
Criações visuais que costumam passar despercebidas na paisagem das cidades ganham protagonismo em Letras & Filetes: Memória Afetiva e Latinidades, exposição que chega ao Sesc Piracicaba em 22 de outubro.
Com curadoria de Filipe Grimaldi e Thiago Nevs, a mostra – que estreou no Sesc Ipiranga, em São Paulo – apresenta trabalhos de cerca de 60 artistas e profissionais do Brasil e de diferentes países da América Latina e apresenta a gráfica popular como expressão de memória e identidade. A visitação é gratuita e o público terá de 22 de outubro de 2026 até 30 de maio de 2027 para conferir as obras.
Reunindo fotografias do acervo do Instituto Moreira Salles (IMS) e de Stefania Bril, registros relacionados à tradição dos filetes de caminhão, como imagens do livro A Arte do Caminhão (1981), de Bril e Bob Wolfenson a dez trabalhos produzidos especialmente para a exposição – entre eles, uma charrete filetada por Paulinho Mazuco e cinco murais inéditos, incluindo uma obra da muralista indígena mexicana Alina Kiliwa – a exposição destaca o trabalho de profissionais que frequentemente atuam no anonimato, como cartazistas, abridores de letras, letristas e mestres fileteadores.
Historicamente associadas a trabalhos realizados em fachadas comerciais, cartazes, carrocerias de caminhões, barcos e outros suportes, esses especialistas desenvolveram técnicas próprias de composição, pintura e ornamentação, com criações que ultrapassam a função comercial para revelar narrativas de pertencimento, resistência e memória coletiva.
Do improviso popular à precisão que transforma fachadas e muros em espaços de fruição artística, Letras & Filetes: Memória Afetiva e Latinidades apresenta ao visitante expressões que vão desde a letra decorativa amazônica, presente nos barcos ribeirinhos, até os cartazes de mercado, com seu humor, urgência e cores vibrantes, além dos filetes em caminhões.

O fileteado portenho argentino, a rotulación mexicana, os cartazes chilenos, a letra chicha peruana e as chivas colombianas são apresentados em diálogo com a produção brasileira, permitindo observar aproximações e singularidades entre essas manifestações. “Esses encontros traçam uma rede de latinidades gráficas que revela formas comuns de criar, comunicar e resistir”, assinala o curador Filipe Grimaldi.
Artistas da Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru integram a exposição e colocam em perspectiva diferentes tradições da gráfica popular latino-americana e brasileira. O filme As Cartazistas, da cineasta brasileira Clara Izabela, também compõe a mostra e destaca a atuação de mulheres que atuam na criação de cartazes.
Ao longo de todo o período expositivo, serão realizadas para aproximar o público das técnicas e dos processos de criação apresentados nas obras. Estão previstas oficinas com Ana Cartazista, Alina Kiliwa e Neves & Serifa, que propõem uma introdução às letras blocadas; e Filipe Grimaldi, em uma atividade dedicada à pintura de letra popular. A mostra ainda inclui recursos de acessibilidade, incluindo audiodescrição, objetos táteis, mapa tátil, braille e dupla leitura, videolibras e legendagem em LSE (legendas para surdos e ensurdecidos). Visitas educativas para grupos podem ser realizadas mediante agendamento.
Ainelén Blanes (ARG), Alejandro Serna (COL), Alessandro Bala (PA/BR), Alexandro Marques (SP) , Alina Kiliwa (CDMX/MEX), Alice Brill (SP/BR), Ana Vitória (CE) , Artur Hermisdorf (MG/BR), Atelier Sinlogo (SP), Audrei Joelson (PR/BR), Beto Serna (COL) , Bob Wolfenson(SP/BR), Bruna Serifa (SP), Caio Ferreira (SP/BR), Carga Máxima (LIM/PE), Carrocerias Ribeiro (GO/BR), Mano Gois (SP) , Clara Izabela (SP), Cláudio Cartazista (MA/BR), Cristiano Kiki (SP) , Daniel Oliveira (RJ/BR), Daniela Brandão (MA), Duda Hermisdorf (MG/BR), Fernando Art’s (PA/BR), Filipe Grimaldi (SP/BR), Gabriel Free Hands (SP/BR), Gabrielle Paiva (PR) , Guaru Artes (SP/BR), Guezo Rocha (SP/BR), Hanna dos Santos (SC/BR), Idaias Freitas (PA/BR), José Anchieta (PB/BR), José Moacir (SC/BR), Josy Antunes (RJ) , Junior Maia (CE/BR), Karina Kosugue (SP/BR), Lagarto (SC/BR), Lili Pintor (PA/BR), Luis Junior (PA/BR), Luis Sousa (RJ/BR), Neto Pintor (PA/BR), Odir Abreu (PA/BR), Patrick Letrista (MG) , Paulinho Mazuco (SP), Pedro Dropinho (SP), Pedro Lameiros (MG/BR), Pedro Vizioli (DF/BR), Priscila Richter (SP/BR), Reynaldo Kpricho (SP) , Roi Nascimento (SC/BR), Rudy Dutra (SC/BR), Simão Sandes (AL/BR), Stefania Bril (SP/BR), Stronzo (DF/BR), Thiago Nevs (SP/BR), Uriel Santos (AL/BR), Van Designer (MA/BR), Vicenzo Pastore (SP/BR), Wilton Carvalho, Yara Forte (CE), Zeck Letrista (SP) e Zenén Vargas (STGO/CHL).
Filipe Grimaldi é artista visual, pesquisador e curador, com trajetória dedicada à investigação das linguagens gráficas populares brasileiras e latino-americanas. É responsável pelo curso “O Pintor Letrista”, disponível no Sesc Digital, no qual apresenta fundamentos da pintura de letras e incentiva a prática: faça-você-mesmo.
Thiago Nevs é artista visual e letrista, pesquisador da gráfica vernacular brasileira e latino-americana e atua na valorização de expressões visuais populares e práticas de preservação. Participou da 15ª Bienal Naïfs do Brasil – Ideias para adiar o fim da arte, realizada no Sesc Piracicaba em 2020, quando recebeu Menção Especial do júri pela obra Alma da Estrada. Na ocasião, também ministrou o curso “Filetagem Tradicional Brasileira – A arte na carroceria do caminhão”.
SERVIÇO
Letras & Filetes: Memória Afetiva e Latinidades
Local: Sesc Piracicaba – Rua Ipiranga, 155, Centro
Período: de 22 de outubro de 2026 a 30 de maio de 2027
Visitação: terça a sexta, das 13h às 21h30; sábados, domingos e feriados das 9h30 às 17h30;
Entrada: gratuita
Classificação: livre
Sobre o Sesc
O Serviço Social do Comércio é uma entidade privada com finalidade pública, criada em 1946 por iniciativa do empresariado do setor de comércio de bens, serviços e turismo, e que tem como missão contribuir para a qualidade de vida dos trabalhadores dessas categorias, seus dependentes e da sociedade em geral.
No estado de São Paulo, o Sesc conta com uma rede de 44 unidades, incluindo centros culturais e esportivos, bem como unidades especializadas. Oferece programações em diversas linguagens artísticas, atividades físico-esportivas e de turismo social, programas de saúde, educação para sustentabilidade, para a diversidade e para acessibilidade, alimentação, programas especiais para crianças, jovens e pessoas idosas, além do Sesc Mesa Brasil – programa institucional de combate à fome e ao desperdício de alimentos.
O Sesc desenvolve, assim, uma ação de educação não formal permanente com o intuito de valorizar as pessoas ao estimular a autonomia, a convivência e o contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir.
Informações para a imprensa:
artesvisuais.sescsp@agenciagalo.com
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