
Leia a edição de Janeiro/26 da Revista E na íntegra.
Passei minha primeira infância na zona Norte de São Paulo, na beira da rodovia Fernão Dias, quando a vida era mais simples, nos anos 1980. Vôlei com um elástico esticado no poste, basquete nas cestas das lixeiras das casas, corridas no quarteirão, bicicletas… Ah! Quase vivíamos nelas. Em paralelo, sempre houve o futebol, aquele que me ajudou a ser quem sou. Dos campinhos de terra, das ruas duras e ásperas às quadras oficiais, não demorou muito e lá estava eu: primeiro, representando a rua, depois, a escola, o bairro e, por fim, o clube da região.
Teve ainda muito mais: a parte do Mario torcedor. Minha primeira lembrança esportiva marcante foi a triste eliminação da Copa do Mundo de 1986 contra a França, nos pênaltis. Não entendia bem, mas percebi como o esporte influenciava as pessoas. Vi tios, pai e amigos chorarem pelo futebol pela primeira vez. Depois, vieram outras memórias, boas e ruins: o ouro olímpico de Aurélio Miguel, em 1988, no judô, as manhãs de domingo assistindo Ayrton Senna, os meninos do vôlei masculino e o ouro inédito em Barcelona 1992, o tetracampeonato mundial de futebol, imortalizado pelo “É Tetraaaa” – como esquecer esse dia?
Em 1996, a dupla de vôlei de praia colocou as mulheres no topo do pódio pela primeira vez com Jacqueline e Sandra, conquista inesquecível. Outro marco aconteceu em 1997, quando surgiu um menino, manezinho da ilha de Florianópolis, cabeludo: Gustavo Kuerten, nosso Guga. Primeiro brasileiro campeão de tênis em Roland Garros. Foi no mesmo ano em que comecei meus estudos em educação física, transformando paixão em profissão.
No trabalho, impossível não citar memórias marcantes das edições do Sesc Verão, projeto que celebrou 30 anos em 2025. A primeira vez, foi como estagiário no Sesc Consolação, em 2000, na caminhada rumo ao Vale do Anhangabaú, em sua 5ª edição. Depois, a 14ª edição sobre Inteligências Múltiplas, já como técnico no Sesc Pompeia, que discutia a adaptabilidade humana. E, por fim, em 2016, no Sesc Itaquera, quando desenvolvemos uma quadra oficial de handebol e, em parceria com a Federação, recebemos eventos relevantes.
Na edição atual, as unidades vão apresentar eixos temáticos que associam modalidades, mostrando por que algumas práticas se tornam populares, enquanto outras, nem tanto, e qual é o papel do praticante, dos territórios e dos ídolos nacionais. Será um momento de experimentação e de construir novas memórias.
Recentemente, ouvi em uma padaria, no litoral de São Paulo, o seguinte comentário: “Como ele mudou. Antes rude, agora, leva a vida mais na esportiva. Está feliz”. Refleti bastante sobre isso e percebi como o esporte é sinônimo de uma vida boa, leve, integrada e com propósito. Só posso desejar a todos que leem este texto que consigam também viver a vida na esportiva – porque ela é, de fato, muito boa.
Mario Augusto Silveira é especialista em esporte e política pela Universidade de Campinas (Unicamp) e em fisiologia do exercício pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Atua como técnico da Gerência de Desenvolvimento Físico-Esportivo do Sesc São Paulo.
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