
É ano de Copa, e a torcida pela Seleção Brasileira faz parte da mobilização coletiva do país. Para entrar nesse clima, a Banca do Sesc Casa Verde recebeu a instalação cenográfica Balas Futebol na Banca, inspirada em edições históricas do torneio, em especial na Copa de 1950, período que marcou o surgimento das figurinhas e dos primeiros álbuns temáticos no Brasil.
Com um acervo que reúne também itens raros, a instalação tem curadoria da historiadora e pesquisadora Aira Bonfim, especialista em história social do esporte. Em conversa conosco, ela compartilhou os processos de pesquisa e composição da mostra criada para a banca. O projeto gráfico é assinado por Tissa Kimoto, designer gráfica e diretora da Pandoala Estúdio.

1. Como parte do aquecimento para a Copa, nossa banca recebeu uma cenografia inspirada no universo clássico do futebol e do colecionismo. O quanto você mergulhou nesse tema e como foi o processo de pesquisa e curadoria para construir essa ambientação?
A pessoa colecionadora é a primeira responsável pelos vestígios dos objetos no tempo. Com o futebol não é diferente. Antes mesmo da existência dos museus esportivos, foram iniciativas particulares, de clubes e de pessoas comuns, que deram o pontapé inicial na preservação de coleções que nos ajudam a compreender as relações do público com esse esporte.
Como pesquisadora, frequento há muitos anos os espaços onde colecionadores organizam suas próprias curadorias e aprendi a reconhecer as transformações do futebol nessas relíquias. Balas Futebol na Banca propõe aproximar o público dos primeiros álbuns de futebol produzidos no Brasil, nas décadas de 1950 e 1960. A partir de fac-símiles, é possível escolher e manusear os álbuns de acordo com o interesse de cada visitante.

2. Além da emoção da torcida em busca do hexa, os álbuns de figurinhas se consolidaram como uma tradição que atravessa gerações. A cada edição da Copa, novos atletas passam a integrar esse imaginário coletivo. Com base na sua pesquisa, como as antigas figurinhas vendidas com balas conquistaram o público e se transformaram em um fenômeno cultural tão duradouro?
As figurinhas da Balas Futebol conquistaram o público porque transformaram uma compra simples em uma experiência de descoberta, coleção e pertencimento. Distribuídas inicialmente dentro de embalagens de balas, elas despertavam o desejo de completar séries, incentivavam trocas entre colecionadores e aproximavam crianças e adultos do universo do futebol.
Ao reunir jogadores, clubes e competições em imagens acessíveis e colecionáveis, esses álbuns ajudaram a construir memórias afetivas em torno do esporte, consolidando uma tradição que atravessa gerações e permanece viva a cada nova Copa do Mundo.

3. Pensando especificamente na Copa de 1950, você consegue dimensionar o acervo com o qual teve contato? Quantas figurinhas, imagens e outros materiais relacionados a essa edição fazem parte da coleção que serviu de referência para o projeto?
Embora seja difícil precisar números exatos, tive contato com dezenas de coleções e milhares de figurinhas produzidas no período — um deleite para quem gosta de acompanhar a evolução do design.
A Copa do Mundo de 1950 inaugura a produção de álbuns no Brasil pela Balas Futebol, e não apenas de figurinhas avulsas. O curioso é que o lançamento dos itens colecionáveis aconteceu após o encerramento do Mundial, o que garantiu a representação correta dos jogadores das seleções participantes — algo que não ocorre atualmente.
Apesar da derrota do Brasil por 2 a 1 para o Uruguai, na final disputada no recém-inaugurado Maracanã, o álbum foi um sucesso de vendas.

Aira F. Bonfim
Aira F. Bonfim é historiadora, curadora e pesquisadora brasileira especializada em história social do esporte, com ênfase no futebol e no movimento paralímpico. Mestre em História, Política e Bens Culturais pela Fundação Getulio Vargas (FGV-CPDOC), atuou por mais de sete anos no Museu do Futebol, em São Paulo, integrando equipes de pesquisa e curadoria de exposições.
É autora do livro Futebol Feminino no Brasil: entre festas, circos e subúrbios, uma história social (1915-1941), finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2024.
Tissa Kimoto
Tissa Kimoto é designer gráfica e diretora da Pandoala Estúdio, com atuação no desenvolvimento de projetos de comunicação visual para exposições, publicações e instalações culturais. Sua prática envolve experiências com equipes multidisciplinares em instituições culturais e projetos de arte contemporânea.
Ao longo de sua trajetória, participou da concepção visual de diferentes exposições no Sesc, como EntreMeadas (2019), no Sesc Vila Mariana. Também integrou projetos expositivos e instalações de grande escala em instituições como a Japan House São Paulo, o Museu do Futebol e o Farol Santander.
SERVIÇO
Ocupação Balas Futebol na Banca
Curadoria de Aira Bonfim
Local: Espaço de Leitura
Terça a sexta, 10h00 ás 18h30
Sábados, domingos e feriados, 10h00 às 17h30
Grátis | Sem retirada de ingresso
Utilizamos cookies essenciais para personalizar e aprimorar sua experiência neste site. Ao continuar navegando você concorda com estas condições, detalhadas na nossa Política de Cookies de acordo com a nossa Política de Privacidade.