Histórias de Ouro Preto: a cidade em cada canto

07/02/2022

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Vamos passear por essa cidade histórica em um podcast com 5 episódios, guiados por memórias, poemas, fatos, curiosidades e, principalmente, pelos ouro-pretanos.

Com um roteiro baseado no Guia de Ouro Preto, escrito por  Manuel Bandeira, mas também sob a ótica de moradores e pesquisadores locais, vamos desvendar os mistérios de uma cidade que esconde muitas curiosidades, histórias e tradições.

Até se tornar um Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, em 1980, Ouro Preto passou por constantes reinvenções. Desde a pobreza causada pela exaustão da jazida de ouro, no século 19, a cidade se reergueu com a ebulição de sua vida como centro político, administrativo e educacional da província de Minas Gerais, no início do século 20. Já com a transferência da capital para Belo Horizonte, Ouro Preto se viu novamente em mais um abandono.

Foi em 1919, após uma viagem de Mário de Andrade à cidade vizinha de Mariana para visitar o amigo e escritor Alphonsus de Guimaraens, que Ouro Preto viveria mais uma vez uma nova fase de sua história. Empolgado com tudo o que viu, o poeta prometeu voltar. E foi em 1924 que Ouro Preto foi visitada pela caravana modernista e redescoberta pela importância atribuída ao barroco, e a Aleijadinho em especial, entendido como formador de  raízes identitárias da cultura brasileira.   

O Guia de Ouro Preto, de 1938, foi encomendado a Manuel Bandeira por Rodrigo Melo Franco de Andrade, diretor do SPHAN (IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – da época), para apresentar uma cidade que estava sendo tombada como patrimônio nacional. E é ele, Manuel Bandeira, quem vai nos ajudar, a partir de agora, a percorrer os caminhos de Ouro Preto.

Primeira parada: Igreja de São Francisco de Assis

A Igreja de São Francisco de Assis é uma das mais famosas do Brasil e também um dos símbolos de Ouro Preto. Considerada uma das grandes obras de Aleijadinho, neste episódio vamos descobrir os detalhes de suas esculturas em pedra sabão, além de passar por outros artistas como Mestre Ataíde, que também tem um de seus maiores trabalhos pintados no teto da igreja, a Assunção de Nossa Senhora.

Passearemos também pela tradicional feirinha de pedra sabão, no Largo de Coimbra, em frente à igreja, que também é um dos pontos de encontro entre turistas e artesãos locais.

Para descobrir um pouco mais sobre esses pontos turísticos, o episódio conta com a participação do restaurador Gustavo Bastos e também do professor Victor Vieira de Godoy.

Uma viagem ao centro da Terra

No segundo episódio vamos adentrar as minas de ouro, subindo as serras, entrando nessas grutas cheias de mistérios. Muitos moradores possuem minas em seus quintais e abrir esses espaços para a visitação, pesquisa e turismo também se tornou uma forma de renda familiar.

Com a participação do professor Osmar Alves de Oliveira Júnior e da historiadora Sidneia dos Santos, ouro-pretana e guardiã de uma parte essencial da memória da cidade, vamos aprender mais como a resistência, a sabedoria e a manifestação do povo negro foi fundamental na construção da riqueza, da história e da cultura de Ouro Preto.

Igreja de Santa Efigênia: um livro oculto novamente revelado

Seguimos na companhia do poeta Manoel Bandeira, que em seu guia de Ouro Preto nos ajuda a entender melhor a história desse templo, que passa pela trajetória de um dos personagens mais importantes das Minas antigas, o lendário rei africano Chico Rei.

Mão de obra para a construção das igrejas de Ouro Preto, os escravizados fizeram interferência em algumas regras da arquitetura oficial para manter, mesmo de forma velada, seus cultos originais.

Com a participação do guia turístico Marcelo José Dias Hipólito e de Edson Guimarães, capitão da guarda de Moçambique, desvendaremos um pedaço da África na América. Desde os símbolos marcados na igreja até o renascimento de uma tradição adormecida, a festa do Reinado de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia, que conta com vários grupos que mantém viva a cultura e a resistência das tradições do povo negro.

A tradição da contação de história

Uma herança que passa de geração em geração, a contação de história faz parte da cultura local. Em seu Guia de Ouro Preto, Manuel Bandeira ilustra seu texto com diversos causos que ouviu por suas andanças na cidade.

Essa tradição também serviu de inspiração a diversos artistas locais na criação de espetáculos, que são encenados pelas ruas, praças, museus e igrejas.

Os sons da cidade

No quinto e último episódio da série vamos falar sobre os sinos, o som presente em quase todos os lugares da cidade. Com diferentes timbres e nomes, os ouro-pretanos são capazes até mesmo de reconhecer cada um deles e como cada sonoridade pode definir um tipo de festa, celebração e um território.

Cristian Dias, sineiro da nova geração, conta um pouco da sua relação com os sinos e como essa tradição é importante na cultura da cidade. Além dele, o professor Victor Vieira de Godoy relata alguns episódios inusitados sobre os sinos de Ouro Preto.

Os episódios são ilustrados com registros dos  fotógrafos ouro-pretanos Lucas de Godoy e Victor de Godoy. A produção do podcast é da Nitro Histórias Visuais, com realização do Sesc Santana.

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