. A plataforma reúne ainda uma galeria exclusiva com todas as ilustrações criadas por Ana Matsusaki para esta edição dos Cadernos Sesc de Cidadania, ampliando a experiência visual da revista e evidenciando o diálogo entre literatura e artes visuais. Os conteúdos podem ser acessados pelos QR Codes distribuídos ao longo da publicação ou diretamente na plataforma.
Ao reunir diferentes vozes, linguagens, suportes e experiências, a 22ª edição dos Cadernos Sesc de Cidadania reafirma a leitura como um direito cultural e convida o público a refletir sobre seus múltiplos sentidos na contemporaneidade. Em diálogo com as ações permanentes do Sesc São Paulo para a promoção da leitura, a publicação amplia esse debate para além das páginas da revista e fortalece o compromisso institucional com a democratização do acesso ao livro, à literatura e ao conhecimento.
O lançamento da edição 22 acontece durante a FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty e em São Paulo
- – – – – – – – – – – -
23 de julho | 15h | Casa das Edições Sesc
Mesa ”Livro e leitura: forma, conteúdo e desdobramentos”
Com Tereza Bettinardi e Luiza Romão. Mediação de Thais Heinisch . Abertura de Rogério Ianelli.
24 de julho | 11h | Casa das Edições
Mesa de Lançamento do Caderno de Cidadania – Leituras: Por que lemos hoje?
Com Bel Santos Mayer e Amara Moira. Mediação de Tiago Marchesano. Abertura de Rogério Ianelli
28 de julho | 19h às 21h | CPF
Com Jefferson Tenório, Bel Santos Mayer e Luiza Romão
Local: Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar
Retirada de ingressos 1 hora antes na bilheteria do CPF
Utilizamos cookies essenciais para personalizar e aprimorar sua experiência neste site. Ao continuar navegando você concorda com estas condições, detalhadas na nossa Política de Cookies de acordo com a nossa Política de Privacidade.