
A reflexão sobre as culturas tradicionais mostra-se crescentemente indissociável do reconhecimento e da valorização da pluralidade de vozes que conformam o tecido social. Articular diferentes perspectivas teóricas e abordagens empíricas possibilita iniciar o debate sobre as dinâmicas de visibilidade, participação e salvaguarda de expressões culturais historicamente marginalizadas, oferecendo subsídios para o avanço das investigações no âmbito das culturas chamadas populares.
É com esse horizonte que a presente edição reúne contribuições que examinam as culturas não-hegemônicas a partir do campo da gestão cultural, mobilizando análises acerca de práticas, políticas e experiências que problematizam e ampliam as formas de compreender os processos de produção, mediação e circulação cultural.
Desde 2016, o Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo tem oferecido o curso Gestão Cultural em Contextos Tradicionais, com o objetivo de qualificar gestores culturais para atuar junto às manifestações tradicionais e às culturas populares. O curso surgiu a partir da percepção da ausência de formação específica nessa área e da necessidade de discutir questões relacionadas ao patrimônio imaterial, às políticas culturais e às formas adequadas de interação entre instituições culturais e grupos tradicionais. A proposta é interdisciplinar, articulando áreas como antropologia, sociologia, história, artes para refletir criticamente sobre conceitos como cultura, memória, identidade e alteridade.
A evolução das diferentes edições do curso evidencia que a formação em gestão cultural precisa acompanhar as transformações do campo cultural contemporâneo. Inicialmente centrado em fundamentos teóricos, a formação passou a incorporar a participação de mestres e praticantes das tradições populares e vivências em seus territórios, valorizando o diálogo entre diferentes saberes. Essa mudança metodológica permitiu aproximar gestores das realidades sociais e simbólicas dessas manifestações, destacando desafios como a espetacularização das tradições, as tensões entre preservação e inovação, e a busca por sustentabilidade econômica. Assim, compreende-se que as culturas tradicionais são práticas sociais dinâmicas, em constante transformação, o que exige abordagens de gestão cultural mais críticas, colaborativas e sensíveis aos contextos em que essas expressões se desenvolvem.
A escolha do termo “contextos tradicionais” em vez de “culturas populares”, permite uma abordagem mais ampla e flexível das manifestações culturais, incluindo práticas populares, religiosas e institucionalizadas. Assim, a intenção é contribuir para promover uma gestão cultural mais sensível à diversidade, à autonomia dos grupos tradicionais e às transformações contemporâneas das práticas culturais.
Lançada em 2015, a Revista do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo é uma publicação online temática que reúne entrevistas, resenhas e artigos dedicados aos campos da cultura, do esporte e da saúde, com o objetivo de registrar e tornar acessíveis algumas análises e abordagens sobre variados temas presentes na programação.
Esta edição apresenta também artigos sobre o cenário circense, arte e arquitetura, e ações e práticas corporais. Na seção de gestão cultural e do esporte, traz algumas produções dos egressos dos cursos de gestão promovidos pela instituição.
A edição continua com uma resenha sobre uma publicação das Edições Sesc que aborda as mudanças climáticas; e finaliza com dois trabalhos artísticos, um poema e uma série de ilustrações que retratam aspectos da vida de um dos povos mais negligenciados no Brasil: os ciganos
Que seja uma boa leitura!
Luiz Deoclecio Massaro Galina
Diretor do Sesc São Paulo
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