Festival Sesc Culturas Negras traz arte e saberes ancestrais no Sesc Itaquera

28/10/2026

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O que uma pista de dança, uma trilha pela Mata Atlântica, uma feira agroecológica e uma apresentação teatral têm em comum? Em diferentes linguagens e espaços, todas podem ser lugares de encontro, transmissão de conhecimentos e preservação de memórias.

A programação reúne mestras e mestres tradicionais, artistas, pesquisadoras, pensadoras e pensadores em ações socioeducativas que contribuem para o enfrentamento aos preconceitos e às desigualdades. Também reconhece o trabalho de pessoas e coletividades que mantêm vivas essas tradições, compartilhando suas histórias e conhecimentos com a sociedade.

No Sesc Itaquera, quatro atividades convidam o público a percorrer diferentes dimensões dessa herança, da memória dos bailes black paulistanos às relações entre ancestralidade, natureza e território.

A memória também dança: os bailes black em São Paulo

O Grande Baile - Divulgação
Divulgação

Muito antes das playlists digitais, os discos de vinil, os toca-discos e os sistemas de som já movimentavam encontros que marcariam a história cultural de São Paulo. Os bailes black se consolidaram como espaços de música e dança, mas também de sociabilidade, pertencimento, identidade e afirmação da população negra.

No dia 15 de novembro, o encontro O Grande Baile reúne quatro nomes de diferentes gerações da discotecagem: Seu Osvaldo, Grand Master Ney, Vivian Marques e KL Jay.

Com condução de Max, integrante do grupo DMN, a atividade revisita histórias e transformações da Black Music e da cultura DJ na cidade. Das experiências pioneiras da discotecagem à consolidação dos grandes bailes, o encontro aborda a transmissão de conhecimentos entre gerações, a presença feminina nas pistas e o desenvolvimento do hip-hop como expressão cultural.

Entre músicas e relatos, a proposta é reconhecer como essas experiências atravessaram décadas e continuam presentes na cultura urbana contemporânea.

Saberes que brotam da terra

FEIRA - Festival de Ideias e Realidades em Agroecologia - Floresta que Cresce - Foto: Sandro Casarini
Foto: Sandro Casarini

A ancestralidade também se manifesta nas relações com a natureza, no cultivo dos alimentos e nos conhecimentos transmitidos entre gerações.

Nos dias 14 e 15 de novembro, a Feira de Agroecologia e Ancestralidades, organizada pelo Instituto Omó Nanã, ocupa a Área de Convivência do Sesc Itaquera com uma proposta que aproxima práticas agroecológicas e saberes de matrizes africanas e afro-brasileiras.

A atividade valoriza produtos cultivados a partir desses conhecimentos e promove reflexões sobre alimentação, sustentabilidade e modos de vida mais respeitosos com o ambiente. Além de apresentar práticas de cultivo e produção, a feira busca fortalecer redes comunitárias, incentivar a economia solidária e reconhecer a importância da transmissão de conhecimentos ancestrais.

Na mata, outros caminhos para a ancestralidade

A Mata Atlântica, bioma que abriga o Sesc Itaquera, é também um território de biodiversidade, histórias e conhecimentos.

No dia 14 de novembro, a Trilha da Samambaiaçu: Ancestralidade Viva convida o público a experimentar esse ambiente por meio dos sentidos e da troca de saberes. Conduzida por Iyá Adriana de Nanã e pelos Agentes de Educação Ambiental do Sesc Itaquera, a atividade propõe um percurso de observação da fauna e da flora locais, das mudanças de temperatura e umidade, dos sons e aromas da mata.

Ao aproximar educação ambiental e conhecimentos ancestrais, a vivência amplia as possibilidades de leitura do território e convida à reflexão sobre as relações entre natureza, cultura e sociedade.

Para participar, é necessário utilizar calça e calçados fechados. Recomenda-se levar garrafa de água e utilizar repelente, boné e protetor solar. Em caso de chuva, a atividade será cancelada.

Histórias que atravessam caminhos e gerações

Eleguá Menino e Malandro - Foto_ Rafaela Queiroz
Foto: Rafaela Queiroz

Na programação teatral, a ancestralidade encontra espaço na imaginação, nas narrativas e nas possibilidades de apresentar diferentes referências culturais ao público de todas as idades.

Em Eleguá, Menino e Malandro, o Clã do Jabuti acompanha as aventuras de um príncipe esperto, conhecido por suas artimanhas e travessuras. Ao decidir conhecer o mundo, Eleguá percorre cidades, encontra pessoas, oferece e recebe ajuda, amadurece e descobre novas experiências. Quando resolve voltar para casa, percebe que nem tudo permanece como antes.

O espetáculo nasce de uma pesquisa sobre Exu a partir da mitologia afro-cubana, na qual a divindade recebe o nome de Eleguá e é representada como uma criança.

Por meio do teatro, a montagem apresenta referências da tradição afro-diaspórica e abre caminhos para o contato com narrativas e personagens que integram esse patrimônio cultural.


Sesc Itaquera – Av. Fernando do Espírito Santo Alves de Mattos, 1000, Itaquera, São Paulo.

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