O Papo Transitinerante é uma iniciativa do IBRAT SP, que está em sua quarta edição, sendo a terceira edição realizada no Sesc Pompeia. Essa iniciativa nasce a partir do projeto Boteco Transitinerante, criado pelo coletivo em 2022. O Boteco Transitinerante é um bar que se move pela cidade pelos mais diversos territórios, (re)construindo a memória transmasculina.
A proposta central do Papo Transitinerante é recriar a atmosfera acolhedora e informal de um barzinho, onde as trocas de experiências acontecem de forma fluida, horizontal e espontânea, afastando o formato tradicional de palestra e a rigidez acadêmica do processo de aprendizado.
Esse formato é especialmente relevante, pois pessoas trans frequentemente enfrentam discriminação e violência em espaços formais como escolas e universidades. Muitas vezes, ambientes que remetam a uma sala de aula acabam afastando esse público, que se vê desconectado de formatos mais tradicionais e hierárquicos.
A quarta edição tem como tema “Chão e Teto: transmasculinidades na luta por direito à Terra e à moradia“. Através de um papo sobre experiências de pessoas transmasculinas não brancas, a proposta é ampliar o debate sobre raça e gênero a partir de um eixo central e urgente: o direito à moradia e à terra. Mesmo dentro dos espaços democráticos de disputa por direitos, ainda é frequente a ausência de um olhar que nomeie quem são os sujeitos mais atingidos pela falta de políticas públicas efetivas.
Essa conversa potente busca romper silêncios históricos, evidenciando que as transmasculinidades estão diretamente atravessadas pelas desigualdades sociais, pelo racismo estrutural e pela precarização do direito de existir com dignidade e que, ao contrário do que muitos supõem, estão ativamente organizadas, politizadas e em movimento. Para atravessar também o campo sensível da arte, o evento contará com a apresentação de Gabrelú, que transita entre rima e poesia para questionar o que nos é imposto enquanto sociedade e o que, de fato, precisamos construir coletivamente.
A atividade conta ainda com o pocket show Gabrelú e intervenção com os dançarinos Minueto, Edan Mar, Lonan Kiomin e Dj Tayan.
O IBRAT-SP (Instituto Brasileiro de Transmasculinidades – Núcleo São Paulo) é uma organização da sociedade civil que atua na garantia de direitos, visibilidade e saúde da população transmasculina, sendo responsável por marcos como a realização da Primeira Marcha Transmasculina do Brasil e do mundo e pelo Papo Transitinerante
“Habitar, Morar e Ser para Viver” é uma performance de quatro artistas transmasculinos, que atravessa as relações entre corpo, casa e pertencimento. Transformamos o próprio corpo em arquitetura de abrigo, reivindicando a moradia como um direito fundamental. Elenco: Minueto, Edan Mar, Lonan Kiomin.
Felipe Fly tem 31 anos e é coordenador do Movimento de Luta dos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), tendo organizado, morado e participado de dezenas de ocupações desde 2015. Além das lutas nas ruas, organiza cursos de formação pela Escola Tamuya e pela Escola Nacional Eliana Silva.
Thaisson Rodrigues de Campos, 29 anos, compõe a coordenação do Coletivo LGBTI+ Sem Terra do Paraná, morador do Assentamento Maila Sabrina no município de Ortigueira há aproximadamente 13 anos.É graduado em Ciências Sociais e Humanas pela UFFS- Campus Laranjeiras do Sul-PR e pós graduando em Educação do Campo, Curso Realidade Brasileira através de seus pensadores pela UFPR.
Jarê Aikyry, ativista socioambiental e jovem indígena, Jarê é diretor executivo da rede Engajamundo e coordenador do Miriã Mahsã coletivo de indígenas LGBTQIA+ do Amazonas. Trabalha há, pelo menos, 7 anos com a agenda socioambiental, incidindo nas negociações de clima da ONU e em políticas climáticas no âmbito nacional. Pesquisa a intersecção entre raça, gênero e mudanças climáticas com
foco nas vivências de pessoas indígenas LGBTQIA+.
Gabrelú tem 29 anos e nasceu em Votorantim, interior de São Paulo, onde teve os primeiros contatos com a arte em oficinas culturais. No teatro, descobriu o prazer da performance; no audiovisual, aprendeu a documentar a cena do hip-hop local. Essas experiências formaram a base para um artista multifacetado, que transita entre linguagens e carrega no rap sua maior forma de expressão.