Conheça as atividades do projeto “Mulher: Desatando nós, tecendo novas tramas”

08/07/2026

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Visando promover a segurança biopsicossociais feminina, o Sesc São José dos Campos realiza, desde setembro de 2025 o projeto Mulher: Desatando Nós, Tecendo Novas Tramas, como um convite para mulheres se olharem em suas diferentes dimensões, a fim de ressignificar suas características e criar uma vida em sociedade também sobre métricas e parâmetros da mulher.  

Em agosto, o projeto discorre sobre as fases do ciclo reprodutivo, abrindo espaço para trocas sobre menarca, a menacme e a menopausa.  

Com o propósito de desconstrução da ideia de que o ciclo reprodutivo das mulheres é um tema para ser falado em voz baixa apenas com pessoas próximas, o projeto visa auxiliar na educação menstrual disseminando conhecimento, através do cuidado e amor-próprio, abrindo espaço para trocas.  

As atividades constroem um espaço seguro de diálogo, compartilhamento de ideias, experiências e empoderamento das mulheres sobre seus corpos e informações para autonomia nas decisões obstétricas, tanto pela medicina tradicional como por práticas integrativas, para que as mulheres se apropriem de conhecimento e fortaleçam o entendimento sobre seu corpo e suas vidas.  

A Menarca   

A Educação Menstrual é o conjunto de ações intencionais que visa transformar o entendimento e as narrativas em torno da menstruação, algo necessário para a superação do constrangimento a respeito deste assunto, ajudando a construir a autoestima e atitudes de autocuidado em meninas, mulheres e demais pessoas que menstruam. Apesar de ser algo de natureza humana, a menstruação é tratada há séculos como tabu, como vergonhoso, como algo que não deve ser citado ou assumir que se menstrua. 

Quando a sociedade e o poder público abrem os olhos para dimensão da vida das mulheres, um grande passo é dado para a construção de uma sociedade mais saudável e mais equânime.  

A sociedade patriarcal colocou uma carga pesada sobre algo natural, que ocorre no corpo de metade da população humana, com discursos que são preconceituosos, desinformados, que geram medo, angústia, culpa, asco e vergonha, tornando a experiência de menstruar uma fonte de sofrimento, afetando gravemente a autoestima e o desenvolvimento de meninas, mulheres e pessoas que menstruam.  

Desenvolver um novo olhar para os corpos que menstruam, com informação segura e de qualidade, desconstruir narrativas que estigmatizam e depreciam a menstruação e construir narrativas positivas sobre esse fenômeno que atravessa a vida de meninas e mulheres, é fundamental para viver de uma forma saudável física, social e psiquicamente.  

Quando ensinada desde a puberdade e a adolescência, a Educação Menstrual possibilita acesso à informação, promovendo autoconhecimento e autocuidado, evitando situações de risco, combatendo o tabu e a falta de informação, contribuindo para diminuir o absenteísmo escolar, possibilitando que meninas tenham uma vivência menstrual digna e livre de prejuízos biopsicossociais, melhorando condições para o exercício dos direitos humanos das mulheres.  

Na vida adulta, a Educação Menstrual permite a revisão das narrativas menstruais negativas a que as mulheres foram condicionadas, possibilitando a quebra do menosprezo e desinformação sobre os corpos femininos, influenciando de maneira positiva. 

A menarca será abordada na atividade da Isa Graciano, educadora menstrual, artista visual e criadora do Projeto TuaVulva.  

Menacme e Menopausa  

O corpo biológico é continuamente atravessado por uma história de caráter político, porque se insere em sistemas de construção discursiva, produção de saberes e exercício de poder, como a ciência. Sobre o corpo incidem práticas orientadas pelo conhecimento científico, destacando a Biologia e a Medicina.  

Por sua vez, as práticas de saúde, são socialmente constituídas em contextos históricos e territoriais específicos. Ao longo de séculos, o cuidado com o corpo das mulheres foi estruturado a partir de sistemas normativos de poder, autoridade política, privilégio social e controle da propriedade e domínio familiar, predominantemente por homens. Lógica que reverbera na atualidade.  

Diante disso, os avanços em debates das Ciências Sociais sobre gênero no campo da Saúde são fundamentais, pois sustentam a produção de estudos e pesquisas que adotam essa categoria analítica, especialmente nas áreas biomédicas, que são estratégicas para manutenção de poder e intervenção sobre os corpos.   

Atualmente é questionado a forma como a representação das mulheres nas ciências biomédicas foi historicamente centrada em sua função reprodutiva. Para além da reprodução e da maternidade, opera o que Carmen Simone Diniz denomina de “defectividade essencial feminina”, ou seja, a anatomia e a fisiologia das mulheres foram frequentemente interpretadas como um “erro”, inferiorizadas ou concebidas como um “defeito” a ser corrigido em relação a um suposto “corpo universal”, historicamente construído a partir do modelo masculino, branco e heterossexual.  

O século XIX foi marcado pelo racismo e sexismo científicos, período em que diversas publicações médicas e biológicas foram elaboradas e mobilizadas para justificar a inferiorização de corpos negros e de mulheres. Esses paradigmas não apenas moldaram o pensamento científico da época, como também deixaram marcas persistentes nas práticas e nos saberes em saúde. Os efeitos ainda estão presentes em produções relativamente recentes sobre a inervação do clitóris e a limitada difusão de estudos sobre a fisiologia da ejaculação feminina.  

A partir da década de 1960, o movimento feminista foi responsável por problematizar a experiência cotidiana das mulheres, iniciando um processo coletivo de elaboração da pauta da saúde. O movimento denunciou a expropriação dos corpos femininos e dos saberes a eles relacionados, concomitantemente à produção de conhecimentos científicos e práticos construídos por mulheres, a partir de suas próprias experiências e comprometidos com práticas que não reproduzissem violências. Neste contexto, coletivos feministas organizaram a publicação da obra “Our Bodies, Ourselves”, produzida pelo Boston Women’s Health Book Collective, obra que teve como objetivo central capacitar mulheres para o conhecimento de soluções para questões de saúde em grupos organizados. Posteriormente, a obra foi traduzida para o espanhol, entitulada “Nuestros cuerpos, nuestras vidas”, e para o português como “Nossos corpos por nós mesmas”. Foi uma iniciativa pioneira na produção e difusão de conteúdo em saúde das mulheres em larga escala, elaborada por mulheres e para mulheres, articulando saberes clínicos e experiências vividas.  

Inspirada na história do movimento feminista em saúde, a Dra. Thaís Machado convida outras profissionais da área da saúde para realizarem uma série de encontros inéditos no Sesc São José dos Campos. Conhecimentos sobre a anatomia e a fisiologia dos corpos das mulheres serão apresentados como dispositivos para que todas elas retomem o poder sobre suas próprias vidas.  

Mini bio 

Isa Graciano é educadora menstrual e artista visual, criadora do Projeto TuaVulva. Formada pela Escuela de Educación Menstrual Emancipadas, na Colômbia, desde 2019 desenvolve oficinas de educação menstrual para meninas, mulheres e demais pessoas que menstruam, nas quais desmascara tabus que envolvem a menstruação e cria oportunidades para construírem uma relação mais positiva e confiante com seus corpos e ciclos menstruais. Em 2021, foi convidada pelo Conselho Municipal de Saúde de Campinas para apresentar diretrizes de políticas púbicas de promoção da Dignidade Menstrual. 

Dra. Thaís Machado é médica formada pela Unicamp, com doutorado em Saúde Coletiva. Há nove anos seu trabalho é focado em direitos sexuais e reprodutivos, justiça reprodutiva e movimento feminista em saúde. Atualmente trabalha como médica contratada na Unicamp e constrói o espaço DaKini Saúde. Com formação em Ginecologia Natural, trabalha todos os dias para mulheres se sentirem bem dentro dos próprios corpos. 

ATIVIDADES  

Como conversar sobre menstruação com sua menina 
Com Isa Graciano 
Uma conversa acolhedora, sobre práticas de respeito, cuidado e empatia nas famílias de meninas e jovens que menstruam. Enfatizando a importância das transformações da puberdade na formação biopsicossocial das meninas e como a chegada da menstruação pode impactar suas vidas. A intenção é promover a reflexão sobre os tabus e estigmas menstruais que ainda hoje são perpetuados em ações cotidianas, além de dar subsídios para que adultos possam conversar sobre menstruação de forma positiva, consciente e responsável com as meninas com quem convivem. 
Voltada para mães, pais, tutoras e tutores de meninas, educadoras e educadores que lidam com meninas e jovens que menstruam 
Dia 15. Sábado. Das 14h às 16h. 
Auditório.
Grátis. 18 anos. 
Sem retirada de ingressos.

Espelho, espelho meu 
Com Thais Machado Dias e Gianne Carneiro 
Giane Carneiro – mulher negra, neta de benzedeira. Bióloga formada em Ciências Biológicas pela UNESP, mestre e doutora em Biologia Celular e Estrutural pela Unicamp, com amplo conhecimento de plantas medicinais e formadora de aromaterapia na Aromaluz. 
A partir das contribuições do pensamento feminista, o encontro aborda as relações sociais de gênero e como estas operam para legitimar desigualdades e perpetuar um sistema de exploração, que se vale do trabalho de pessoas que encarnam corpos dissidentes. O objetivo é trazer uma reflexão sobre como a categoria gênero se torna um artefato político e ideológico que ajuda a sustentar o capitalismo, o patriarcado e a cisheteronormatividade. 
Dia 22. Sábado. Das 10h30 às 13h30. 
Espaço Corpo e Arte.
Grátis. 18 anos. 
Senhas no local 30 minutos antes.

Nossos corpos, nossas regras 
Com Thais Machado Dias e Amanda Lemes 
Amanda Lemes é advogada, ex-policial civil fundadora da empresa ‘Empodere-se’, que atua há mais de dez anos com autodefesa feminina, em uma perspectiva feminista. 
Um lugar seguro para compartilhar os conceitos e tipificações das violências contra as mulheres, especialmente sobre as violências ginecológica e obstétrica, a partir de materiais didáticos e de forma interativa. Partindo do reconhecimento das violências, é abordado o trabalho com perspectivas nacional e internacional de autodefesa feminista. Com mediação e acolhimento de relatos sobre experiências de violências sofridas, possibilitando assim a elaboração coletiva do vivido e busca de cura de traumas em comunidade. Com o objetivo de recuperar os conceitos de anatomia e fisiologia — pois o conhecimento sobre o próprio corpo é uma das principais estratégias de autodefesa em saúde — para construir em grupo estratégias de enfrentamento das violências, a partir da ótica da autodefesa feminista e da experiência das participantes. 
Dia 22. Sábado. Das 15h às 18h30. 
Espaço Corpo e Arte.
Grátis. 18 anos.
Senhas no local 30 minutos antes.  

Saber, Poder e Prazer 
Com Thais Machado Dias e Hellen Audrey 
Hellen Audrey é bacharel e licenciada em Artes Corporais pela Unicamp, com especialização em educação somática, sistema fascial, massoterapia e técnicas de consciência e organização corporal. Atua como profissional da dança e educadora, no campo das artes dramáticas, da arte têxtil, da educação somática e da massoterapia. 
Por meio da experiência do sensório, da nutrição dos sentidos e de exercícios corporais de Educação Somática, traz a presença e a reapropriação do corpo da e pela mulher, como território descolonizado dos discursos médicos e da violência empregados sobre esse corpo. Exposição de discursos contra hegemônicos sobre a anatomia e a fisiologia do prazer e da sexualidade feminina. Mediação entre as participantes para trocas de experiências, esclarecimento de dúvidas e por fim construir coletivamente discursos e práticas autônomas de prazer e empoderamento pelas mulheres sobre seus corpos e suas vidas. 
Dia 23. Domingo. Das 15h às 18h30. 
Espaço Corpo e Arte.
Grátis. 18 anos. 
Senhas no local 30 minutos antes.

Painel “O que nasce quando a vida menstrual termina” 
Com Ana Cristina Napolitano, Paola Penina e Thais Machado 
Dra Ana Cristina Napolitano é médica ginecologista com ampliação pela Antroposofia e especialista em Histeroscopia.  
Paola Penina é profissional de Relações Públicas, há nove anos diagnosticada com câncer de ovário metastático, há oito anos passa por uma menopausa forçada, com o processo cirúrgico de histerectomia radical — com a retirada dos órgãos do aparelho reprodutor feminino, dentre outros — e em tratamentos para bloqueio de hormônios e imunoterapia.  
O fim da vida menstrual inaugura novos começos. Com base nos conhecimentos da ginecologia ampliada pela Antroposofia e do movimento feminista em saúde, serão abordados temas como autoconhecimento, a liberdade do corpo, sabedoria acumulada e potência. 
Dia 29. Sábado. Das 10h30 às 13h
Espaço Corpo e Arte.
Grátis. 18 anos. 
Sem retirada de ingressos.

Laboratório corporal ‘Tudo que permanece, muda’ 
Com Thais Machado Dias e Hellen Audrey 
Hellen Audrey é bacharel e licenciada em Artes Corporais pela Unicamp, com especialização em educação somática, sistema fascial, massoterapia e técnicas de consciência e organização corporal. Atua como profissional da dança e educadora, no campo das artes dramáticas, da arte têxtil, da educação somática e da massoterapia. 
Um laboratório artístico com linhas, bordados e movimento, inspirado no espetáculo teatral “Jandiras”, busca a narrativa das histórias de vida a partir do corpo e das suas transformações. Exposição de discursos contra hegemônicos sobre a fisiologia da perimenopausa e menopausa, que fogem das polaridades atuais de negligência ou do oportunismo mercadológico. 
Dia 29. Sábado. Das 15h às 18h30. 
Espaço Corpo e Arte.
Grátis. 18 anos. 
Senhas no local 30 minutos antes.

Alquimias para a Menopausa 
Com Thais Machado Dias e Dandara Mota 
Dandara Mota é mulher negra, fisioterapeuta e facilitadora de práticas corporais, atua com ciência do movimento, estudo da fáscia e epistemologia de curas populares e povos Bantu. Desenvolve práticas, que auxiliam na redução de dores, na percepção e reconexão corporal. Há mais de 10 anos se dedica aos estudos e práticas em saúde das mulheres. 
Inspiradas no livro “A Alquimia da Menopausa”, de Cathy Skipper, a atividade conta com exercícios estéticos e simbólicos propostos pela autora, que tratam das diversas dimensões vividas na menopausa. Integrados às práticas corporais conduzidas por uma fisioterapeuta, com mediação do compartilhamento de experiências sobre diferentes formas de cuidado da perimenopausa, menopausa e pós menopausa. Abordagem sobre os tratamentos médicos convencionais, sempre com embasamento nas melhores e mais sólidas evidências científicas sobre o tema, assim como outros conhecimentos sobre cuidado, práticas integrativas e complementares em saúde, visando à autonomia sobre os corpos das mulheres. 
Dia 30. Domingo. Das 15h às 18h30. 
Espaço Corpo e Arte. 18 anos.
Grátis. Senhas no local 30 minutos antes.

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