Favela de Barro – Instáveis Moradias em Queda | MIRADA 2026

11/09/2026

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Foto: Fernanda Luz


Entrevista com Jezuz Pereira | Ator


Como a pesquisa histórica dialoga com a realidade contemporânea das periferias de Cubatão no palco? 

Falar de favela é escancarar o projeto de país que o Brasil escolheu: crescer sem resolver onde o povo vai morar. Partir de Canudos mostra que a disputa pelo direito à moradia atravessa nossa história. Mais de um século depois, a falta de saneamento, água, saúde e moradia digna persiste. A peça retrata as consequências desse projeto de exclusão.  

Como o corpo, entendido como “arquivo vivo”, expressa a tensão do apagamento e a urgência da peça?  

Nosso corpo carrega a memória de pais, avós, amigos e vizinhos – na fala, nos afetos, na cultura e no jeito de ocupar o mundo. O Teatro Pós-Épico nasce desse entendimento: o corpo já é teatro. As histórias que atravessam esses corpos são dignas de virar poesia e ocupar palcos onde historicamente foram silenciadas.  


Foto: Fernanda Luz

De que forma a poética do barro e o Teatro Pós-Épico afirmam as periferias como criadoras de linguagem, e não apenas tema? 

O barro é moldável e resistente; transforma o termo pejorativo “pé de lama” em força poética e capacidade de recriação. Pelo Teatro Pós-Épico, assumimos o direito de nomear o que fazemos, recusando o rótulo reducionista de “teatro periférico”. As periferias deixam de ser apenas tema e se consolidam como polos geradores de novas linguagens teatrais. 

Jezuz Pereira é ator do grupo Esquadrilha Marginália.


Sinopse

Favela de Barro – Instáveis Moradias em Queda

Ao mergulhar nas contradições que fundam as favelas brasileiras, o espetáculo indicado ao Prêmio Shell em 2025 desvela a formação desses territórios. A dramaturgia resgata como o termo nasceu na Guerra de Canudos, na Bahia, chegou ao Rio de Janeiro e passou a nomear as ocupações urbanas de todo o país, revelando a precariedade da moradia como política de Estado. Em cena, a Esquadrilha Marginália celebra dez anos de pesquisa contínua voltada à descentralização do olhar cênico. A encenação ganha vida de forma imersiva, costurando depoimentos e cantos por meio dos quais os performers transformam o corpo em um arquivo vivo. Um convite poético que reivindica a favela como uma estrutura feita de barro: frágil para trincar, mas resistente para nunca deixar de existir. 

O espetáculo Favela de Barro – Instáveis Moradias em Queda foi apresentado no dia 11/09 às 17h no Mercado Municipal, em Santos.

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