
Leia a edição de Fevereiro/26 da Revista E na íntegra.
A biblioteca está presente na minha vida desde a infância. E quando eu penso nos meus primeiros momentos em uma biblioteca, a imagem que surge nos meus pensamentos é da minha avó Anita. Para fazer os trabalhos escolares, aqueles maiores de final do semestre, ela sempre me levava à Biblioteca Mário de Andrade, no Centro de São Paulo. Ficava longe de casa, mas acordávamos cedo, pegávamos o ônibus e passávamos o sábado todo ali. Ela pesquisava comigo os livros e encontrávamos juntas os capítulos que pareciam mais interessantes para os temas dos trabalhos. Não me lembro dos temas nem dos resultados, afinal, como diz João Guimarães Rosa (1908-1967), “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”.
As lembranças da biblioteca e da minha avó se confundem dentro de mim. O amor pela minha avó, o amor pela biblioteca. Um amor que nasceu a partir de outro. E que fez brotar ainda mais um amor: a literatura.
Os livros foram essenciais para a construção da minha subjetividade. Clarice Lispector (1920-1977) me ajudou, por meio de seus escritos, a entender que “a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente – atravessando inclusive o oposto daquilo que se vai aproximar”. Em outras palavras, a autora me ajudou a sentir a alegria, mesmo que muitas vezes possa ser uma alegria difícil, já que a alegria reside na travessia, na aceitação corajosa de existir com todas as suas complexidades e dores.
Em 2013, quando iniciei meu trabalho no Sesc Itaquera, foi uma grande felicidade ficar responsável pelo BiblioSesc. Foram três anos e meio presenciando cotidianamente a leitura fazer parte da vida de diversas pessoas. A presença da biblioteca na minha vida alcançava outra dimensão, em que eu podia contribuir para que outras pessoas também pudessem ter suas subjetividades atravessadas pela literatura.
Após a experiência do BiblioSesc, o convívio com a biblioteca continuou acompanhando a minha trajetória profissional, primeiro no Sesc Ribeirão Preto, no qual exerci a coordenação de programação, e, agora, na Gerência de Ação Cultural, como parte da equipe de Literatura e Bibliotecas. Estou muito feliz por estarmos, nesse momento, nos dedicando à expansão da rede de bibliotecas do Sesc São Paulo por entender que a leitura tem um papel fundamental na preservação e transmissão da memória, na ampliação de nossas concepções de mundo e no conhecimento da nossa própria condição de existência. Alberto Manguel nos ensina que “os livros podem não alterar nosso sofrimento, os livros podem não nos proteger do mal, os livros podem não nos dizer o que é bom e o que é belo”, mas “os livros nos abrem miríades de possibilidades”.
As bibliotecas e a literatura fazem – e continuarão fazendo – parte do meu caminho, tanto pessoal quanto profissional, e agradeço imensamente à minha avó Anita por todo o afeto, o amor e o carinho, que contribuíram de forma tão significativa com a minha história e a minha paixão pelos livros.
Thaís Heinisch é formada em Filosofia, pela Universidade de São Paulo (USP), e em Jornalismo, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Atua como técnica de Literatura e Bibliotecas na Gerência de Ação Cultural do Sesc São Paulo.
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