Conheça a exposição NÓS, em cartaz no Sesc Casa Verde

03/10/2026

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Quem produz conhecimento? Quais histórias foram reconhecidas e quais permaneceram à margem das narrativas oficiais? E o que acontece quando arte, ciência, saberes ancestrais e outras formas de conhecimento são colocados lado a lado?

Essas são algumas das perguntas que atravessam NÓS: Arte & Ciência por Mulheres, exposição que chega ao Sesc Casa Verde propondo um olhar para as trajetórias de mulheres que, em diferentes épocas, territórios e contextos, produziram conhecimento, mesmo quando os espaços formais de formação, autoria e reconhecimento lhes foram negados.

Desenvolvida pelo Estúdio UM.BA.RA.KÁ, a mostra tem curadoria de Isabel Seixas, Diogo Rezende e Letícia Stallone, assistência de curadoria de Gisele Bililon e pesquisa orientada pela doutora em História da Ciência Magali Romero Sá. O percurso de pesquisa também dialogou com referências como a socióloga Isabelle Anchieta, Teresa Cunha e Lélia Gonzalez.

Ao longo desse processo, uma questão se tornou central: não seria possível contar todas as histórias encontradas. A seleção buscou, então, reunir mulheres de diferentes áreas, períodos, territórios e experiências, ampliando também a própria ideia de ciência e de produção de conhecimento.

Assim, a exposição não se limita às chamadas ciências exatas ou naturais. Ciências humanas, saberes ancestrais e populares e outras formas de compreender e produzir conhecimento também fazem parte da narrativa.

Mais do que apresentar uma coleção de grandes personagens, NÓS procura revelar os mecanismos históricos que determinaram quais conhecimentos seriam reconhecidos, quem poderia produzi-los e quais saberes permaneceriam à margem.

ENTRE ARTE E CIÊNCIA

A aproximação entre arte, ciência e diferentes formas de conhecimento é um dos pontos centrais da exposição. Para a curadoria, essas separações não são naturais, mas foram construídas historicamente.

A institucionalização da ciência moderna ocorreu dentro de uma lógica ocidental que estabeleceu determinadas formas de conhecimento como legítimas, enquanto outras foram desqualificadas, silenciadas ou excluídas. Nesse processo, também foram construídas associações entre razão, objetividade e pensamento científico de um lado, e sensibilidade, cuidado, corpo e intuição de outro.

É nesse contexto que o “nós” que dá nome à exposição ganha sentido: aproximar campos que foram separados e reconhecer que o conhecimento pode ser produzido por diferentes caminhos.

As obras apresentadas também não aparecem apenas como ilustrações dos temas levantados pela pesquisa. Para a curadoria, a arte é outra forma de produzir conhecimento e acessar questões que podem ser difíceis de alcançar apenas por meio das palavras. Sensações, afetos, deslocamentos e incômodos também fazem parte dessa construção.

OLHAR PARA O PASSADO PARA PENSAR O PRESENTE

Recuperar essas trajetórias não significa apenas preencher lacunas na história. Ao conhecer mulheres que produziram ciência de maneira anônima, tiveram descobertas apropriadas ou foram impedidas de estudar e exercer determinadas atividades, o público também é convidado a perceber como determinadas desigualdades continuam presentes.

A exposição aborda esse movimento a partir da ideia de que a transformação ainda está em curso. Conquistas importantes ampliaram a presença das mulheres no mercado de trabalho, na ciência, na política e em outros espaços, mas questões relacionadas a poder, reconhecimento, violência e desigualdade permanecem.

A perspectiva também considera que essas experiências não são iguais para todas as mulheres. Raça, classe e território atravessam as possibilidades de acesso, reconhecimento e produção de conhecimento de diferentes maneiras.

Por isso, a diversidade ocupa um lugar importante na exposição. Cientistas, artistas, intelectuais e mulheres ligadas a saberes ancestrais e populares aparecem lado a lado, reunindo diferentes gerações, territórios, contextos sociais e experiências.

AMPLIAR REFERÊNCIAS, IMAGINAR POSSIBILIDADES

Para o público, especialmente meninas e mulheres, a exposição propõe também uma experiência de reconhecimento e possibilidade.

As referências que recebemos ao longo da vida ajudam a construir aquilo que imaginamos ser possível para nós. Encontrar mulheres cientistas, artistas, pensadoras, inventoras, curandeiras e pesquisadoras pode ampliar esses horizontes e questionar limites que muitas vezes aprendemos antes mesmo de perceber que eles existem.

Por isso, NÓS não pretende apresentar essas mulheres apenas como figuras excepcionais ou heroínas distantes, mas como parte de uma história coletiva de inteligência, curiosidade, resistência e criação.

Ao final, a exposição amplia a pergunta inicial. Se as estruturas que definiram quem poderia produzir e ter seu conhecimento reconhecido foram historicamente construídas, elas também podem ser transformadas.

Conhecer outras histórias é, nesse sentido, uma maneira de olhar para o presente e imaginar outros futuros. Um convite para ampliar referências, reconhecer diferentes formas de saber e pensar quem ocupa os espaços de criação, decisão e poder.

Talvez seja esse o movimento proposto por NÓS: transformar ausência em presença, reconhecimento em possibilidade e conhecimento em um espaço cada vez mais plural.

Nós – Arte e Ciência por Mulheres

Visitação
Período: 12 de setembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Horários: terça a sexta-feira, das 10h30 às 18h30; sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 17h30
Endereço: Avenida Casa Verde, 327 – Casa Verde, São Paulo – SP
Entrada: gratuita

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