
Foto: Fernanda Luz
Por quantos locais a performance passou e como a gestão dos espaços reage à proposta de chamar um trabalhador local para estar ocioso por uma hora?
A performance teve duas aberturas de processo no Chile, em 2025 e 2026, produzidas pela fundação Cuerpo Sur. Na primeira, troquei de posição com o segurança, e o que me chamou a atenção foi a diferença de tratamento dos funcionários comigo. Uma postura de “estamos recebendo uma artista internacional, nossa!” a metros de distância de “adorei trabalhar com você hoje. Um abraço”. Na experiência de ócio da pessoa trabalhadora, ela sabe o que quer fazer? Como ela experimenta novos ócios? Ela realmente consegue aproveitar esse ócio?
A performance também compartilha o ócio com um convidado do público. Como você escolhe esse participante?
Essa ação mudou porque as pessoas resistiam ao convite. Agora ele é aberto: “venha quem quiser, fique o tempo que quiser”. A convocação de um corpo fazendo nada é diferente para cada um. Como tenho essa prática, entro em estado de presença; outra pessoa pode entrar em relaxamento completo. Ambos são interessantes.

Você traz a referência do filósofo Byung-Chul Han. Há outras referências da dança ou das artes cênicas?
Sim! Minha maior referência é Eleonora Fabião, como tutora e no trabalho artístico. Também penso no conceito de ócio com Manuel Cuenca Cabeza (Ócio autotélico), Josef Pieper (Ócio: a base da cultura) e Viktor D. Salis (Ensaiando uma epistemologia do ócio), aproximando o ócio da criação cultural e da humanidade.
Diez é performer e criadora de Sonhar o Ócio.
Seis ações de prazer e energia vital, com duração de uma hora cada, compõem a performance que borra as fronteiras entre trabalho e lazer e trabalho comum e trabalho artístico, bem como os espaços privado e público e os corpos e as rotinas que os ocupam. a artista troca de papel com uma pessoa, oferecendo-lhe uma hora de ócio, ou dedica-se, por exemplo, a experenciar o que mais gosta: dançar, não fazer nada, ler uma pesquisa científica sobre sonhos, comer ou dormir. A artista Diez observa e questiona uma sociedade que não se sente capaz de sair do produtivismo e do seu avanço, propondo questões como: é possível viver o tempo contra a utilidade capitalista da produção dentro e fora da arte?
O espetáculo Sonhar o Ócio foi apresentado nos dias 3 e 11/09 às 10h na Futrica, em Santos.
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