Duração: 120 minutos
atividade presencial
Grátis
Local: CPF - 4º Andar
Data e horário
Dia 3/9, quinta, das 19h30 às 21h30.
Tomando a última viagem de Ulisses narrada por Dante como metáfora do ponto sem retorno, a conferência discute o irreversível na política moderna. A partir de Hannah Arendt e Claude Lefort, examina como revolução e totalitarismo expressam caminhos opostos da liberdade, entre a criação de novos começos e sua destruição.
No canto XXVI do Inferno, Dante reimagina a última viagem de Ulisses, que ultrapassa as Colunas de Hércules “símbolo do limite do mundo conhecido” e avança rumo ao desconhecido, atravessando um ponto sem retorno. Mais do que uma aventura, essa travessia representa a abertura de um novo horizonte para a liberdade humana: um espaço marcado pela incerteza, pela ausência de referências seguras e pela possibilidade de criar novos sentidos para a existência. Partindo dessa alegoria, a conferência propõe refletir sobre o irreversível como dimensão constitutiva da política moderna. Ultrapassar o ne plus ultra significa ingressar em um campo de indeterminação, no qual a liberdade torna-se capaz tanto de inaugurar novos começos quanto de produzir seus próprios excessos.
À luz das reflexões de Hannah Arendt e Claude Lefort, a exposição examina dois acontecimentos decisivos da modernidade: a revolução e o totalitarismo. Ambos expressam uma transformação profunda na relação entre tempo, espaço e ação política, ao afirmar a capacidade humana de recriar o mundo. Entretanto, seguem direções opostas. Enquanto a revolução busca fundar novas formas de liberdade e sustenta o horizonte democrático, o totalitarismo leva essa potência criadora ao extremo de sua negação, convertendo a destruição da liberdade em princípio de organização política.
Como compreender o surgimento dessas duas experiências do irreversível? Em que medida a liberdade, ao romper antigos limites, pode abrir caminho tanto para a emancipação quanto para sua própria supressão? A conferência investiga essas questões, explorando a ambiguidade dos novos começos e os desafios que acompanham toda travessia sem retorno.
Com Helton Adverse, professor titular do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador bolsista de produtividade do CNPq. Doutor em Filosofia, desenvolve pesquisas em Filosofia Política, com ênfase no pensamento renascentista e contemporâneo, especialmente nas obras de Hannah Arendt e Claude Lefort. Investiga temas como liberdade, conflito, ideologia, totalitarismo e secularização. É autor, entre outros livros, de Maquiavel: Política e Retórica (2009), Reflexões sobre Maquiavel (2015), Quentin Skinner (2018) e Maquiavel e a História de Florença (2025).
Esta programação integra o ciclo Mutações Sem retorno: caminhar a sombra das ideias, com curadoria de Adauto Novaes.
Retirada de ingressos 1 hora antes na bilheteria do Centro de Pesquisa e Formação Sesc.
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