Com direção de Naruna Costa, parte da Trilogia da Fuga chega ao Sesc Guarulhos

11/08/2026

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Com apresentações nos próximos dias 14, 15 e 16 de agosto, as peças “Buraquinhos” e “Parto Pavilhão“, que fazem parte da Trilogia da Fuga, trazem ao Sesc Guarulhos uma montagem que mescla realismo fantástico e denúncia contra o genocídio da população negra periférica.

A Trilogia da Fuga é uma pesquisa do ator e dramaturgo Jhonny Salaberg que busca discutir, em três obras distintas, o genocídio do corpo negro e periférico no Brasil e a fuga pela sobrevivência. A pesquisa tem como eixo central a noção de Leveza proposta pelo escritor Italo Calvino no livro Seis propostas para o próximo milênio. Neste conceito, Italo sugere a busca da Leveza como possibilidade de resistência, como reação ao peso do viver. A pesquisa, que completa 10 anos em 2026 é composta pelos espetáculos: “Mato Cheio” com direção de Ivy Souza, “Buraquinhos” ” e “Parto Pavilhão”, ambos com direção de Naruna Costa.

Buraquinhos” 

Espetáculo que utiliza o realismo fantástico como estratégia estética e política para denunciar o genocídio da juventude negra e periférica no Brasil. A narrativa acompanha a trajetória de um menino negro de doze anos que, ao sair para comprar pão a pedido da mãe, é abordado pela polícia. Assustado, corre e não para mais. Inicia uma fuga pelo mundo, passando por países da América Latina e da África. Ao longo do caminho, seu corpo é atravessado por 111 tiros de arma de fogo, até retornar ao seu bairro trazendo pães, tiros e órgãos. Buraquinhos se abrem no tempo e no corpo, fugindo do vento que espanta o picumã.  

Em um país onde um jovem negro é morto a cada 23 minutos e que as possibilidades de execução desses corpos ultrapassam a normalidade, a dramaturgia transforma o absurdo em espelho da realidade. A leveza aqui não se refere a suavidade ou alienação, mas à potência de imaginar outra forma de dizer, uma lente poética para encarar o insuportável. Ao fugir do naturalismo, o espetáculo constrói imagens intensas e simbólicas, tensionando o sublime e o trágico na cena contemporânea. 

Com 8 anos de trajetória, o espetáculo angariou 12 categorias entre indicações e premiações de teatro, dentre elas e integra de vestibulares e grades curriculares de universidades federais, estaduais e escolas de teatro. A dramaturgia tem sido objeto de estudos em projetos de mestrado, doutorado e foi referenciada em publicações e residências artísticas na França e na Noruega. 

SINOPSE:

Um menino negro, nascido e criado em Guaianases, zona leste de São Paulo, vai à padaria a pedido da mãe, no primeiro dia do ano, e leva um “enquadro” de um policial. A partir daí, começa-se uma saga pela sobrevivência, o que o leva a uma maratona pelo mundo, passando por países da América Latina e da África. Pelo caminho, ele encontra vários personagens – arquétipos sociais – que costuram os acontecimentos da história.

FICHA TÉCNICA:

Idealização e Dramaturgia: Jhonny Salaberg
Direção: Naruna Costa
Elenco: Ailton Barros, Filipe Celestino e Jhonny Salaberg
Músicos em cena: Erica Navarro e Giovani Di Ganzá
Preparação corporal: Tarina Quelho
Direção Musical: Giovani Di Ganzá
Cenografia e Figurino: Eliseu Weide
Desenho de luz: Daniele Meirelles
Operação de luz: Nayka Alexandre Eacjs
Identidade visual: Murilo Thaveira
Fotos: Alessandra Nohvais, João Silva, Juliana Vieira e Noelia Nájera
Cenotecnia: Douglas Vendramini
Assessoria de Imprensa: Monteiro Assessoria
Produção: Jack Santos – Corpo Rastreado
Duração: 90 minutos

Parto Pavilhão” 

Espetáculo solo que discute o sistema carcerário de mulheres negras e mães no Brasil, livremente inspirado na história real A fuga dos bebês no Centro de Progressão Penitenciária de Butantã, bairro da capital de São Paulo em 2009.

SINOPSE:

A peça narra o cotidiano de Rose: uma ex-técnica de enfermagem e detenta antiga de uma penitenciária provisória para mães que ajuda outras detentas a cuidar de seus filhos e a suportar o peso dos dias dentro das celas e dos berços. Rose já foi mãe dentro do presídio e conhece o sofrimento das mulheres que entram pelos portões, sabe do cotidiano, dos caminhos de notícias, sempre com muita saudade de seus filhos. Tudo muda quando, durante um jogo da seleção brasileira e costuras em pontos de tricô, ela ajuda a libertar dezenas de mães com seus bebês no colo. 

A pesquisa caminha em direção oposta à literalidade, no sentido de dar asas à ficção, sem perder a intersecção com a realidade, num profundo mergulho na narrativa da cura e não somente da doença. É pelo olhar de Rose que a realidade se agiganta a ponto de descompassar, aos poucos, o funcionamento da penitenciária e construir a liberdade de dezenas de mulheres negras e seus bebês. O que poderia ser uma espécie de dramaturgia somente bruta, torna-se também um elogio à utopia, à vida negra. 

Recém indicado a Direção e Dramaturgia pelo Prêmio Shell, circulou capitais e interiores de 10 estados brasileiros, além de festivais e mostras de artes cênicas.  

FICHA TÉCNICA:

Idealização e dramaturgia: Jhonny Salaberg
Direção: Naruna Costa
Atuação: Aysha Nascimento
Musicista em cena: Reblack
Direção musical e composições: Giovani Di Ganzá
Preparação corporal e coreografia: Malu Avelar
Cenografia e figurino: Ouroboros Produções Artísticas – Carolina Gracindo, Thais Dias e Iolanda Costa
Desenho e operação de luz: Gabriele Souza
Sonoplastia e operação de som: Tomé de Souza
Identidade visual: Sato do Brasil
Fotos: Edu Luz e Noelia Nájera
Produção: Washington Gabriel e Corpo Rastreado

Jhonny Salaberg – Dramaturgo
Ator, dramaturgo e bailarino, nascido em Guaianases (zona leste de São Paulo). Integrante e fundador do coletivo O Bonde e da Carcaça de Poéticas Negras, pesquisa dramaturgias negras contemporâneas e experiências de quase-morte do corpo negro. É autor de obras premiadas como Buraquinhos ou O Vento é Inimigo do Picumã e Parto Pavilhão, referência na cena teatral brasileira.

Naruna Costa – Diretora
Atriz, diretora, cantora e compositora, nascida em Taboão da Serra (SP). Cofundadora do Grupo Clariô de Teatro e do Espaço Clariô, tem trajetória marcada pela valorização das narrativas periféricas e negras. Atua no teatro, cinema e audiovisual, com destaque para a série Irmandade (Netflix). Sua direção articula rigor estético, afeto e posicionamento político.

Aysha Nascimento – Atriz
Atriz e pesquisadora das artes da cena, com atuação destacada no teatro contemporâneo brasileiro. Em Parto Pavilhão, constrói uma personagem atravessada por maternidade, cárcere e resistência, sustentando o monólogo com intensidade física e emocional. Seu trabalho dialoga com temas de gênero, raça e memória, a partir de uma atuação sensível e potente.


SERVIÇO  

Buraquinhos: Dias 14 e 15/08. Sexta, às 20h. Sábado, às 20h. 

Parto Pavilhão: Dia 16/08. Domingo, às 18h.

Sesc Guarulhos – R. Guilherme Lino dos Santos, 1200 – Jardim Flor do Campo 

Local: Teatro

Ingressos: R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (meia) R$ 18,00 (credencial plena) App Credencial SESC SP, centralrelacionamento.sescsp.org.br e bilheteria das unidades 

Acesso para pessoas com deficiência  

Estacionamento – R$ 20,00 (não credenciados) R$ 12,00 (credenciados) 
Paraciclo: Gratuito (obs.: é necessário a utilização de travas de seguranças). 248 vagas  


Para informações sobre outras programações, acesse sescsp.org.br/guarulhos ou nossas redes sociais.

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