Leituras críticas para um mundo hiperconectado

27/04/2026

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Em um mundo atravessado por telas, notificações e fluxos incessantes de conteúdo, estar informado já não significa, necessariamente, compreender melhor a realidade. Ao contrário: nunca circulou tanta informação — e nunca foi tão difícil transformá‑la em conhecimento. É dessa tensão que nasce Educação midiática na prática, novo lançamento das Edições Sesc São Paulo, de Januária Cristina Alves, jornalista e educomunicadora com quase quatro décadas de atuação na área.

Longe de ceder à nostalgia do mundo analógico ou à demonização das tecnologias digitais, Januária parte de um pressuposto claro e contemporâneo: a vida hoje é inseparável do ambiente digital. A questão central, portanto, não é se devemos usá‑lo ou não, mas como habitá‑lo de forma crítica, ética e humana. Nesse sentido, a educação midiática aparece no livro não como um conjunto de técnicas ou uma disciplina acessória, mas como um processo formativo contínuo, profundamente ligado à democracia, à liberdade de expressão e à saúde coletiva.

Organizado a partir de artigos publicados principalmente no Nexo Jornal, o livro articula temas que costumam ser discutidos de maneira fragmentada: desinformação, fake news, pós‑verdade, discurso de ódio, teorias da conspiração, inteligência artificial, censura, liberdade de expressão, saúde mental e infância. O fio condutor é a defesa de uma postura fundamental nos tempos atuais: a capacidade de sustentar a dúvida e resistir às respostas fáceis.

A escrita de Januária se apoia em uma longa experiência com escolas, educadores, famílias, crianças e adolescentes, o que confere ao texto uma forte ancoragem no cotidiano. Em vez de abstrações distantes, o leitor encontra situações reais, dilemas concretos e perguntas que atravessam quem educa, quem cria filhos e quem atua na formação de leitores — não apenas de textos, mas do próprio mundo.

Educação midiática na prática aposta na construção coletiva de caminhos possíveis para viver no ecossistema informacional sem ser engolido por ele. A autora escreve para além dos especialistas: fala com educadores, comunicadores, mediadores culturais, mães, pais e com todos que ainda acreditam que a desinformação tem antídoto. Para Januária, esse antídoto não vem de soluções autoritárias ou receitas prontas, mas do exercício cotidiano, paciente e compartilhado de aprender a duvidar.

A quarta capa do livro traz texto de David Buckingham, professor da University College London e da Loughborough University e autor de Manifesto pela educação midiática (Edições Sesc São Paulo), que destaca a capacidade da autora de tornar o tema acessível sem perder complexidade — uma qualidade essencial em tempos de polarização e simplificação excessiva do debate público.

Educação midiática na prática já está disponível e chega como leitura fundamental para quem busca compreender — e transformar — a forma como nos relacionamos com a informação no cotidiano.

Veja também: 

:: trecho do livro 

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