
Foto: Ulises Avila
Como surge e se organiza o grupo Lagartijas tiradas al sol?
Luisa Pardo Sentíamos a necessidade de praticar um teatro fora dos modelos tradicionais. Não ter um espaço físico fixo nos isenta de burocracias e fortalece laços. Herdeiros do teatro de grupo dos anos 1970, apostamos na organização coletiva contra o individualismo.
Lázaro G. Rodríguez Decidimos criar, escrever e atuar em obras de baixo custo e autogeridas sobre os temas que nos preocupavam, sem depender de diretores ou dramaturgos.
O que o projeto revela sobre a relação do México com a América Central e o exílio?
L.R. A América Central é uma região desconhecida no México, país que sempre olhou para o Norte. Unimos viagens e livro para compreender essa realidade, focando na Nicarágua, onde a ditadura forçou quase um milhão de pessoas ao exílio.
L.P. O México tornou-se um “norte” para a América Latina. Denunciamos pessoas encurraladas por violência política, burocracia migratória e narcotráfico, expondo a complexidade dessa realidade sem cair em clichês.

De que maneira o livro, gerado a partir da pesquisa artística da companhia, e a peça de teatro se complementam?
L.P. O teatro é uma arte viva e efêmera, que apela à memória a partir da fugacidade. A pesquisa histórica e o livro surgiram como complemento para perpetuar o motivo de criação dos espetáculos, oferecendo outras vozes e olhares transversais sobre os temas explorados.
Luisa Pardo e Lázaro G. Rodríguez coordenam e atuam no grupo Lagartijas tiradas al sol, que encena a obra.
A obra é inspirada em um projeto de pesquisa artística sobre a América Central que buscou aproximar autores e atores de uma região à qual seu país de origem, o México, historicamente virou as costas.
Durante uma viagem de campo à América Central, artistas coletam informações e depoimentos para a elaboração de uma obra. A jornada toma um rumo totalmente inesperado quando a equipe conhece uma mulher identificada apenas como “M——”: “Ela pediu que fizéssemos um favor dentro do país que a viu nascer, no qual viveu a vida inteira e para onde não pode voltar”.
Além da peça, a pesquisa artística também gerou um livro que retrata o resgate da história desse pedaço do continente.
O espetáculo Centroamérica foi apresentado nos dias 9 e 10/09 às 22h, no Sesc Santos.
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