Vilões da cultura ou mediadores essenciais? Meu odiado crítico, mostra como Ezequiel Neves, Sérgio Cabral, Júlio Medaglia e Zuza Homem de Mello transformaram a crítica musical brasileira em parte viva da história cultural.
Organizado pelo jornalista e escritor Miguel de Almeida, o livro reúne traços biográficos e uma seleção de textos que atravessam décadas — resenhas e crônicas que vão de Elizeth Cardoso, Ella Fitzgerald, Tom Jobim e Noel Rosa a Caetano Veloso, Novos Baianos, Rolling Stones, Bob Dylan, Martinho da Vila, Pixinguinha, Luiz Melodia, Tim Maia e tantos outros — mostrando como a crítica musical se tornou parte fundamental da nossa identidade cultural.
A memória de grandes autores(as) brasileiros(as) deve ser escrita, e isso é o que faz Miguel De Almeida ao lançar este livro reunindo textos de críticos musicais, entre eles Sérgio Cabral. Cabral foi jornalista, escritor, compositor, pesquisador, biógrafo, entusiasta do samba, crítico…e muito mais. A cultura brasileira, tal qual uma órfã, sente a ausência do mestre.
Martinho da Vila, Cantor-compositor e escritor brasileiro
Uma história da música contada pela crítica
Passando pelo humor único de Zeca Neves e sua visão irreverente da ascensão do rock; por Júlio Medaglia, que transita entre a formação erudita, o futebol e a música popular brasileira em meio à ditadura; pelo rigor afetivo de Sérgio Cabral e sua devoção ao samba; e por Zuza Homem de Mello, cuja escuta técnica e generosa ajudou a fixar o jazz e a revelar artistas, o livro expõe não apenas as singularidades desses quatro autores, mas também sua presença nos pontos de virada da música brasileira.
Miguel faz uma análise profunda sobre a trajetória de importantes críticos. Com talento e inteligência, dimensiona o papel de cada um na cena musical brasileira e coloca muita coisa no seu devido lugar.
Renato Teixeira, Cantor-compositor e músico brasileiro
Ao costurar críticas e crônicas de diferentes décadas, Meu odiado crítico compõe uma discoteca comentada que atravessa do samba urbano carioca ao jazz norte-americano, da bossa nova ao rock progressivo — revelando parcerias (Vinicius e Baden Powell, João Gilberto e Gil), linhagens (de Donga e Pixinguinha a Paulinho da Viola) e diálogos que vão de Cartola a Miles Davis, de Nara Leão a Frank Zappa.
Graças ao seu Meu odiado crítico, temos o privilégio de assistir à construção do diálogo transversal dessas personalidades tão díspares e, apesar disso, essenciais para a construção da crítica brasileira e para a compreensão das múltiplas facetas da música popular do Brasil. Na convergência dessas falas muitas vezes antagônicas, emerge enfim a imagem de nossa complexidade cultural.
Geraldo Carneiro Poeta, dramaturgo e membro da Academia Brasileira de Letras
A crítica como gesto cultural
Longe de serem figuras distantes ou meramente avaliativas, Ezequiel Neves, Sérgio Cabral, Júlio Medaglia e Zuza Homem de Mello escreveram a partir da escuta atenta, do convívio com artistas e do engajamento com as transformações culturais de seu tempo — incluindo a censura e as disputas estéticas durante a ditadura militar. Seus textos ajudaram a formar públicos, pautar debates e influenciar a maneira como a produção musical brasileira foi compreendida ao longo das décadas.
Não é sempre que os vilões da cultura são retrofitados e surgem no papel de heróis. Neste Meu odiado crítico, o personagem, muitas vezes posto na vitrine por suas opiniões, até vilipendiado e incompreendido em sua função, deixa a coxia e entra no palco. Palmas para o crítico.
Miguel De Almeida, jornalista e escritor
:: trecho do livro
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