
Com mais de sessenta espécies só no estado de São Paulo, as abelhas nativas sem ferrão são um dos principais polinizadores e responsáveis pela conservação da biodiversidade (foto: Nilton Fukuda)
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POR MARINA PEREIRA
Cerca de 70% das fibras naturais usadas para a produção das roupas que vestimos até o alimento que consumimos são resultado da polinização (transferência de grãos de pólen da parte masculina para a parte feminina da planta), realizada principalmente pelas abelhas. “Esses insetos têm uma importância muito grande no equilíbrio ambiental e preservam até 90% das matas, dependendo do bioma, além de ajudarem na manutenção da produção agrícola”, afirma Gustavo Alexandre, coordenador do Programa Abelhas Nativas da Fundação Florestal e gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) do Carmo, em São Paulo.
No entanto, as abelhas e outros polinizadores, como borboletas, morcegos e beija-flores, estão cada vez mais ameaçados pelas atividades humanas. O grande desafio para preservar as abelhas, segundo o especialista, é evitar a fragmentação das matas originais e ter um regramento no uso de agrotóxicos. “Quanto menos abelhas no ambiente, mais escassa será a produção de alimentos”, alerta.
Criado em novembro de 2020, o Programa Abelhas Nativas da Fundação Florestal surgiu com o intuito de conscientizar a população sobre a importância ecológica das abelhas. Para ajudar na identificação das espécies que habitam o estado de São Paulo, o programa desenvolveu uma coleção de fichas de identificação com suas principais características. Esse material, disponibilizado gratuitamente na internet, tem sido utilizado como fonte de pesquisa: “Sempre há alguém novo querendo conhecer o projeto, principalmente as crianças. Elas já saem com a mente aberta, e acabam orientando os próprios adultos”, conclui. Neste Almanaque, apresentamos cinco (das mais de sessenta) espécies de abelhas que você pode encontrar pelas ruas do estado.
Jataí
Espécie amplamente conhecida e encontrada em meliponários — locais dedicados à criação, manejo e preservação de abelhas nativas sem ferrão, como os da APA do Carmo —, a jataí (Tetragonisca angustula) é uma polinizadora de plantas nativas e cultivadas, como morango, alecrim-do-campo e angelim. Com cerca de 5 milímetros, possui o corpo amarelo alongado e olhos verdes, o comportamento manso, não oferecendo risco à população. Seu ninho é facilmente encontrado em árvores ocas, muros, caixas de luz e fornos de churrasqueira, caracterizado por uma entrada em forma de tubo de cera ou cerume. Na entrada, ficam as abelhas-guardas, responsáveis pela vigilância, que protegem o ninho contra abelhas ladras e outros predadores. A espécie é produtora de um mel mais líquido, com propriedades medicinais.

Abelha das Orquídeas
De tons metálicos nas cores verde, azul e violeta, uma língua longa, maior que o corpo, olhos verdes ou escuros, com quatro asas e antenas longas, as abelhas Euglossa sp., popularmente conhecidas como abelha das orquídeas, são uma importante polinizadora de plantas silvestres e agrícolas. Vivem em ambientes naturais, especialmente em áreas com vegetação nativa com presença de orquídeas, nas quais coletam as suas fragrâncias usadas no processo reprodutivo. A espécie tem comportamento manso e não oferece risco à população. As suas colmeias podem ser encontradas em furos de galhos, ramos de árvores ou arbustos, entre raízes de orquídeas, cavidades, no solo ou em espaços entre estruturas de madeiras, sem uma entrada definida, apenas com um furo para acesso, fechado durante a noite para a proteção. A espécie não produz mel, mas faz uma mistura de pólen com concentrado de néctar para as crias. Têm, em média, de 13 a 20 milímetros. Muitas vezes, são mortas por serem confundidas com moscas varejeiras.

Mirim-droriana
Espécie nativa sem ferrão, a Plebeia droryana, conhecida como mirim-droriana, apresenta um comportamento dócil e é encontrada em ambientes naturais e urbanos. Possui papel relevante na preservação da flora local, polinizando flores de pequeno porte, como mulungu-do-litoral e ingá-rosa. Com 3 milímetros, em média, é reconhecida por apresentar uma mancha amarela em forma de gota na frente da cabeça e o corpo escuro. Seu ninho pode ser observado em partes ocas de árvores, de muros e rochas, normalmente com uma entrada em formato de lábio, constituída de cera e própolis. Como estratégia de proteção, cria outras entradas na colmeia, que servem como uma guarita de vigia, onde algumas abelhas fazem patrulha contra o ataque de predadores. Produz mel em pequena quantidade, reconhecido por ser muito saboroso.

Uruçu-amarela
Espécie de maior porte entre as abelhas sem ferrão, a bugia ou uruçu-amarela (Melipona mondury) é muito conhecida pela produção de mel e importância ecológica. Com tamanho médio entre 11 e 13 milímetros, seu corpo é de cor amarelo-ouro, coberto de pelos amarelados. De comportamento dócil, vive em ambientes naturais e é responsável pela polinização de plantas como grumixama, aroeira-pimenteira e urucum. Seu ninho pode ser observado no interior de partes ocas de árvores grandes, com a entrada de material composto por barro, própolis e resina, criando uma estratégia de camuflagem. Seu mel é popular, com uma acidez leve e marcante, que lembra um licor.

Mandaçaia
Entre povos indígenas, mandaçaia significa “vigia bonito”. A espécie Melipona quadrifasciata anthidioides possui esse nome popular porque, na entrada da sua colmeia, existe sempre uma abelha à vigia. Com 10 milímetros em média, cor negra, quatro listras amarelas transversais até o centro do abdômen, tem um comportamento dócil, mas pode fazer revoada, caso seu ninho seja perturbado. É encontrada em ambientes naturais e faz a polinização de plantas como pau-jacaré, capixingui, cereja-do-mato, candeia-da-serra, entre outras. Seu ninho pode ser encontrado em buracos de árvores grandes, com a entrada formada por sulcos de barro e própolis por onde só passa uma abelha por vez. O seu mel é bastante aromático, com sabor entre o doce e o azedo, e toques frutais.

Saiba mais: fflorestal.sp.gov.br/programa-abelhas-nativas
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