
O Festival O Mar em Nós é um espaço de encontro entre pessoas, territórios e modos de conhecer, onde a arte, a música, a culinária, o esporte e a educação se tornam linguagem para contar histórias que revelam que o oceano também vive naquilo que somos.
Há quem diga que o oceano começa onde termina a terra. Talvez seja justamente o contrário: o oceano começa onde as pessoas se encontram. No gesto de quem lança uma rede, na brincadeira da criança que corre com as ondas que avançam sobre a praia, na pesquisadora que observa mistérios da vida sob o microscópio, na roda de conversa, na dança, na arte, na memória e na curiosidade. O oceano vive em todas as relações que aprendemos a construir com ele.
O oceano é muito mais do que uma imensidão de água.
Ele é origem, porque foi nas suas águas que a vida começou.
É tempo, porque ensina a respeitar os ciclos da natureza.
É memória, preservada pelos povos do mar e por seus saberes ancestrais.
É diversidade, porque abriga incontáveis formas de vida e culturas.
É ritmo, porque move o planeta em uma dança permanente.
É respiração, porque participa do clima que sustenta a vida.
É tecido, porque entrelaça ecossistemas, espécies e pessoas.
É biblioteca, onde bilhões de anos de evolução continuam escrevendo novos capítulos.
É espelho, porque revela a humanidade que escolhemos ser.
E é horizonte, porque nos lembra que sempre haverá algo novo para descobrir.
Talvez seja isso que chamamos de Cultura Oceânica: a compreensão de que não estamos diante do oceano, mas dentro de uma mesma história. Uma história feita de ciência e sensibilidade, de conhecimento e pertencimento, de responsabilidade e imaginação. Aprender sobre o oceano é também aprender sobre nós mesmos e sobre as diferentes formas de habitar a Terra com respeito e reciprocidade.
É dessa compreensão que nasce o Festival O Mar em Nós. Mais do que um evento, ele é um espaço de encontro entre pessoas, territórios e modos de conhecer. Um lugar onde os saberes tradicionais dialogam com a ciência, onde a arte se torna linguagem para contar histórias, onde a música, a culinária, o esporte, a educação, a fotografia, as brincadeiras, os ofícios e as expressões culturais revelam que o oceano também vive naquilo que somos.
Nesta edição, dedicada aos Refúgios Litorâneos, o encontro ganha um significado ainda mais profundo.
Em um tempo marcado pelas mudanças climáticas e pelas transformações aceleradas das zonas costeiras, falar de refúgio significa falar dos lugares onde a vida encontra condições para permanecer, mas também das pessoas que mantêm vivos os vínculos com esses territórios. Manguezais, praias, restingas, florestas costeiras e ilhas são refúgios para inúmeras espécies.
Da mesma forma, os modos de vida de povos indígenas, quilombolas, caiçaras, pescadores e pescadoras são refúgios de memória, identidade e cuidado, capazes de inspirar novas formas de convivência entre sociedade e natureza. Celebrar esses territórios é reconhecer que o futuro do oceano depende tanto da conservação da biodiversidade quanto da valorização da diversidade cultural. É nesse encontro que surgem novas perguntas, novas possibilidades e novos caminhos para enfrentar os desafios do presente.
O maior refúgio que podemos construir está justamente em um espaço onde diferentes vozes possam se reconhecer como parte de um mesmo oceano. Um lugar em que a cultura aproxima, a ciência ilumina, a educação transforma, a arte sensibiliza e o esporte celebra a presença do corpo em movimento junto às águas. Proteger o oceano não é apenas conservar paisagens, mas também no fortalecimento de vínculos que fazem com que as pessoas se sintam pertencentes a elas.
No fim, talvez descubramos que o mar sempre esteve em nós. Não apenas na água que percorre nossos corpos, nem apenas nas histórias que herdamos de quem vive junto às ondas. O mar vive na nossa capacidade de encontrar uns aos outros, de cuidar do que compartilhamos e de imaginar futuros onde a vida continue encontrando abrigo. É nesse encontro que o oceano deixa de ser apenas um lugar e se torna uma forma de viver.

O Sesc Bertioga realizará a segunda edição do festival O Mar em Nós entre dias 11 e 13 de setembro de 2026.
O festival tem o objetivo de fomentar uma rede de interação e construção social, promover a visibilidade e a valorização das comunidades litorâneas, fortalecer a identidade e preservar memórias de povos que têm um forte vínculo com o mar, seja na linguagem, saberes, sabores, costumes e tradições. Para conectar as comunidades a centenas de pessoas, o projeto abrange diversos formatos, em diferentes linguagens: apresentações artísticas, oficinas, rodas de conversa, palestras, vivências, troca de saberes, saúde e moradia, que tem como objetivo maior o fortalecimento dessa rede e o partilhar da importância cultural, histórica e de resistência dos povos originários.
A programação do evento também se alinha aos princípios da cultura oceânica, ao promover a compreensão da relação entre sociedade e oceano de forma integrada e sensível. Ao valorizar os saberes tradicionais e as práticas culturais das comunidades costeiras, o evento contribui para ampliar a consciência sobre a importância da conservação dos ambientes marinhos, incentivando atitudes mais responsáveis e sustentáveis, além de reforçar o papel das populações locais como guardiãs do patrimônio natural e cultural ligado ao mar.
Os encontros serão organizados a partir de três eixos: refúgios bioculturais; refúgios e refugiados climáticos; e refúgio simbólico, sensível e poético.
As inscrições começam em 25/8, pela centralrelacionamento.sescsp.org.br ou pelo aplicativo SescSP.
Saiba mais em: sescsp.org.br/omaremnos
Veja como se inscrever e saiba de toda a programação aqui.
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