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Presença negras, indígenas e periféricas na literatura para as infâncias.

Marcia Licá e Caio Zero

Centro de Pesquisa e Formação

Duração: 120 minutos

16

atividade presencial

Grátis

Local: sala 5

Data e horário

De 09/04/2026 a 09/04/2026

09/04 • Quinta • 14h00
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No primeiro encontro do Literatura e Direitos Humanos: Para ler, ver e contar, a palavra é convocada como gesto político e poético, como matéria viva capaz de disputar sentidos sobre o mundo e sobre as infâncias. Pensar as literaturas das infâncias é olhar para aquilo que se escreve, se ilustra e se silencia quando se fala com crianças e jovens. É reconhecer que imagens e palavras não são neutras: elas constroem narrativas, moldam imaginários e revelam os modos pelos quais a sociedade vê, escuta e reconhece as infâncias, ou escolhe não reconhecê-las.

Os livros destinados às crianças funcionam como espelhos e retrovisores do tempo presente. Neles aparecem valores, hierarquias, ausências e conflitos que atravessam a vida social. Quando determinadas histórias se repetem e outras não chegam às prateleiras, o que está em jogo é o direito de existir simbolicamente, de se ver representado(a) e de imaginar futuros possíveis. Por isso, discutir a presença de narrativas negras, indígenas e periféricas na literatura para as infâncias é também discutir democracia, justiça social e direitos humanos.

Há seis anos, o Literatura e Direitos Humanos: para ler, ver e contar já reuniu mais de 50 obras literárias, atravessadas por uma curadoria comprometida com a diversidade de vozes, com contribuições de Cuti, Ana Maria Gonçalves, Camila Dias, Rogério Pereira, Letícia Liesenfeld e Bel Santos Mayer. O projeto é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC), organização social que, junto à Rede LiteraSampa, tem fortalecido a atuação de jovens mediadores de leitura em bibliotecas comunitárias, reconhecendo esses espaços como territórios fundamentais de formação cultural e política.

Em um país marcado por profundas desigualdades de acesso ao livro e à leitura, como apontam pesquisas nacionais sobre hábitos leitores, a exemplo do Retratos da Leitura no Brasil, encontros formativos como este reafirmam que a literatura não é privilégio, mas direito. Um direito que começa na infância e se sustenta na escuta, na representatividade e no compromisso ético com as realidades vividas.

Este encontro, portanto, não se limita à análise de obras. Ele propõe um exercício coletivo de imaginação política: pensar que histórias queremos contar às crianças, quem as conta e a serviço de quais futuros. É um chamado para que a literatura siga sendo espaço de encontro, de disputa e de reinvenção do mundo, desde as infâncias.

A atividade é realizada pelo Sesc SP, IBEAC Literatura e o Litera Sampa.

Com Marcia Licá, do Tocantins para favela do Real Parque – zona sul de SP, mulher indígena-negra, mestranda na (FE-USP), na área de concentração Educação, Linguagem e Psicologia, sob orientação de Cláudia Riolfi. Desenvolve a pesquisa “Presenças negras na literatura destinada às infâncias: as leituras das crianças quilombolas do Maranhão”. É graduada em Pedagogia e pós-graduada em Literatura Crítica para Crianças e Jovens.

Caio Zero, arte-educador e autor de livros como Rumi, Aqui e Aqui e Maior Museu do Mundo. Pós-graduado pelo Colégio Pedro II em Artes Visuais. Com seus livros pôde participar de diversas premiações, receber selos e sair em revistas como: Revista Emília e Crescer na lista dos 30 melhores livros infantis de 2023 e 2024 e na lista do The New York Public Library’s Best Books of 2025 com a publicação Sleep here, Wake There, lançada originalmente no Brasil como Aqui e Aqui, também foi finalista do prêmio Jabuti 2025. Além de ser convidado para representar o Brasil na LIFI, Festival Internacional de Ilustração em Lagos, na Nigéria. Atualmente promove a leitura e desenvolve livros ilustrados e histórias em quadrinhos, ministrando oficinas de quadrinhos, ilustração e desenvolve projetos de arte e literatura.

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