
Benedita Casé, Naruna Costa e Carlos Ruas na abertura do Inspira 2026. Foto: Adauto Perin
Como falar de saúde de forma acessível, acolhedora e responsável? Essa foi a questão que marcou a abertura da edição 2026 do projeto Inspira – Ações para uma vida saudável, com um bate-papo realizado no dia 9 de Abril, no Sesc Ipiranga.
Com Benedita Casé e Carlos Ruas, mediado por Naruna Costa e participação de Israel Silva, como mestre de cerimônias, o encontro “Saber de si, saber de nós – Letramento e Comunicação em saúde” refletiu sobre os desafios de informar temas complexos para a população, além de apresentar caminhos para um diálogo mais humano.
Destacamos aqui alguns momentos do encontro.
A magia da restauração
Caíque Tostes, o Batelô, abriu a noite com uma performance de ilusionismo, relacionando com uma história sobre como a humanidade unida se cura desde sempre.
Abrindo os trabalhos
Na sequência, a atriz, diretora, cantora e compositora Naruna Costa abriu os trabalhos com um Canto de Proteção:
“Venho para abrir as portas felicidade me traz
O que há de tristeza nessa casa vá embora e não volte jamais
Venho para abrir as portas a saúde é quem me traz
O que há de doença nessa casa vá embora e não volte jamais”
Medo de lidar com o diferente
Benedita Casé trouxe uma situação que aconteceu com ela num supermercado no período da pandemia. Surda oralizada, ela utiliza a leitura labial para se comunicar. Ao pedir para a atendente baixar a máscara (utilizada naquele período como medida de proteção por conta da Covid-19), e se pronunciando como uma pessoa surda, a atendente logo falou “vou procurar alguém para lidar com você”. Veio um gerente que sabia Libras (Língua Brasileira de Sinais). Mas ela não utiliza Libras no seu dia a dia, e só precisava que baixassem a máscara para fazer a leitura labial.

“Por que eu tô contando essa história? Porque eu acho que as pessoas têm muito medo de lidar com o diferente. E quando você vê uma coisa que é diferente do que tá acostumado, você já rejeita, cria uma barreira gigantesca e aí você delega aquele ‘problema’, entre aspas, você fala ‘vou chamar alguém porque não vou saber o que fazer’. Mas como a gente sabe o que fazer? Perguntando: ‘Como é melhor pra você?’” – Benedita Casé
Entre o algoritmo e a autenticidade
Falando sobre os desafios da comunicação e da produção de conteúdos sobre saúde, Carlos Ruas levantou a pressão que os algoritmos das plataformas digitais impõem sobre os formatos. “Você tem a barreira do algoritmo que quer te enquadrar num formato enlatado que mil pessoas já estão fazendo, pra você conseguir chegar no seu público”, lembra.
Mas também trouxe uma reflexão sobre a importância de produzir conteúdos autênticos. A partir de sua própria experiência com redes sociais, ele percebeu que uma de suas publicações, mais extensa que o habitual, gerou maior alcance, repercussão e notoriedade do que conteúdos curtos – em geral, mais bem aceitos pelo algoritmo.

“A minha experiência me mostrou que, quando você tem autenticidade e uma identidade forte, você consegue se destacar além daquilo que o algoritmo pede. O algoritmo pode não reconhecer o diferencial do conteúdo, mas a pessoa que tá vendo, ela reconhece.” – Carlos Ruas
O conteúdo criado por Carlos Ruas:
Acessibilidade é ampliar o alcance
A discussão também trouxe reflexões que ampliaram o entendimento sobre o que significa tornar a comunicação mais acessível. Benedita Casé lembrou que a acessibilidade não envolve apenas pessoas com deficiência, ela é para todas as pessoas.
“Quando a gente fala de acessibilidade, parece que estamos falando só com pessoas com deficiência. Não. A gente está ampliando pra muita gente. Quando você coloca uma legenda, por exemplo, você alcança pessoas idosas, gente que está no hospital, ou quem não pode aumentar o volume. O seu conteúdo vai mais longe.” – Benedita Casé
Escuta aberta para o outro
Uma sociedade informada é uma sociedade saudável
O encontro evidenciou que comunicar saúde é também um exercício de escuta e empatia. Com essa abertura, o Inspira 2026 reafirma sua proposta de discutir caminhos para uma comunicação mais consciente e conectada com a realidade das pessoas, destacando que informar também é uma forma de cuidado.

Ação em rede realizada pelo Sesc São Paulo convida o público a refletir sobre o que significa viver com saúde. Mais do que discutir a ausência de doenças, o Inspira propõe uma abordagem ampliada e integrada do cuidado, olhando a pessoa como um ser integral, que considera os múltiplos fatores que influenciam o bem-estar físico, mental, social e ambiental.
A edição 2026 aconteceu de 9 a 19 de Abril e apresentou 110 atividades, distribuídas em 30 unidades. Com o tema “Saber de si, saber de nós: letramento e comunicação em saúde”, a programação convidou o público a compreender que o letramento em saúde envolve acessar conteúdos, reconhecer fontes confiáveis, interpretar informações e aplicá-las no cotidiano, favorecendo decisões mais conscientes e fortalecendo o cuidado individual e coletivo.
Leia +:
Inspira 2026 – Saber de si, saber de nós: letramento e comunicação em saúde
Revista E (Abril/26) – Vacina contra a desinformação
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