O Envelhecimento é Plural: Bate-papo sobre velhice no Sesc Santana

11/08/2026

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A diversidade da velhice, o impacto de fatores sociais na longevidade e as necessidades reais de quem atua no cuidado de pessoas idosas.

Recebemos as gerontólogas Kalita D. e Mariana Zumkeller para uma oficina focada em desmistificar o processo de envelhecimento e quebrar tabus. Kalita D. é graduada em Gerontologia pela USP e especialista em Neurociências pela UNIFESP. Mariana Zumkeller, também formada em Gerontologia pela USP, atua como supervisora de equipes voltadas ao cuidado.

Confira os principais trechos dessa conversa sobre os múltiplos cenários da longevidade, os desafios práticos dos cuidadores e a importância das relações entre as gerações:

Como podemos definir o envelhecimento na prática e o que significa dizer que ele é “democrático” e múltiplo?
O envelhecimento é um processo heterogêneo, com múltiplas formas de ser vivido. Na prática, isso significa que teremos pessoas vivenciando essa fase de todas as formas: desde idosos super ativos, atletas que correm, nadam e fazem ciclismo, até aquelas pessoas que estão acamadas e são totalmente dependentes de cuidados.

Por que a velhice ainda é tratada como um tabu na nossa sociedade?
O assunto ainda é um tabu porque a sociedade carrega uma imagem estereotipada de incapacidade e perda de mobilidade. É muito comum associar o envelhecimento e a velhice apenas a perdas, dependência, inutilidade ou desatualização. Em geral, as pessoas encaram que “o velho é sempre o outro”, afastando-se do tema, quando na verdade o envelhecimento também é marcado por ganhos e novas possibilidades de realização

De que forma fatores sociais como território, gênero, raça e renda impactam a longevidade?
Esses fatores influenciam diretamente a jornada de cada um, pois determinam o acesso aos serviços de saúde. A região onde a pessoa mora, a renda, a cor, o gênero e, especialmente, o nível de educação definem a qualidade do acesso à informação e a capacidade de autocuidado. Envelhecer não é uma experiência igual para todos, pois os determinantes sociais e econômicos influenciam profundamente esse percurso.

Qual é a importância da troca de experiências entre pessoas idosas e as gerações mais novas?
A troca é enriquecedora para todos. As pessoas idosas carregam um patrimônio valioso, oferecendo perspectivas sobre saúde, superação, resiliência e fatos históricos construídos ao longo do tempo. Em contrapartida, as novas gerações trazem importantes contribuições no uso de tecnologias e em novas formas de comunicação. Criar espaços para esse diálogo ajuda a desconstruir preconceitos relacionados à idade.

Falando sobre o dia a dia, quais são os maiores desafios enfrentados por quem cuida de uma pessoa idosa hoje?
O cuidado envolve desafios severos, incluindo a sobrecarga física e emocional, além da dificuldade de conciliar essas demandas com o trabalho e a vida pessoal. Os cuidadores também esbarram na falta de informação, nas questões financeiras e na ausência de uma rede de apoio sólida. É fundamental lembrar que quem cuida também precisa ser cuidado, necessitando de espaços de acolhimento e do compartilhamento de responsabilidades.

O que podemos fazer hoje para garantir que o envelhecimento seja vivido com mais dignidade no futuro
O envelhecimento é um processo que começa no nascimento. Construir um futuro digno exige atitudes no presente, como cuidar da saúde física e mental, cultivar vínculos e planejar aspectos financeiros. Falar sobre velhice independente da nossa idade é essencial, pois quando promovemos uma sociedade mais inclusiva e combatemos o idadismo hoje, estamos construindo o futuro que desejamos para nós mesmos.

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