Iní Berê – Somos Todos Estrangeiros é uma aventura afrofantástica que acompanha Okan, um menino baiano de 12 anos no espectro autista que enfrenta o desconforto de seus longos dreads e a constante sensação de não se encaixar. Guiado por um amuleto entregue por sua avó Fátima, ele atravessa o mar e chega a KIZAZI, a terra dos estrangeiros: uma ilha de território ancestral e afrofuturista, invisível aos olhos dos humanos das terras comuns, situada na Bahia de Todos os Santos e protegida pela Rainha das Águas Salgadas. Lá, conhece Iní Berê, uma jovem Jeli e fazedora de moda, que o conduz por uma jornada em que tecnologia, espiritualidade africana e corporeidades afro-diaspóricas se entrelaçam.
A dramaturgia foi escrita por Jéssica Mendezz (atriz e educadora do ensino básico) como um projeto para fortalecer a formação da identidade preta e o combate ao racismo na infância, a partir da valorização da pele negra em suas diferentes camadas de colorismo, do cuidado e respeito aos cabelos afros e do reconhecimento da descendência preta. A peça parte da compreensão de que o racismo se inicia na infância, por meio de apagamentos, rejeições e pequenas agressões cotidianas, e busca enfrentá-lo mostrando que aprender sobre a história, a cultura e as tradições negras pode ser prazeroso, afetivo e divertido. O espetáculo propõe a aproximação com a cultura afro-brasileira e africana, com ênfase nas tradições baianas, preservando e celebrando essa “pequena África” brasileira. De forma lúdica e sensível, a obra convida crianças e educadores a refletirem sobre os materiais de ensino utilizados na escola, estimulando o pensamento crítico, a curiosidade e o surgimento de dúvidas entendidas aqui como motor do aprendizado sobre si e sobre o outro, sempre no campo do respeito.
A direção de Ini Berê – Somos Todos Estrangeiros reúne três artistas com trajetórias marcadas pela pesquisa, criação e valorização das culturas afro-brasileiras. Thaís Dias, diretora artística e multiartista da cena negra contemporânea, desenvolve trabalhos voltados à ancestralidade e às poéticas da negritude; Fagner Saraiva, codiretor, é pesquisador das comicidades negras e da palhaçaria preta, atuando como artista, dramaturgo e educador; e Jessica Mendezz, idealizadora e dramaturga, é pesquisadora das culturas africanas e afro-brasileiras, com ampla atuação em teatro, produção cultural e projetos de impacto social. Juntos, constroem uma criação cênica comprometida com arte, diversidade e transformação social.
Ficha Técnica
Direção: Thaís Dias
Codireção: Fagner Saraiva
Dramaturgia: Jessica Mendezz
Elenco: Jessica Mendezz, Jefferson Mathias, Andrei Gonçalves, Julio Rhazec e Tamara Castro
Direção Musical: Julio Rhazec
Cenografia: Eliseu Weide
Cenotécnico: Samuca Negreiros
Desenho de Luz: Lucas Auoran
Operação de luz: Cayenne Moreira
Téc. de som: Sidney Gomes
Fotos: Paullo Amarall
Direção de produção: Lilith Cristina e Uli Dias (Encantaria Produções)
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