
Leia a edição de Abril/26 da Revista E na íntegra.
Uma memória que eu tenho da infância é ir com minha mãe ao posto de saúde retirar cartilhas e informativos sobre diversos assuntos quando tínhamos que fazer algum trabalho de ciências. Ainda que fôssemos com frequência às bibliotecas públicas para realizar pesquisas, ela entendia que o conteúdo trazido por aqueles informes era de fácil entendimento e, o mais importante, confiáveis.
Outra coisa que minha mãe fazia era nos pedir para explicar o que tínhamos feito da lição de casa, com as nossas palavras. Dessa forma, ela conseguia saber se estávamos progredindo na leitura dos materiais e criando nosso próprio entendimento sobre os temas. Mas, acima de tudo, ela queria que falássemos com nossa própria voz e não apenas reproduzíssemos a fala de outras pessoas. Hoje eu percebo o quanto isso foi importante na construção do meu senso crítico.
Tendo uma trajetória acadêmica nas ciências biológicas, essa criticidade foi cada vez mais trabalhada para buscar entender o porquê das coisas, aliada a um “faro” para desconfiar de informações muito sensacionalistas ou promessas milagrosas. Depois, minha trajetória profissional na educação trouxe essa percepção de que não adianta somente saber falar, é preciso também possibilitar a compreensão.
É nesse lugar que reside a importância de discutir um tema como letramento e comunicação em saúde. Em um mundo cercado de diferentes fontes de informação, é preciso que cada pessoa esteja atenta àquilo que pode contribuir para o bem-estar coletivo e a qualidade de vida e o que é estratégia para vender mais ou engajar curtidas. Ou ainda o que é desinformação, que causa medo e insegurança.
O letramento vem para que todas as pessoas sejam capazes de compreender de forma crítica informações recebidas e aplicar novos conhecimentos de forma prática em sua realidade. A comunicação é necessária para que a informação seja acessível a todas as pessoas e para a construção de uma cultura de produção coletiva de cuidado e saúde. Letramento e comunicação são essenciais para que não seja somente saber falar, mas poder entender.
Em um momento em que nunca se produziu tanto conteúdo, saber avaliar criticamente se a informação é confiável é uma habilidade importante para a promoção da saúde coletiva. Da mesma forma, evitar a disseminação de notícias falsas ou checar a informação antes de compartilhar deveria ser premissa de responsabilidade de todas as pessoas. A boa informação precisa encontrar espaço para ser trazida de forma simples e acessível.
O Projeto Inspira em 2026 defende que eu preciso saber de mim para entender se o que eu vejo ou leio serve realmente para o meu bem–estar. Essa autopercepção gera autonomia e decisões conscientes. E saber de nós é um convite à ação para a responsabilidade compartilhada, refletindo sobre os impactos que uma informação equivocada pode trazer para a coletividade.
Espero que o despertar para a importância dessa discussão alcance cada vez mais pessoas e seja caminho para a construção de dias mais saudáveis e solidários. Desejo também que cada um possa encontrar em si e no diálogo com sua realidade o conhecimento necessário para suas decisões em saúde e que encontre também suas próprias palavras para descrever o que sente e do que precisa, assim como me ensinou minha mãe.
Deborah Dias Matos é bióloga, especialista em educação ambiental e atua como técnica na área de Educação em Saúde da Gerência de Saúde e Odontologia do Sesc São Paulo.
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