DARKRUIM, de João Paulo Lima, transforma o corpo em manifesto de resistência

27/05/2026

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Em DARKRUIM, o artista João Paulo Lima transforma a cena em território de confronto, pertencimento e reinvenção. Concebido e interpretado pelo próprio artista, o solo de dança mergulha nas experiências de um corpo dissidente em busca de espaços de existência e aceitação em uma sociedade marcada pela normatividade, pelo capacitismo e pela exclusão. Estreia em São Paulo, apresentações acontecem de 10 a 20 de junho, no Sesc Avenida Paulista.

A obra parte das vivências pessoais do artista para construir uma experiência sensível e provocadora sobre a descoberta do corpo, da sexualidade e do desejo. Ao tensionar os limites impostos aos corpos que escapam dos padrões hegemônicos, o espetáculo amplia a discussão para além da experiência individual e dialoga diretamente com as lutas por direitos, reconhecimento e visibilidade das comunidades LGBTQIA+ e DEF.

“Mais do que um espetáculo, o solo se configura como uma dança-manifesto. Por meio do corpo, da imagem, da palavra e da sonoridade, a gente questiona como os desejos e afetos também são atravessados pelos mecanismos de opressão social”, explica João Paulo.

A atmosfera de DARKRUIM se constrói a partir da dicotomia entre claro e escuro. “A escuridão aparece como espaço paradoxal: ao mesmo tempo em que causa um desconforto, uma sensação sufocante, ela acolhe e possibilita a expressão autêntica da sexualidade, abrigando os corpos historicamente desencorajados a existir plenamente sob a luz da normatividade”, conta o produtor Claudio Rubino. Essa narrativa é intensificada pela trilha sonora original de Kerensky Barata, que conduz o público por paisagens sonoras pulsantes e imersivas, criando um ambiente de pertencimento e fricção.

O trabalho também projeta uma reflexão radical sobre futuridade. Em DARKRUIM, o futuro é imaginado a partir de corporalidades anti-hegemônicas, que recusam padrões lineares, verticais e normativos. Corpos que rastejam, desaceleram, curvam-se e reinventam suas próprias mecânicas de existência.

Artista da dança, literatura e performance, João Paulo Lima é ativista dos direitos das pessoas com deficiência. É doutorando em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Sua trajetória atravessa criação artística, docência, acessibilidade e pesquisa, articulando corpo, escrita e subjetividade em processos de criação e dramaturgia. Entre seus trabalhos, estão os solos Devotees, Cova, Quanto Vale um Corpo DEF e DEFFUTURISMO, além de residências artísticas com companhias como Candoco e Gravity & Levity, no Reino Unido.

Ficha técnica
Concepção, interpretação, dança e texto: João Paulo Lima | Colaboração coreográfica: Jean Abreu | Trilha musical: Kerensky Barata | Figurino, cenografia e produção: Claudio Rubino

Mais informações:

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