
Dinho Lima Flor, da Cia do Tijolo, vencedor da edição 2025 do prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), na categoria Melhor Direção, com a peça Restinga de Canudos, é direto ao falar sobre a coroação de uma trajetória extensa no teatro: ‘nunca é uma premiação de agora, de um ser sozinho, é coletiva’. Essas reflexões vieram logo após a notícia de que Restinga de Canudos fora reconhecida pela crítica cultural especializada de São Paulo, em 26 de janeiro. Três dias depois, em 29 e 30 de janeiro, quinta e sexta, às 19h, a peça estará no Sesc Campo Limpo. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes do início do espetáculo.
O trabalho é fruto das inquietações desse pernambucano, que há cinco anos, sentiu a importância de falar sobre a história do povo conduzido por Antônio Conselheiro (1830-1897), mas não só isso. A saída? Duas professoras, conduzindo o fio da narrativa na montagem, também inspirada em Euclides da Cunha (1866-1909): o escritor e jornalista, não imaginava haver, no interior da Bahia, um povo letrado e com forte senso de coletividade, impressão que mudou ao longo de sua cobertura do massacre de 1897, na Guerra de Canudos. “Quando ele descobre que tinha, inclusive, a Rua das Professoras, a gente coloca a resistência na boca das personagens. Fustiguei o assunto há cinco anos, e disse: quero fazer suco de Canudos. Preciso falar desse território”, pontua o diretor.
A peça, trata da constituição social de um povo, antes de estourar o conflito, e assim, ganham vida os saberes e as vivências dos liderados de Antônio Conselheiro. Dinho, explica: todos tinham sua casinha e quintal, com um bode e a sua própria roça. “Nada era de ninguém, as coisas eram comuns a todos. Em Canudos, tinha uma profecia: os rios, seriam rios de leite, e as montanhas, de cuscuz. Por princípio, é um lugar em que não existe a fome”, enfatiza Lima.
Essa calmaria social, em meio a um cenário de revoltas pela recém-formada república, significava um desafio para as autoridades do país. “Canudos era um caldo de movimentação política. Nessa cidade, existiu um povo que dizia não à ordem do governo, que veio para cobrar imposto. Eles não entendiam muito, porque, como foi uma república feita por um golpe, sem participação popular, o povo foi para a rua, resistiu, lutou, e não baixou a cabeça para o exército. É um levante absurdo de força e de beleza”, salienta o diretor da Cia do Tijolo.
Na visão de Dinho, o grupo teatral fundado em 2008, quer é ser potente e direto com seu público. “Tem uma vontade muito grande de se comunicar, mas que não seja algo difícil de entender, fechado só para nós. É um lugar de amor”, finaliza ele.
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