Datas e horários
03/10 a 09/05
A exposição propõe uma leitura crítica da formação cultural brasileira a partir das margens geográficas, sociais e simbólicas que constituíram o país. Tendo o Ipiranga como ponto de partida e metáfora das diásporas e confluências de São Paulo, a mostra evidencia como agentes historicamente excluídos produziram narrativas, memórias e estéticas fundamentais para a arte brasileira.
A reunião de obras contemporâneas e artefatos de caráter histórico entre os quais se destacam os acervos da Missão de Pesquisas Folclóricas de 1938 e do Acervo Histórico Municipal evidencia as continuidades (e descontinuidades) entre tradições artesanais, religiosidades de matrizes afro e indígenas, práticas populares e experimentações formais do presente. O diálogo entre distintos tempos e linguagens ¿ pintura, escultura, xilogravura, fotografia, instalação, têxteis, performance e luteria articula uma narrativa que sublinha a força estética e política das produções oriundas das margens do capitalismo e do sul global.
A mostra coloca igualmente em perspectiva crítica o entorno arquitetônico do Sesc Ipiranga, limítrofe ao Museu Paulista da USP, contrapondo os monumentos erigidos pela elite cafeeira às expressões de artistas que reelaboram memórias comunitárias, femininas, afro-brasileiras, indígenas, migrantes e populares.
Entre as pesquisas reunidas, sobressaem abordagens que revisitam tecnologias ancestrais como a cerâmica, a madeira e os têxteis, ressignificam ícones religiosos em perspectiva transculturada ou afrofuturista, exploram o cotidiano das periferias urbanas, tensionam práticas domésticas associadas ao feminino, interrogam arquiteturas excludentes e celebram saberes tradicionais. Artistas como Antonio Pulquério, Eduardo Ver, Sérgio Lucena, Taygoara Schiavianotto, Nita Monteiro, Cleiri Cardoso, May Agontinme, Carolina Velásquez, Desali, Denis Moreira, Deusvaldo Pereira, Erica Ferrari, Luís Guimarães e Mestre Aécio de Zaira expressam, cada qual a seu modo, a vitalidade e a complexidade dessas matrizes culturais.
Ao afirmar que a história brasileira constitui um território em disputa marcado pelas violências do processo colonial, mas também por forjas culturais de extraordinária riqueza , a exposição convida à reflexão sobre um passado que permanece vivo e que leituras hegemônicas insistem em invisibilizar. Margem de dentro posiciona, assim, a arte como campo de memória, resistência e invenção, instando o público a reconhecer a pluralidade de vozes que, a partir das fronteiras, contribuem para redefinir a história da arte no Brasil.
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