ECOMUSICA sons da natureza transforma a escuta em percurso no Sesc Vila Mariana

16/10/2026

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Marcos Chaves, Saint-Michel (série Justapostos). Foto: Flávio Freire

Criada a partir do conceito do pianista e compositor Fabio Caramuru, com curadoria de Fernando Limberger, a exposição ocupa o térreo do Sesc Vila Mariana a partir de 22 de outubro e distribui mais de 90 obras por quatro ambientes que remetem aos elementos terra, água, ar e fogo

Antes das obras nas paredes, o que chega ao visitante é o som – espalhados na entrada da unidade, “ECOMUSICA sons da natureza” traz pontos de audição em plantas pelo ambiente. A visitação para a exposição começa em 22 de outubro no Sesc Vila Mariana e nasce do conceito de ecomúsica, criado pelo pianista e compositor Fabio Caramuru para unir composições musicais criadas por ele e sons captados na natureza, em uma experiência sensorial imersiva que desperta reflexões sobre o meio ambiente.

Com curadoria de Fernando Limberger, o encontro entre som e artes visuais organiza um percurso de quatro ambientes que leva o público a atravessar os elementos que sustentam a vida. O conceito ecomúsica guarda duas ideias: o prefixo eco carrega o sentido de casa, o lugar onde se mora; eco é também aquilo que volta de um som lançado ao mundo. A curadoria trabalha com esses dois aspectos de forma simultânea e propõe ao visitante uma pergunta instigante: “O que ainda se ouve da casa que habitamos?”.

A expografia, assinada por Anna Helena Vilella e Fernando Limberger, incorpora a matéria orgânica aos ambientes da exposição e dá uma identidade própria a cada sala. Logo na entrada o público é recebido por uma obra comissionada do artista Guto Lacaz. O núcleo terra compõe esse momento de recepção, tomado por plantas, onde se encontram o texto de Rafael Vogt Maia Rosa, a paisagem de Caio Reisewitz presente no registro Jaraguá B e a obra “Amoahiki”, Árvores do canto xamânico, de Gisela Motta e Leandro Lima.

Dentro desse primeiro grande espaço, abrem-se três salas. A primeira delas é a do elemento água. Feita com piso de seixo de rio e obras de grandes dimensões dedicadas à paisagem, a sala reúne as fotografias justapostas de Marcos Chaves, a série “Prelo”, de Luiz Zerbini, a obra “Canastra”, de Ludmila Ferolla, a pintura “Sem fim”, de Mo Toledo e “Viagem Pitoresca pelo Brasil #93”, do fotógrafo Cássio Vasconcellos. A artista macuxi Carmézia Emiliano pinta o buritizeiro e a maloca do seu local de nascimento, em Roraima. Há ainda a obra inédita de Luciana Napchan, “Cartas a Debret”.

A segunda sala tem o ar como elemento central e reúne obras em que pássaros e insetos aparecem em diferentes linguagens e formas de representação. Disposta em imagens contínuas ao longo das paredes, encontra-se a série “Pássaros de São Paulo”, realizada pela artista gráfica Noris Lima. Nesse mesmo núcleo da exposição, Rochelle Costi apresenta fotografias de insetos que atravessam a obra “Casa & Jardim”. Ulysses Bôscolo apresenta a obra “Pássaros da Mata Atlântica” e Dudi Maia Rosa apresenta desenhos de insetos, enquanto Juan Fontanive faz borboletas baterem asas na instalação formada por máquinas de folhear. Ismail Maxakali contribui com dois trabalhos cujos títulos resumem o espírito da exposição: Pau de religião tem canto e Morcego tem canto.

Na sequência, o público encontrará o núcleo fogo, composto por três televisores que exibem vídeos do acervo do músico Fabio Caramuru, editados por Otavio Dias. Essa instalação ocupa todo o espaço, remetendo ao conceito de ecomúsica proposto na mostra.

O programa educativo do Sesc Vila Mariana propõe reflexões para quem mora na cidade e que ultrapassam os limites do espaço expositivo: quais pássaros São Paulo ainda ouve e quais deixou de ouvir sem que ninguém percebesse?

A ecomúsica também estará presente na programação da Unidade durante todo o período da exposição. Fabio Caramuru se apresenta ao piano na abertura da exposição em 21 de outubro e outras ações acontecerão ao longo dos seis meses de visitação. A temporada segue até 25 de abril de 2027 e devolve ao público, em forma de percurso, a ideia que sustenta o projeto desde o começo: quem ecoa a vida deve assumir responsabilidade pelo futuro.

Ficha técnica

Curadoria: Fernando Limberger
Expografia: Anna Helena Vilella e Fernando Limberger

Fabio Caramuru é pianista, compositor, produtor musical e idealizador do projeto EcoMúsica, desenvolvido desde 2013. Sua produção artística articula composições autorais e sons captados na natureza, propondo experiências de escuta que aproximam arte, música e consciência ambiental. Com trajetória reconhecida nacional e internacionalmente, realizou concertos, gravações e projetos curatoriais em diversas instituições culturais no Brasil e no exterior. É o criador do conceito de ecomúsica que dá origem à exposição ECOMUSICA sons da natureza.

Fernando Limberger (RS, 1962) vive e trabalha em São Paulo desde 1989. Graduado em Artes Plásticas pela UFRGS. Foi artista fundador do grupo Arte Construtora (anos 1990) e do JAMAC – Jardim Miriam Arte Clube (anos 2000). Recebeu prêmios como a Bolsa Ivan Serpa/FUNARTE (1987) e o CCBB Contemporâneo (2015). Expôs individualmente no MARGS, CCBB-RJ, Pinacoteca de São Paulo e Museu da Cidade de São Paulo, entre outros, e participou de coletivas como a Bienal do Mercosul, MAM-SP e MuBE. Publicou o livro Relicto (2022) e assinou, em 2024, a curadoria de Amelia Toledo: Paisagem Cromática, no MuBE, em parceria com Daniela Gomes Pinto.

Artistas

Alice Shintani, Caio Reisewitz, Carmézia Emiliano, Cássio Vasconcellos, Daniel Cazadio, Dudi Maia Rosa, Gisela Motta e Leandro Lima, Guto Lacaz, Isael Maxakali, Juan Fontanive, Luciana Napchan, Ludmila Ferolla, Luiz Zerbini, Marcelo Cipis, Marcos Chaves, Mo Toledo, Noris Lima, Rochelle Costi, Rodrigo Bivar e Ulysses Bôscolo.

ECOMUSICA sons da natureza

Visitação
22.10.2026—25.4.2027
terças a sábados 10h—20h
domingos e feriados 10h—18h
Classificação indicativa: livre

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