
Foto: Fernando Lara
Lançado nos anos 1990 e usando a epidemia de cegueira como metáfora da falta de empatia, ética e moral, como o texto provoca o público a encarar suas próprias cegueiras no Brasil de hoje?
Infelizmente, o romance de Saramago tornou-se ainda mais contundente em nossos tempos. O advento das redes sociais, a proliferação de fake news, a crise da democracia, o individualismo e a epidemia de covid-19 deram ao romance uma atualidade assustadora. Esse reflexo das nossas dores explica a reação tão efusiva das plateias.
Após mais de 40 anos de trabalho coletivo, como a forte parceria do grupo serviu de apoio para encarar e encenar no palco o colapso e o egoísmo descritos por Saramago?
O diretor Rodrigo Portella ressaltou que só faria a montagem com um coletivo de conexões profundas. A mensagem do romance reflete a essência dos 45 anos do Grupo Galpão: a coletividade como única saída.

Qual foi o caminho escolhido para estampar a assinatura do grupo em um texto tão consagrado?
O caminho foi reafirmar a união e atualizar o texto – como o primeiro cego ser evangélico e a mulher do médico virar a “Mulher que Vê”, destacando a força do feminino. O grupo traz ainda ironia cômica e um tom esperançoso, sobretudo ao ocupar a rua com o público.
Eduardo Moreira é ator e diretor artístico do Grupo Galpão.
Dentro de um carro, parado no trânsito, um homem fica repentinamente cego. A condição se espalha, mergulhando uma cidade inteira na cegueira e colocando à prova a moral, a ética e as noções de coletivo. A partir do romance de José Saramago, o Grupo Galpão e o diretor Rodrigo Portella criam um espetáculo que se assume como ensaio: os atores não representam literalmente a ficção, mas dialogam com ela, jogam com as personagens do livro e colocam a narrativa a serviço de suas próprias motivações em cena. A montagem revisita a metáfora da perda da visão como espelho do individualismo contemporâneo, do medo e do egoísmo diante da crise coletiva, para propor a solidariedade como caminho possível.
Ficha técnica
Direção e dramaturgia: Rodrigo Portella. Diretores assistentes: Georgina Vila Bruch e Paulo André
Elenco: Antonio Edson, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna, Inês Peixoto/Juliana Martins, Júlio Maciel, Luiz Rocha, Lydia Del Picchia, Paulo André e Simone Ordones
Direção musical, trilha original e paisagem sonora: Federico Puppi
Cenografia: Marcelo Alvarenga (Play Arquitetura)
Figurino: Gilma Oliveira
Interlocução dramatúrgica: Bianca Ramoneda
Iluminação: Rodrigo Marçal e Rodrigo Portella
Adereços: Rai Bento
Visagismo: Gabriela Dominguez
Desenho sonoro, programação e mixagem: Fábio Santos
Assistência de direção: Zezinho Mancini
Assistência de figurino: Caroline Manso
Assistência de cenografia: Vinícius Bicalho
Construção do cenário: Artes Cênica Produções
Costuras: Danny Maia
Fotos: Igor Cerqueira e Mateus Lustosa
Registro e cobertura audiovisual: Luiz Felipe Fernandes
Comunicação: Letícia Leiva e Fernanda Lara
Assessoria de Imprensa: Polliane Eliziário – Personal Press
Projeto gráfico: Filipe Lampejo e Rita Davis
Consultoria de acessibilidade: Oscar Capucho
Operação de luz: Rodrigo Marçal
Operação de som: Vitor Castanheira
Técnico de palco: William Bililiu
Assistente técnico: William Teles
Assistente de produção: Zazá Cypriano
Produção executiva: Beatriz Radicchi
Direção de produção: Gilma Oliveira
Produção: Grupo Galpão
O espetáculo (Um) Ensaio sobre a Cegueira foi apresentado nos dias 7 e 8/09 às 20h, no Sesc Santos.
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