
O que uma pista de dança, uma trilha pela Mata Atlântica, uma feira agroecológica e uma apresentação teatral têm em comum? Em diferentes linguagens e espaços, todas podem ser lugares de encontro, transmissão de conhecimentos e preservação de memórias.
É a partir dessas conexões que o Sesc Itaquera integra a terceira edição do Festival Sesc Culturas Negras, realizado pelo Sesc São Paulo de 5 a 15 de novembro. Com o tema Herança do povo negro, o projeto reconhece as contribuições da população negra para a formação cultural e social do Brasil, presentes nas artes, na educação, nas tecnologias e em diferentes modos de compreender e transformar o mundo.
A programação reúne mestras e mestres tradicionais, artistas, pesquisadoras, pensadoras e pensadores em ações socioeducativas que contribuem para o enfrentamento aos preconceitos e às desigualdades. Também reconhece o trabalho de pessoas e coletividades que mantêm vivas essas tradições, compartilhando suas histórias e conhecimentos com a sociedade.
No Sesc Itaquera, quatro atividades convidam o público a percorrer diferentes dimensões dessa herança, da memória dos bailes black paulistanos às relações entre ancestralidade, natureza e território.

Muito antes das playlists digitais, os discos de vinil, os toca-discos e os sistemas de som já movimentavam encontros que marcariam a história cultural de São Paulo. Os bailes black se consolidaram como espaços de música e dança, mas também de sociabilidade, pertencimento, identidade e afirmação da população negra.
No dia 15 de novembro, o encontro O Grande Baile reúne quatro nomes de diferentes gerações da discotecagem: Seu Osvaldo, Grand Master Ney, Vivian Marques e KL Jay.
Com condução de Max, integrante do grupo DMN, a atividade revisita histórias e transformações da Black Music e da cultura DJ na cidade. Das experiências pioneiras da discotecagem à consolidação dos grandes bailes, o encontro aborda a transmissão de conhecimentos entre gerações, a presença feminina nas pistas e o desenvolvimento do hip-hop como expressão cultural.
Entre músicas e relatos, a proposta é reconhecer como essas experiências atravessaram décadas e continuam presentes na cultura urbana contemporânea.
O Grande Baile
Com KL Jay, Vivian Marques, Seu Osvaldo, Grand Master Ney e Max (DMN)
15/11, domingo, das 14h30 às 17h
Palco da Praça de Eventos
Grátis. Livre. Sem retirada de ingressos.

A ancestralidade também se manifesta nas relações com a natureza, no cultivo dos alimentos e nos conhecimentos transmitidos entre gerações.
Nos dias 14 e 15 de novembro, a Feira de Agroecologia e Ancestralidades, organizada pelo Instituto Omó Nanã, ocupa a Área de Convivência do Sesc Itaquera com uma proposta que aproxima práticas agroecológicas e saberes de matrizes africanas e afro-brasileiras.
A atividade valoriza produtos cultivados a partir desses conhecimentos e promove reflexões sobre alimentação, sustentabilidade e modos de vida mais respeitosos com o ambiente. Além de apresentar práticas de cultivo e produção, a feira busca fortalecer redes comunitárias, incentivar a economia solidária e reconhecer a importância da transmissão de conhecimentos ancestrais.
Feira de agroecologia e ancestralidades
Com Instituto Omó Nanã
14 e 15/11, sábado e domingo, das 10h às 16h
Área de Convivência
Grátis. Livre. Sem retirada de ingressos.
A Mata Atlântica, bioma que abriga o Sesc Itaquera, é também um território de biodiversidade, histórias e conhecimentos.
No dia 14 de novembro, a Trilha da Samambaiaçu: Ancestralidade Viva convida o público a experimentar esse ambiente por meio dos sentidos e da troca de saberes. Conduzida por Iyá Adriana de Nanã e pelos Agentes de Educação Ambiental do Sesc Itaquera, a atividade propõe um percurso de observação da fauna e da flora locais, das mudanças de temperatura e umidade, dos sons e aromas da mata.
Ao aproximar educação ambiental e conhecimentos ancestrais, a vivência amplia as possibilidades de leitura do território e convida à reflexão sobre as relações entre natureza, cultura e sociedade.
Trilha da Samambaiaçu: Ancestralidade Viva
Com Iyá Adriana de Nanã e Agentes de Educação Ambiental
14/11, sábado, das 10h às 12h30
Ponto de encontro: Jardim de Inverno
Grátis. Não recomendado para menores de 10 anos.
Para participar, é necessário utilizar calça e calçados fechados. Recomenda-se levar garrafa de água e utilizar repelente, boné e protetor solar. Em caso de chuva, a atividade será cancelada.

Na programação teatral, a ancestralidade encontra espaço na imaginação, nas narrativas e nas possibilidades de apresentar diferentes referências culturais ao público de todas as idades.
Em Eleguá, Menino e Malandro, o Clã do Jabuti acompanha as aventuras de um príncipe esperto, conhecido por suas artimanhas e travessuras. Ao decidir conhecer o mundo, Eleguá percorre cidades, encontra pessoas, oferece e recebe ajuda, amadurece e descobre novas experiências. Quando resolve voltar para casa, percebe que nem tudo permanece como antes.
O espetáculo nasce de uma pesquisa sobre Exu a partir da mitologia afro-cubana, na qual a divindade recebe o nome de Eleguá e é representada como uma criança.
Por meio do teatro, a montagem apresenta referências da tradição afro-diaspórica e abre caminhos para o contato com narrativas e personagens que integram esse patrimônio cultural.
Eleguá, Menino e Malandro
Com Clã do Jabuti
7/11, sábado, das 14h30 às 15h30
Praça de Eventos
Grátis. Livre. Sem retirada de ingressos.
Sesc Itaquera – Av. Fernando do Espírito Santo Alves de Mattos, 1000, Itaquera, São Paulo.
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