Kyoto Imaginary Waltz [Valsa Imaginária de Kyoto] | Bienal Sesc de Dança

02/09/2025

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Foto: Ohno Ryusuke

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Entrevista com Team Chiipro | Design e operação de vídeo

A obra nasceu em meio à pandemia de Covid-19. Como foi esse processo? Essa dança com um “outro” imaginário levanta quais indagações sobre o estar presente?
Antes de criar Kyoto Imaginary Waltz, já vínhamos explorando e praticando um conceito que chamamos de Imaginary Waltz – dançar uma valsa com alguém imaginário. Na época, Nanako estava desenvolvendo esse projeto em Sugamo, Tokyo , onde morava. Assim que as restrições de isolamento foram afrouxadas, viajamos para Kyoto para começar a trabalhar no espetáculo. Nosso processo começou com uma pesquisa sobre como a valsa foi recebida na cidade no final do século 19. Nanako também praticou valsa em espaços públicos quase vazios e frequentou um estúdio para aprender sobre dança de salão competitiva. De certa forma, estávamos sobrepondo a Kyoto da era pandêmica à Kyoto do período Meiji. Para nós, a obra convida a questionar se é possível conectar-se com alguém – mesmo que seja um “outro” histórico – enquanto se está sozinho, e de que modo uma dança solo pode evocar ou criar espaço para um “outro” imaginário – e como esse contato pode transformar o corpo.

Vemos a dança como um meio para refletir criticamente sobre – e transformar – os hábitos e padrões comportamentais que se incorporaram inconscientemente em nossos corpos

Foto: Haruka Oka
Foto: Haruka Oka

O espetáculo costura memórias individuais e coletivas. Como se deu a criação dramatúrgica?
O texto serve tanto como um gancho para estimular a imaginação do público quanto como parte da coreografia. Ao escrevê-lo, estruturamos o tempo usando o formato de uma palestra-performance, entrelaçando eventos históricos com memórias pessoais de Nanako e lembranças de suas apresentações em espaços públicos. Um tema central é o ato urgente de imaginar “alguém que não pode ser tocado”, e, para o público, esse “alguém” inclui a própria Nanako. Talvez a parte mais importante do processo criativo tenha sido ajustar a relação entre o texto e o corpo, que envolveu sobrepô-los para que os mesmos gestos pudessem transmitir imagens diferentes ou para que as imagens transformassem o próprio corpo.

Como vocês enxergam o papel da dança na sociedade atual e o que ela pode mobilizar ou revelar sobre nossos tempos?
Vemos a dança como um meio para refletir criticamente sobre – e transformar – os hábitos e padrões comportamentais que se incorporaram inconscientemente em nossos corpos. Nossa prática, chamada de Step Research Dance, é uma metodologia baseada em pesquisas sobre texto e movimento. Trabalhamos com “passos” e “gestos” extraídos de momentos e lugares específicos, que envolvem uma variedade de contextos sociais, políticos, históricos e pessoais. Ao recontextualizar o movimento dentro de uma rede de corpo e texto, buscamos questionar memórias, normas sociais e estruturas de pensamento internalizadas. No espaço cênico, no qual o performer é exposto ao olhar do público, a dança inevitavelmente se envolve com o seu corpo, sua memória e sua identidade, podendo perturbar e desestabilizar noções fixas de identidade. Mas a dança não é apenas uma prática crítica: ela também abraça a alegria de se mover. Sua potência essencial reside no prazer gerado pelo movimento, na libertação dos sentidos e nos momentos em que nos reconectamos – com os outros e com o mundo – através do corpo em movimento.

Foto: Haruka Oka
Foto: Haruka Oka

Sinopse

Kyoto Imaginary Waltz [Valsa Imaginária de Kyoto]

O ato de dançar com pessoas, paisagens e seres imaginários está no centro dessa obra concebida por Nanako Matsumoto e Kengo Nishimoto, dupla à frente do team chiipro. Tomando como ponto de partida o contexto histórico da introdução da valsa no Japão no século 19 – quando foi criticada por sua intimidade física e considerada sexual e vulgar –, o trabalho propõe uma reflexão sobre o toque e o contato. Por meio de textos performáticos e da fisicalidade dos passos da valsa, Nanako costura em cena elementos históricos, aspectos pessoais e pesquisas realizadas na cidade de Kyoto em meio ao isolamento social da covid-19. Sobrepondo a Kyoto da era pandêmica à Kyoto do período Meiji, o trabalho tensiona possibilidades de se conectar com o “outro”, mesmo estando só, e investiga como esse encontro pode transformar o corpo e as memórias individuais e coletivas.


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Interview with Team Chiipro | Video designer and operator

This piece was created in the midst of the COVID-19 pandemic. What was this process like? What questions does this dance with an imaginary “other” raise about being present?
Before creating Kyoto Imaginary Waltz, we had already been exploring and practicing a concept we called Imaginary Waltz — dancing a waltz with an imagined other. At the time, Nanako was developing this project in Sugamo, Tokyo, where she was living. Once movement restrictions were slightly relaxed, we traveled to Kyoto to begin working on the show. Our process started with historical research into how the waltz was received in Kyoto during the late 19th century. Nanako practiced waltzing in nearly empty public spaces and attended a ballroom dance studio to learn about competitive ballroom dancing. In a sense, we were layering the Kyoto of the pandemic era over the Kyoto of the Meiji period. The work invites us to questions including whether it is possible to connect with someone — even a “historical” other — while being alone; and how a solo dance can evoke or hold space for an imagined other — and how this contact might transform our bodies.

We view dance as a medium through which we can critically reflect on — and transform — the habits and behavioral patterns that have unconsciously become embedded in our bodies

Foto: Haruka Oka

The show interweaves individual and collective memories. How was the creative process for the dramaturgy?
The text serves both as a hook to stimulate the audience’s imagination and as part of the choreography. When writing the text, we structured time using the format of a lecture performance, interweaving historical events with Nanako’s personal memories and recollections of dancing in public spaces. A central theme of this piece is the urgent act of imagining “someone who cannot be touched,” and for the audience, this “someone” includes Nanako herself. Perhaps the most important part of the creative process was adjusting the relationship between the text and Nanako’s body, which involved layering one onto the other so that the same gestures could carry different images, or so that these images would transform her body itself.

How do you see the role of dance in today’s society and what can it mobilize or reveal about our times?
We view dance as a medium through which we can critically reflect on — and transform — the habits and behavioral patterns that have unconsciously become embedded in our bodies. Our practice, which we call Step Research Dance, is a research-based methodology that brings together text and movement. We work with “steps” and “gestures” extracted from specific times and places, engaging with a range of social, political, historical, and personal contexts. By recontextualizing movement within a web of body and text, we seek to interrogate embodied memories, social norms, and internalized frameworks of thought. Within the space of the theater, where the performer is exposed to the gaze of an audience, dance inevitably engages with their body, memory, and identity, with the potential to unsettle and destabilize fixed notions of identity. But dance is not solely a critical practice. It also embraces the joy of moving the body. The essential power of dance lies in the pleasure generated through movement, in the liberation of the senses, and in those moments where we reconnect — with others, and with the world — through the body in motion.

Synopsis

Kyoto Imaginary Waltz

The act of dancing with people, landscapes, and imaginary beings is at the core of this piece conceived by Nanako Matsumoto and Kengo Nishimoto, team chiipro’s head duo. Starting from the historical context when the waltz was introduced in Japan in the 19th century — and was criticized for its intimate physicality, considered sexual and vulgar —, the piece proposes a reflection on touch and contact. Through performance texts and the physicality of waltz steps, Nanako weaves together on stage historical elements, personal aspects, and research conducted in the city of Kyoto in the midst of social isolation during the COVID-19 pandemic. By laying pandemic-era Kyoto over Meiji-era Kyoto, it produces tensions around the possibilities of connecting with the “other,” even when by oneself, and investigates how this encounter can change individual and collective bodies and memories.

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