Sopros de Movimento

17/03/2026

Compartilhe:

Ocupar a cidade, experimentar novas práticas e fortalecer encontros são movimentos que mantêm a vida cultural em constante circulação. Em janeiro, dentro da programação do Sesc Verão 2026, a “Volta Ciclística Noturna” convidou o público a contemplar São José do Rio Preto sob uma perspectiva diferente, pautada na inclusão, na sensorialidade e na cooperação. 

A pedalada reuniu participantes dispostos a viver o espaço urbano pelo frescor da noite, pelas luzes que redesenham as paisagens e pelos sons que orientam caminhos. Entre eles estava Samuel Stumpf, o Samuca, ciclista com 7% da visão, que percorre a cidade guiado principalmente pelos sons e pela orientação de quem pedala ao seu lado. 

Volta ciclística com Samuel Stumpf – paraciclista. Fotos Fernando Carvalho 

O gaúcho desenvolveu estratégias próprias para pedalar: além do som do sininho da bicicleta à frente, ele se guia pelo toque, segurando no ombro ou sendo orientado por alguém ao lado. Mais do que um desafio individual, sua presença transformou o passeio em um exercício coletivo de confiança e percepção. 

Fotografia que expande o olhar 

Se a pedalada convidou a cidade a ser sentida pelo som, o registro da atividade ampliou ainda mais essa experiência sensorial. Quem assinou as imagens foi o fotógrafo João Maia, pessoa com deficiência visual e referência em fotografia acessível no Brasil e no mundo. 

08/01/2025, Quinta feira – Palestra João Maia (Fotografia Cega) no Sesc Rio Preto ©JMendesphotovideo55 11 94693 3063

Fotógrafo, educador e palestrante, João é natural do Piauí, licenciado em História e pós-graduado em Fotografia. Idealizador do projeto Fotografia Cega (@fotografiacega_), propõe uma nova forma de olhar e sentir a imagem a partir da sensorialidade, expandindo o entendimento tradicional da prática fotográfica. 

João, foi um dos fotógrafos cegos a cobrir três edições consecutivas dos Jogos Paralímpicos, Jogos Paralímpicos Rio 2016, Jogos Paralímpicos Tóquio 2020 e Jogos Paralímpicos Paris 2024, e já se prepara para Los Angeles 2028. Seu trabalho já esteve em espaços como o Unibes Cultural, além de exposições em Yokohama (Japão) e na Universidade Panthéon-Sorbonne (França). 

Fotos por João Maia e edição por MENDES

A edição reafirmou que o esporte é movimento em todas as suas dimensões: quando a cidade se abre para experiências inclusivas, quando diferentes corpos ocupam o espaço público e quando novas formas de perceber o mundo ganham visibilidade. 

Valorização que se constrói no cotidiano 

No Sesc, a valorização social se traduz em ações concretas que vão além do lazer e da cultura. Por meio de oficinas, cursos, feiras e passeios inclusivos, o Sesc promove aprendizado, autonomia e protagonismo, oferecendo oportunidades de trabalho, expressão artística e participação cidadã. Projetos como passeios acessíveis com intérpretes de Libras, oficinas de arte e atividades culturais adaptadas, bem como debates sobre inclusão e acessibilidade, demonstram na prática o compromisso da instituição em reconhecer, valorizar e ampliar a visibilidade de pessoas com deficiência, construindo uma convivência mais justa e transformadora para todos.

Utilizamos cookies essenciais para personalizar e aprimorar sua experiência neste site. Ao continuar navegando você concorda com estas condições, detalhadas na nossa Política de Cookies de acordo com a nossa Política de Privacidade.