Dos jogos e das artes da crítica teatral

13/09/2026

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Por Rose Silveira 

A palavra no plural, práticas, bem define o eixo central do LAB Crítica: práticas de crítica teatral como parte das ações de mediação cultural do MIRADA – Festival Internacional de Artes Cênicas. Práticas, ou artes de fazer, no sentido que lhe foi atribuído pelo historiador francês Michel de Certeau (1925-1986) ao observar o modo como os artefatos da cultura, aqui incluso o trabalho intelectual, são usufruídos ou performados pelas comuns na vida cotidiana. 

Nessa perspectiva, pode-se dizer que a crítica teatral resulta de operações poéticas de seus autores e autoras, em diálogo e ruptura com as linguagens já assentadas neste gênero. Seguindo Certeau, essas singularidades desvelam invenções e reinvenções que fazem do trabalho crítico uma arte em renovação – como acena esta atividade formativa proposta pela curadoria. 

O LAB Crítica se organizou em torno de quatro críticos e críticas convidados e quatro estudantes universitários selecionados entre cursos de artes cênicas, cinema e de comunicação social, como um exercício de fruição, recepção, reflexão e escrita. Foram eles e elas: Bruno Fracchia (SP), Gabriela Mellão (SP), Guilherme Diniz (MG) e Pollyanna Diniz (PE), profissionais com trajetórias distintas na crítica nacional, que trabalharam, respectivamente, com Miguel Sicurela, Giovana Oliveira, Emily Lima e Davi Alves. 

Eles e elas, em duplas, como em um processo de mentoria, receberam roteiros diferentes de espetáculos, performances e ações formativas, com algumas agendas em comum, percorrendo a cidade de Santos no trajeto dos variados espaços ocupados pela programação do Mirada. Para isso, contaram com uma logística organizada pela produção do festival, que lhes permitiu driblar tempos e espaços, também lhes proporcionando encontros ao longo do dia, para pausas e trocas de ideias. 

É importante comentar que, a partir dos roteiros pré-estabelecidos, as duplas propuseram acréscimos e subtrações a partir de acordos mútuos, fazendo com que o laboratório se assemelhasse a um jogo, com regras para serem cumpridas, mas, sobretudo, para serem quebradas. 

Nesse aspecto, Certeau também se faz presente quando descreve as táticas dos sujeitos como formas sagazes de interpretar e transformar as estratégias institucionais, reordenando-as de acordo com seus desejos e necessidades. Essa intervenção propositiva amplia o sentido do viver coletivo, reinvestindo-o de força transgressora e resiliente. 

O conjunto de textos que será lido a seguir opera essa dinâmica criativa e colaborativa, que observa o Mirada por diversas perspectivas. Esses escritos mostram a experiência de quem viveu, profundamente, o festival no correr dos dias, percorrendo os meandros e os intervalos que enunciam a recepção criadora do espectador. 

Rose Silveira  é assessora sociocultural da Gerência de Estudos e Desenvolvimentos do Sesc São Paulo (Gedes) e curadora das ações formativas do MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas.

Parte da programação de ações formativas do MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, o LAB Crítica: práticas de crítica teatral foi realizado entre os dias 3 e 12 de setembro. O laboratório teve como proposta aproximar profissionais da crítica teatral e estudantes de jornalismo, letras, artes cênicas e áreas afins em uma experiência de acompanhamento, reflexão e escrita sobre a programação do festival. Saiba mais em sescsp.org.br/mirada

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