Seppuku – El funeral de Mishima o El placer de morir | MIRADA 2026

13/09/2026

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Foto: Ximena y Sergio


Entrevista com Angélica Liddell | Dramaturga, Diretora e Atriz


Como você conheceu o escritor Yukio Mishima?  

Eu descobri a obra dele por acaso quando era muito jovem, aos 18 anos de idade. Estávamos nos anos 1980 e, pensando bem, havia passado apenas uma década da morte dele por meio do ritual suicida seppuku. Li O Pavilhão de Ouro e me identifiquei totalmente com aquele romance. Desde então, ele jamais me abandonou. Sua influência. Sua relação com a morte. Suas obsessões. Quando quero escapar do mundo, leio Mishima. Eu só me relaciono com o mundo por meio da poesia. O mundo real não me interessa. Só amo os poetas. Agora mesmo há uma frase de Mishima na minha cabeça, que pulsa como um coração, como uma batida nas minhas têmporas. Ele a escreveu para o escritor Yasunari Kawabata pouco antes de se suicidar. “Passei pelo mundo, praticamente toda a minha vida, tapando o nariz”. O mundo real cheira mal. E Mishima transforma esses excrementos em ouro. Eu também. É como se precisasse da merda ao meu redor para transformá-la em beleza.  


Foto: Ximena y Sergio

Como o rigor formal e ritualístico do teatro Nô serviu de suporte para encenar essa despedida e o sacrifício pela liberdade? De que maneira a síntese entre o poema e os códigos orientais traduz esse gesto poético de libertação? 

No fundo, retomo a obra clássica Hagoromo, do teatro Nô, que Mishima menciona em seu último romance, A Corrupção de um Anjo, o romance que enviou ao seu editor na mesma manhã em que cometeu o seppuku. É uma aposta no mundo dos anjos, no mundo da Terra Pura; é o veículo para a liberdade, para a beleza. 

Angélica Liddell é dramaturga, diretora e atriz de Seppuku, El funeral de Mishima o El placer de morir.


Sinopse

Seppuku – El funeral de Mishima o El placer de morir

Por ocasião do centenário de nascimento do escritor japonês Yukio Mishima, celebrado em 2025, Angélica Liddell apresenta um espetáculo baseado no código espiritual dos samurais, que combina erotismo, morte e beleza. Em japonês, seppuku é uma forma ritual de suicídio por estripação, também conhecido por harakiri, método escolhido por Mishima para finalizar sua história de vida. Com um longo poema de despedida, inspirado nos códigos do teatro nô – drama de canto e de dança praticado no Japão desde o século XV –, a artista catalã considera que o sacrifício poético está ligado à conquista da liberdade. Admiradora do escritor desde a adolescência, Angélica constrói sua obra em íntima relação com a de Mishima. 

O espetáculo Seppuku – El funeral de Mishima o El placer de morir foi apresentado no dia 13/09 às 21h no Sesc Santos.

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