Duração: 120 minutos
atividade presencial
Grátis
Local: CPF - 4º andar
Dia 24/9, quinta, das 19h às 21h
A tese de doutorado trata de disputas acerca do acesso de pessoas trans às práticas esportivas, particularmente do futebol, que mesmo sendo o esporte mais popular do país, caracteriza-se pela hegemonia masculina cis heteronormativa. Neste exercício etnográfico, foram realizados trabalhos de campo com diferentes recortes empíricos. Dentre eles, parte da rotina de times de futebol transcentrados, como o Instituto Meninos Bons de Bola (IMBB), criado em agosto de 2016 na cidade de São Paulo (SP) e considerado o primeiro time de pessoas trans do Brasil. Outro coletivo pesquisado foi o Transviver F.C, da cidade do Recife (PE), criado em 2018, como um desdobramento das ações do Instituto Transviver, que atende e desenvolve ações variadas para a população LGBTI+ do estado de Pernambuco.
Formados inicialmente por homens trans e pessoas transmasculinas, em uma conjuntura de emergência pública das transmasculinidades (Guilherme Almeida; Raquel R. Carvalho, 2020), grande parte desses times hoje acolhem mulheres trans, travestis, transfemininas e pessoas não binárias. A crescente ocupação de praças esportivas e a reivindicação do direito à aparição por meio do futebol acontecem em meio a proliferação de projetos de lei que visam restringir o acesso de pessoas trans ao esporte e seu direito à participação em competições oficiais em consonância com a sua identidade de gênero. Trata as discussões em torno do PL 346/2019, protocolado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP). Pânicos morais foram disseminados por diversos apoiadores do projeto, apelando a imaginários estigmatizantes e de perigo associados às pessoas trans – em especial, às mulheres trans e travestis.
Na pesquisa, a articulação de parlamentares trans e seus mandatos, atletas profissionais e amadores, pessoas pesquisadoras e ativistas para a construção de alianças e produção de contra narrativas com o propósito de barrar esses projetos e fortalecer a luta pelo reconhecimento do direito da população trans ao lazer e às práticas esportivas. Por fim, o trabalho de campo em Buenos Aires, Argentina, acompanhando as trajetórias e entrevistando mulheres trans que atuam no futebol feminino profissional argentino, como Mara Gómez e Jezabel Carranza. A pesquisa reflete sobre a influência da atuação de movimentos feministas e transfeministas locais e da Lei de Identidade de Gênero vigente no país no reconhecimento legal e na aceitação dessas atletas no futebol feminino, o que vem contribuindo para a desconstrução de estigmas e imaginários pejorativos acerca de mulheres trans e travestis. Em um contexto de ofensiva política global anti trans e de tentativas de cerceamento do direito de pessoas trans acessarem as práticas esportivas, esta tese visa contribuir com a qualificação das discussões sobre a presença de pessoas trans no esporte. Esta etnografia reflete sobre como a cisnormatividade e o binarismo impactam as trajetórias esportivas e de vida de pessoas cujos corpos e subjetividades tensionam tais normatividades. Em diálogo com epistemologias trans, além de descrever e analisar as múltiplas barreiras com as quais estas pessoas se deparam no acesso às práticas esportivas,reflete sobre como pessoas trans estão desafiando a cisgeneridade e a binariedade, ao construírem espaços seguros, transcentrados, para jogarem bola. Dessa forma fazem do esporte e do pertencimento a uma equipe de futebol importantes dispositivos de afirmação identitária e política e de ocupação de espaços públicos, promovendo uma transição do esporte considerado o mais popular do país.
Com Maurício Rodrigues Pinto, doutor em Antropologia Social, pela Universidade de São Paulo (PPGAS-USP). Graduado em História pela Universidade de São Paulo (USP), mestre no programa interdisciplinar Mudança Social e Participação Política (USP). Pesquisador vinculado ao Núcleo de Estudos sobre os Marcadores Sociais da Diferença (NUMAS).
Curriculum lattes: https://lattes.cnpq.br/3710033041170440
Inscrições a partir do dia 27/8, às 14h, no site do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc ou pelo aplicativo Credencial Sesc SP. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição. O cadastro é pessoal e intransferível.
Ao término do curso, você poderá solicitar sua declaração de participação pelo e-mail declaracao.cpf@sescsp.org.br. A declaração será encaminhada em até 30 dias.
O cancelamento poderá ser realizado com até 48 horas antes do início da atividade, por e-mail: atendimento.cpf@sescsp.org.br
Utilizamos cookies essenciais para personalizar e aprimorar sua experiência neste site. Ao continuar navegando você concorda com estas condições, detalhadas na nossa Política de Cookies de acordo com a nossa Política de Privacidade.