
Projeto reúne poetas contemporâneos, leitura coletiva e experimentação para ampliar o contato do público com a poesia
O projeto Ler & Escrever Poesia nasce de duas perguntas diretas: por que algumas pessoas leem poesia e por que outras tendem a evitá-la? A partir dessas provocações, a iniciativa ocupa a Sala de Leitura do Sesc Consolação como um espaço de encontro, escuta e experimentação, sem a pretensão de oferecer respostas definitivas, mas abrindo caminhos possíveis para a relação com a poesia.
Durante os encontros, o espaço — aberto ao público da unidade — se transforma em um ateliê poético. Frequentadores são convidados a se reunir com um mediador e uma escritora ou escritor convidado, em uma experiência que acolhe tanto quem já lê e escreve quanto quem ainda não se reconhece nesse lugar.
A proposta valoriza a oralidade como ponto de partida. Antes da escrita, o convite é para ouvir, compartilhar e conversar sobre poesia, explorando a leitura coletiva como forma de aproximação com o texto literário. A dinâmica cria pausas no cotidiano e incentiva momentos de atenção e escuta.
O projeto também busca fomentar um ambiente colaborativo, no qual participantes possam trocar experiências. Quem já escreve encontra espaço para compartilhar seus textos, enquanto quem ainda não escreve pode experimentar sem pressão. A participação é livre e não exige produção textual, abrindo espaço também para o prazer de apenas ouvir ou ler poesia.
Mais do que técnica, a atividade privilegia o convívio, a partilha, a escuta e o afeto como elementos centrais da experiência poética, ampliando a relação com a literatura sem impor formas únicas de expressão.
Tarso de Melo (1976) é poeta e editor. Coordena o Círculo de Poemas, coleção de poesia da editora Fósforo. Doutor em Filosofia do Direito pela USP, realiza pós-doutorado em teoria literária na Unicamp. É autor de Rastros: antologia poética 1999–2018 (2019), As formas selvagens da alegria (2022), Desdobrar Paulo Leminski (2025) e Música do mundo: introduções à poesia (2026).

“No vasto mundo da poesia, as palavras são o ponto de encontro entre quem escreve e quem lê. Pode ser um verso, um poema longo ou breve — algo ali nos transporta para múltiplas descobertas.
Poemas são viagens. Ao abrir um livro, ouvimos vozes que se tornam nossas. Ao escrever, projetamos palavras em direção a um horizonte sem limites. A poesia é uma conversa infinita que atravessa tempos, pessoas e experiências.
Nesta série de encontros, poetas contemporâneos compartilham sua relação com autores de língua portuguesa, lendo e conversando sobre o que torna essas obras tão próximas.
Cada encontro reúne leitura, bate-papo e oficina de criação, convidando o público a experimentar a escrita a partir dessas referências. Abrace um livro, pegue seu caderno e venha.”
Abril
9/4 – Angélica Freitas & Hilda Hilst
23/4 – Ademir Assunção & Torquato Neto
Maio
14/5 – Natasha Felix & Gilka Machado
28/5 – Micheliny Verunschk & João Cabral de Melo Neto
Junho
11/6 – Isabela Bosi & Ana Cristina Cesar
25/6 – Leonardo Gandolfi & Sophia de Mello Breyner Andresen
Julho
9/7 – Heitor Ferraz Mello & Manuel Bandeira*
30/7 – Bruna Beber & Stella do Patrocínio
Agosto
13/8 – Edimilson de Almeida Pereira & Adão Ventura
27/8 – Diogo Cardoso & Herberto Helder
Setembro
10/9 – Eduardo Sterzi & Fernando Pessoa
24/9 – Lilian Sais & Adília Lopes
* Excepcionalmente em 9/7, feriado, o encontro acontece das 15h às 17h.

Angélica Freitas nasceu em Pelotas (RS) em 1973. Publicou Rilke shake (7Letras/Cosac Naify, 2007; Companhia das Letras, 2021), Um útero é do tamanho de um punho (Cosac Naify, 2012; Companhia das Letras, 2017), Canções de atormentar (Companhia das Letras, 2020) e Mostra monstra (Círculo de Poemas, 2025). Sua poesia também está nas faixas do álbum Avenida Angélica (2022), do cantor e compositor Vitor Ramil.
Hilda Hilst nasceu em Jaú (SP), em 1930, e morreu em 2004. Em sua obra, destacam-se os seguintes livros: Júbilo, memória, noviciado da paixão (1974), Da morte. Odes mínimas (1980) e A obscena Senhora D (1982).
“O ouro do mais fundo está em ti.”
Ademir Assunção é poeta e jornalista. Publicou livros de poesia, contos, romance e jornalismo, entre eles A Voz do Ventríloquo, Faróis no Caos, Risca Faca, Ninguém na Praia Brava e O Jogo de Xadrez e Outros Poemas. Foi um dos editores da revista literária Coyote. Desde 2021 desenvolve uma série de poemas cinéticos, utilizando computação gráfica, técnicas de animação e colagens sonoras. É praticante de Kenjutsu, a arte da espada samurai.
Torquato Neto nasceu em Teresina (PI), em 1944, e morreu em 1972. Em sua obra, destacam-se canções como “Geleia geral” e coletâneas de textos como Os últimos dias de paupéria, Torquatália e O fato e a coisa, publicadas postumamente.
“toda palavra guarda uma cilada e qualquer gesto pode ser o fim”
Natasha Felix é poeta e performer. Nascida em Santos (SP) em 1996, atualmente vive no Rio de Janeiro. Integra Lastro, organização que atua em rede a partir do Sul Global nos campos da arte contemporânea. Autora de Use o alicate agora (Macondo, 2018; 2ª ed. 2023), Inferninho (Círculo de Poemas, 2024, semifinalista do Prêmio Oceanos) e Três vezes Lázaro (Círculo de Poemas, 2026). Atuou como assistente curatorial no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu Vassouras.
Gilka Machado nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1893, e morreu em 1980. Em sua obra, destacam-se os seguintes livros: Cristais partidos (1915), Mulher nua (1922) e Meu glorioso pecado (1928).
“os versos que compões, os versos que componho, virão estrofes de ouro após emoldurar.”

Micheliny Verunschk nasceu em 1972, no Recife (PE). Escritora e historiadora, é autora de livros de contos, poesias e romances, incluindo Nossa Teresa: Vida e morte de uma santa suicida (Patuá, 2014, vencedor do prêmio São Paulo de Literatura), O som do rugido da onça (Companhia das Letras, 2021, prêmio Jabuti de melhor romance literário e terceiro lugar do prêmio Oceanos), Caminhando com os mortos (Companhia das Letras, 2023, vencedor do prêmio Oceanos), Geografia íntima do deserto e outras paisagens reunidas (Círculo de Poemas, 2024) e Depois do trovão (Companhia das Letras, 2025).
João Cabral de Melo Neto nasceu em Recife (PE), em 1920, e morreu em 1999. Em sua obra, destacam-se os seguintes livros: O cão sem plumas (1950), Morte e vida severina (1955) e A educação pela pedra (1965).
“[…] sem perfumar sua flor, sem poetizar seu poema.”
Isabela Bosi é escritora e doutora em literatura e crítica literária pela PUC-SP/Sorbonne. Autora dos livros Quase (nadifúndio, 2019, adaptado para o teatro pelo Quase Um Coletivo), Elida Tessler: alguns envios de tempos e memórias (Editora UFMG, 2023) e É perigoso deixar as mãos livres (Círculo de Poemas, 2025), entre outros. Coordena o Clube de Leitura Marguerite Duras, além de oferecer cursos livres de literatura e mentorias de escrita.
Ana Cristina Cesar nasceu no Rio de Janeiro, em 1952, e morreu em 1983. Em sua obra, destacam-se os seguintes livros: Literatura não é documento (1980), A teus pés (1982) e Inéditos e dispersos (1985).
“Te apresento a mulher mais discreta do mundo: essa que não tem nenhum segredo.”
Leonardo Gandolfi nasceu no Rio de Janeiro e mora em São Paulo. Publicou os livros de poemas No entanto d’água (7Letras, 2006), A morte de Tony Bennett (Lumme, 2010), Escala Richter (7Letras, 2015), Robinson Crusoé e seus amigos (Editora 34, 2021) e Pote de mel e outros poemas (Editora 34, 2025), que recebeu o prêmio da Biblioteca Nacional. É professor de literatura na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto, Portugal, em 1919, e morreu em 2004. Em sua obra, destacam-se os seguintes livros: Coral (1950), Livro Sexto (1962) e O nome das coisas (1977).
“[…] no quadro sensível do poema vejo para onde vou, reconheço o meu caminho, o meu reino, a minha vida.”

Heitor Ferraz Mello nasceu na França, em 1964, e mora no Brasil desde os dois anos de idade. Formou-se em jornalismo e é mestre em Literatura Brasileira pela USP. Professor de jornalismo e língua portuguesa na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Em poesia, publicou, entre outros, Coisas imediatas (7Letras, 2004), Um a menos (7Letras, 2009), Meu semelhante (7Letras, 2016) e Coworking e outros poemas (Jabuticaba, 2026).
Manuel Bandeira nasceu em Recife (PE), em 1886, e morreu em 1968. Em sua obra, destacam-se os seguintes livros: Libertinagem (1930), Mafuá do malungo (1948) e Estrela da vida inteira (1968)
“Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”
Bruna Beber nasceu em 1984 na cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e vive em São Paulo desde 2007. Poeta, tradutora, ensaísta e roteirista, é autora de Sal de fruta (Círculo de Poemas, 2023), Veludo rouco (Companhia das Letras, 2023, prêmio APCA de poesia), Romance em doze linhas (Companhia das Letras, 2025) e Pó de arroz (Círculo de Poemas, 2026), entre outros livros.
Stela do Patrocínio nasceu no Rio de Janeiro, em 1941, e morreu em 1992. Sua obra foi publicada postumamente no livro Reino dos bichos e dos animais é o meu nome (2001).
“falei muito falei demais falei tudo que tinha que falar”
Edimilson de Almeida Pereira nasceu em Juiz de Fora (MG), em 1963. Publicou, entre outros, os livros Entre Orfe(x)u e Exunouveau (Fósforo, 2022), Poesia+ antologia 1985-2019 (Editora 34, 2019), O som vertebrado (José Olympio, 2022) e A morte também aprecia o jazz (Círculo de Poemas, 2023). Sua obra de ficção inclui O ausente (Relicário, 2021, prêmio Oceanos), Um corpo à deriva (Macondo, 2021) e Front (Nós, 2021, Prêmio São Paulo de Literatura).
Adão Ventura nasceu em Santo Antônio do Itambé (MG), em 1939, e morreu em 2004. Em sua obra, destacam-se os seguintes livros: As musculaturas do arco do triunfo (1975), TexturaAfro (1992) e A cor da pele: poesia reunida (2025).
“É preciso despojar a poesia do cinza das gravatas.”

Diogo Cardoso nasceu em São Bernardo do Campo (SP) em 1983. É mestre em literatura brasileira pelo IEB-USP. É autor de Sem lugar a voz (Dobradura, 2016) e da plaquete A língua nômade (Círculo de Poemas, 2025). Traduziu, entre outros, A mais recôndita memória dos homens (Fósforo, 2023), de Mohamed Mbougar Sarr, Dicionário abreviado do surrealismo (100/cabeças, 2024), de André Breton e Paul Éluard, e As aulas de Hebe Uhart (WMF, 2024), de Liliana Villanueva.
Herberto Helder nasceu na Ilha Madeira, Portugal, em 1930, e morreu em 2015. Em sua obra, destacam-se os seguintes livros: A colher na boca (1961), Photomaton & Vox (1979) e Servidões (2013).
“enquanto escrevia, o mundo parecia deslocar-se”
Lilian Sais é escritora. Publicou, entre outros, os livros O funeral da baleia (Patuá, 2021, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura), Motivos para cavar a terra (Cepe, 2022, vencedor do Prêmio Cepe Nacional de Literatura), O livro do figo (Macondo, 2023, semifinalista do Prêmio Oceanos) e Palavra nenhuma (Círculo de Poemas, 2024, segundo lugar no Prêmio Biblioteca Nacional).
Adília Lopes nasceu em Lisboa, Portugal, em 1960, e morreu em 2024. Em sua obra, destacam-se os seguintes livros: Um jogo bastante perigoso (1986), Florbela Espanca espanca (1999) e Dobra (2024).
“Quanto mais prosaico mais poético.”
Eduardo Sterzi nasceu em Porto Alegre em 1973 e desde 2001 vive em São Paulo. É professor da Universidade Estadual de Campinas e pesquisador do CNPq. Autor dos livros de poesia Prosa (IEL, 2001), Aleijão (7Letras, 2009) e Maus poemas (7Letras, 2016), e dos ensaios Saudades do mundo (Todavia, 2022), Juventude eterna (Círculo de Poemas, 2025) e Brasil-sintoma (Telaranha, 2025), entre outros trabalhos.
Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, Portugal, em 1888, e morreu em 1935. Em sua obra, destacam-se os seguintes livros: Mensagem, Livro do desassossego e Ficções do interlúdio, que reúne poemas dos seus heterônimos mais conhecidos.
“O poeta é um fingidor”.
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Ler & Escrever Poesia
Com Tarso de Melo e convidados
Espaço de Leitura – Sesc Consolação
De 9 de abril a 24 de setembro
Quartas-feiras, das 19h às 21h30.
Exceto 9/7, atividade será das 15h às 17h
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