Mural de Diego Mouro celebra a roda de congada e a ancestralidade negra

07/10/2026

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O Sesc Pinheiros se torna palco de um encontro entre arte, memória e identidade com o mural concebido por Diego Mouro, de 39 anos. Muralista, artista plástico e pintor, Mouro vive de arte há 10 anos e desenvolve uma produção marcada pela valorização da cultura, da ancestralidade e das experiências da população negra. 

A obra representa uma roda de congada, apresentando a potência da existência de corpos negros e suas reverberações afetivas e espirituais. A congada é uma manifestação cultural e religiosa afro-brasileira que reúne música, dança, canto, cortejos e rituais em torno da devoção a santos católicos, especialmente Nossa Senhora do Rosário. As rodas e os cortejos são espaços de celebração coletiva, preservação da memória e transmissão de saberes entre gerações. 

No mural de Diego Mouro, a roda de congada ganha uma dimensão que conecta passado e presente. Os corpos em movimento, os instrumentos, os gestos e a celebração coletiva representam uma tradição que atravessou gerações e permanece viva em diferentes comunidades congadeiras do Brasil. Mais do que retratar uma festa, a obra evidencia a congada como território de pertencimento, fé, memória e continuidade da herança afro-brasileira. 

A composição é atravessada pela devoção a Nossa Senhora do Rosário, que surge como fundamento espiritual da obra. Uma das narrativas presentes na tradição congadeira conta que a imagem da santa surgiu no mar e foi encontrada pelos escravizados. Ao chegar à areia, ela teria se transformado em mulher e começado a dançar com eles. A partir desse encontro, segundo a tradição, teriam nascido as festas de congada. 

É justamente essa relação entre fé, ancestralidade e resistência que atravessa o mural de Diego Mouro. Ao representar a roda de congada no espaço do Sesc Pinheiros, o artista aproxima uma tradição ancestral do público contemporâneo e cria uma narrativa visual sobre a permanência da cultura negra e sobre a importância de manter vivos seus símbolos, histórias e modos de celebrar. 
 

Ao longo da composição, a gestualidade da pintura de Mouro opera como elemento lúdico entre o fazer artístico e suas fronteiras, trazendo para o espaço público uma reflexão sobre memória ancestral, resistência cultural e processos contemporâneos de retomada da herança afro-brasileira. 

Para o artista, “é impossível pensar uma obra sem saber antes o lugar em que vai estar colocada”. Nesse sentido, o mural do Sesc Pinheiros dialoga diretamente com quem passa por ali, transformando o espaço em ponto de encontro entre arte e memória. A obra oferece ao público uma imagem de beleza, fé e dignidade, ao mesmo tempo em que apresenta a congada como uma manifestação viva, construída pela comunidade e transmitida de geração em geração. 

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