atividade presencial
Local: sala 5
O Teatro Experimental do Negro (TEN), fundado por Abdias Nascimento em 1944, inaugurou uma nova perspectiva na cena teatral brasileira ao enfrentar o blackface, promover o protagonismo negro e articular teatro, política e educação como instrumentos de transformação social. Sua estreia com O Imperador Jones, em 1945, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, constituiu uma ruptura simbólica: pela primeira vez, atores e atrizes negros ocuparam papéis centrais em um espaço até então marcado pela exclusão racial.
Décadas mais tarde, em 1961, o TEN consolidaria parte desse legado com a publicação de Dramas para Negros e Prólogo para Brancos, antologia organizada por Abdias Nascimento que reuniu peças encenadas ou escritas para o grupo. A obra, com capa de Mário Cravo e fotografias de José Medeiros, foi saudada por escritores como Jorge Amado, Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade, afirmando-se como um marco editorial na valorização da dramaturgia negra no Brasil e na diáspora.
Celebrando os 80 anos de fundação do TEN e a reedição da antologia pela Editora Temporal, este minicurso propõe articular memória, crítica e reflexão sobre a importância histórica e cultural da companhia e de sua produção. Por meio de ensaios, depoimentos inéditos, análises de textos, imagens e registros audiovisuais, a atividade oferece um mergulho na trajetória do TEN e no alcance de sua obra, que segue inspirando debates sobre representatividade, negritude e identidade cultural.
Ao celebrar a memória, a atualidade e o legado do Teatro Experimental do Negro ¿ companhia que revolucionou a cena teatral brasileira ao questionar estereótipos e afirmar o protagonismo negro, o minicurso busca também ampliar o acesso à sua produção e difundir reflexões críticas sobre sua relevância cultural, artística e política.
Encontro 1: O Teatro Experimental do Negro e sua Revolução Cênica
– Contexto de fundação do TEN (1944) e a estreia de O Imperador Jones (1945).
– Blackface e racismo no teatro: a resposta do TEN.
– Formação de artistas como Ruth de Souza, Léa Garcia e Aguinaldo Camargo.
Encontro 2: Dramas para Negros e Prólogo para Brancos – História e Atualidade
– O lançamento histórico de 1961 e sua recepção pela imprensa e intelectuais.
– A dimensão internacional da obra: Pan-Africanismo e Negritude.
– Leituras comentadas de trechos da antologia e debate sobre sua relevância hoje.
– Exibição de trechos do documentário Ecos do Teatro Experimental do Negro (dir. Daniel Solá Santiago).
Com Christian Moura, graduado em história e mestre em Artes pela UNESP, doutor em Artes pela UFMG. Professor de História no IFSP, atua como pesquisador do Neabi/IFSP. É autor de textos biográficos na reedição do livro Drama para Negros: Prólogo para Brancos (TEN, Temporal Editora/Ipeafro) e roteirista do documentário Ecos do Teatro Experimental do Negro, dirigido por Daniel Solá Santiago. Atualmente desenvolve pesquisa e prepara uma obra inédita sobre a história do TEN, a ser publicada pela Editora Objetiva.
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