Esgotado
Duração: 720 minutos
atividade online
Grátis
Local: Plataforma Online
Inscrições a partir do dia 30/6, às 14h
Datas e horários
14/07 a 23/07
Esgotado
Quais as relações históricas entre cinema, colonialismo e colonialidade? Por que, para que e para quem interessa a ideia de “cinema ou filme decolonial”? Faz sentido o esforço de colocar realizações brasileiras na rota dessa classificação? Quais seriam as proximidades e os distanciamentos entre cinemas/filmes anticoloniais, decoloniais e contra-coloniais? Existiriam características estético-formais e discursivas nesses cinemas/filmes? Como analisar isso a partir da materialidade das obras e de uma perspectiva histórica?
Partindo desses questionamentos, o curso “Cinema, (contra)colonialismo e (de)colonialidade” propõe uma abordagem da história do cinema nacional e estrangeiro, e de suas contemporâneas produções, em perspectiva crítica quanto às suas relações com os colonialismos dos séculos XVI e XX e a colonialidade. Afinal, como apontam autores como Frantz Fanon, Joaquim Barriendos e Patricia Hill Collins, nossa forma de olhar e construir imagens sobre o mundo foi forjada sobre dinâmicas de construção de matrizes de regimes visuais racializantes produzidas a partir dos processos coloniais e de seus intrínsecos dispositivos de racialização e de construção e hierarquização das diferenças. Além disso, se apenas uma década separa a Conferência de Berlim (1884/1885) da primeira sessão com cinematógrafo promovida pelos irmãos Lumière na França de 1895, é necessário pensar o cinema como tecnologia e arte industrial atreladas, desde seu surgimento, à funcionalidade do projeto colonial e da corrida imperialista.
A partir dessa historicidade, são propostas discussão de filmes antigos e contemporâneos que podem ser entendidos como respostas dialógicas – mais ou menos intencionais – às relações entre cinema, colonialismo e a chamada colonialidade e às imagens e narrativas advindas delas. Assim, são abordados não apenas os cinemas africanos, como também os cinemas afro diaspóricos e, mais recentemente, os cinemas indígenas.
O estudo é proposto a partir de uma historicização devida da Teoria Decolonial, considerando as demais teorias que a originaram, as perspectivas epistemológicas que a contestam – como o “contra colonialismo” de Antonio Bispo dos Santos – e as intrínsecas intersecções entre decolonialidade e perspectivas feministas, antirracistas, anti-imperialistas e demais radicalidades em termos de criticidade histórica, sistêmica (econômica, social e política), discursiva e estético-cultural.
São articulados aprofundamentos de estudos da proponente, como: a pesquisa “Construções do olhar: representações de mulheres negras africanas e europeias brancas em filmes coloniais espanhóis de ficção e não ficção sobre a Guiné Equatorial”, resultante de mestrado em Curadoria Cinematográfica realizado na Elías Querejeta Zine Escola, na Espanha; a Mostra Especial “Falando em línguas, vendo em vistas – (De)Colonialidades e (des)enquadramentos”, programada na 23ª Goiania Mostra Curtas, em 2025; o curso “Cinema, (contra)colonialismo e (de)colonialidade” oferecido no Centro de Pesquisa e formação do Sesc, também em 2025; a oficina Cinemas Negros – Narrativas Decoloniais, ofertada durante a edição 2023 da OJU – Roda Sesc de Cinemas Negros e a sessão “Filmes decoloniais?”, idealizada para a edição 2022 do FestCurtasBH (Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte).
O conteúdo abordado está estruturado conforme os seguintes eixos:
1) Historicidade e definição da Teoria Decolonial;
2) Questões de imagem: desconstruções do olhar;
3) Relações entre Cinema e Colonialismo I: cinemas/filmes coloniais e anticoloniais;
4) Relações entre Cinema e Colonialismo II: especificidades da América Latina, com destaques para o Brasil;
5) Filmes anticoloniais, contra coloniais e decoloniais em uma “longa contemporaneidade”.
Com Mariana Queen Nwabasili, jornalista e pesquisadora, doutoranda e mestra em Meios e Processos Audiovisuais pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Mestra em Curadoria Cinematográfica pela Elías Querejeta Zine Eskola, na Espanha, instituição de artes vinculada à UPV (Universidade do País Vasco) e à Tabakalera – Centro Internacional de Cultura Contemporânea. Curadora de diversas mostras e festivais de cinema como a Mostra de Cinema de Tiradentes, Cabíria Festival Audiovisual, Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP) e Mostra de Cinema de Belo Horizonte (CineBH). Atua na crítica de cinema, tendo participado da 10ª edição do Critics Academy do Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, em 2021. Pesquisa representações e recepções cinematográficas vinculadas a raça, gênero, classe, colonialismo e (de)colonialidade, sobretudo no cinema brasileiro.
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