
Apresentado na Extensão Mirada, em setembro de 2026, o espetáculo Macbeth, da Cia. Extemporânea, aproxima a tragédia de Shakespeare da linguagem drag e propõe outras leituras sobre ambição, poder, identidade e as consequências das escolhas humanas.
A pergunta atravessa diferentes experiências da vida e está no centro de Macbeth, tragédia de William Shakespeare sobre um homem que transforma a possibilidade de chegar ao poder em objetivo e passa a tomar decisões cada vez mais violentas para alcançá-lo e mantê-lo. Mas a história não trata apenas da ambição de um general. Também investiga o medo de perder o que se conquistou, as justificativas que construímos para nossas escolhas e o momento em que o desejo passa a orientar toda a nossa maneira de agir.

Apresentado na Extensão Mirada, em setembro de 2026, o espetáculo da Cia. Extemporânea aproximou essa tragédia clássica da linguagem drag queen. Com elenco formado exclusivamente por drag queens, a montagem abre outras possibilidades de olhar para as personagens e para as convenções que cercam suas identidades. A escolha não se limita à aparência: coloca em jogo as relações entre corpo, representação e poder, aproximando a dramaturgia de Shakespeare de questões que continuam presentes na vida contemporânea.
A aproximação entre a dramaturgia de Shakespeare e a arte drag não se resume a uma mudança na aparência das personagens. A linguagem drag trabalha com a criação de figuras, a transformação do corpo, a construção de uma presença cênica e a exploração dos códigos associados ao gênero. Ao colocar essa linguagem no centro de uma tragédia, a Cia. Extemporânea amplia as possibilidades de representação e convida o público a rever expectativas sobre quem pode interpretar determinados papéis e como essas figuras podem ser construídas.
A pesquisa da companhia, conduzida pela diretora e idealizadora Ines Bushatsky, investiga as relações entre performance, gênero e dramaturgia clássica. Nesse encontro, as personagens de Shakespeare podem ser vistas para além das convenções que tradicionalmente orientam sua representação, abrindo espaço para outras leituras sobre identidade e autoridade.
Essa questão ganha força em Macbeth, uma história marcada por disputas de poder, relações conjugais e tentativas de controlar o destino. Ao deslocar as convenções que costumam orientar a representação dessas figuras, a montagem permite observar como as ideias de masculinidade, feminilidade e autoridade são construídas e reconhecidas socialmente.
A linguagem drag também possibilita explorar diferentes registros da atuação e as relações entre o cômico e o trágico. O trabalho com o corpo, a voz, o figurino e a performance cria novas camadas de sentido sem apagar os conflitos centrais da obra. Shakespeare e a arte drag se encontram, assim, como linguagens que, em diálogo, ampliam as possibilidades de interpretação de uma história conhecida.
A montagem integra o projeto Shakespeare in Drag, desenvolvido pela Cia. Extemporânea a partir de sua pesquisa sobre as relações entre teatro, comédia, violência e questões políticas e sociais. O primeiro trabalho do projeto foi Rei Lear, adaptação que levou a companhia a investigar como a linguagem drag poderia atravessar uma tragédia clássica sem perder as particularidades de nenhuma das duas formas de expressão. A atuação de Alexia Twister nessa montagem recebeu o Prêmio Shell de Teatro de Melhor Ator, em 2025.
Em Macbeth, o grupo dá continuidade a essa investigação por meio de uma história em que a ambição, o medo e a tentativa de controlar o futuro conduzem as personagens a situações extremas. Com direção e idealização de Ines Bushatsky e texto de João Mostazo, a montagem reúne Alexia Twister, Antonia Pethit, DaCota Monteiro, Ginger Moon, Lilith Prexeva, Maldita Hammer, Mercedez Vulcão, Thelores e Xaniqua Laquisha.
O teaser convida o público a conhecer o universo cênico de Macbeth, em que a Cia. Extemporânea aproxima Shakespeare da linguagem drag e propõe novos olhares sobre as personagens da tragédia.
A proposta não exige que o público conheça previamente a obra de Shakespeare ou tenha familiaridade com a arte drag. A história apresenta um conflito compreensível por si só: alguém recebe a promessa de alcançar o poder, toma decisões para realizá-la e precisa lidar com as consequências. A linguagem cênica acrescenta outras camadas a esse percurso, mas não impede que o espectador acompanhe os acontecimentos e formule suas próprias interpretações.
Ao acompanhar a trajetória de Macbeth, é possível pensar em como o desejo de conquistar algo pode modificar a relação de uma pessoa consigo mesma e com os outros. O personagem passa a interpretar qualquer ameaça como motivo para agir e, aos poucos, perde a capacidade de reconhecer limites. A tragédia não oferece uma resposta simples para esse processo, mas mostra como a tentativa de controlar tudo pode alimentar justamente aquilo que se pretende evitar.
A linguagem drag amplia essa reflexão ao colocar em questão as convenções que orientam a representação das personagens. Quando formas tradicionais de interpretar gênero, autoridade e identidade são deslocadas, o público tem a oportunidade de observar a história por outra perspectiva e de rever ideias que, muitas vezes, parecem naturais ou imutáveis.
É nesse encontro entre uma obra escrita há séculos e uma linguagem cênica contemporânea que Macbeth encontra novas possibilidades de leitura. A montagem convida a olhar para Shakespeare não como um autor restrito a um repertório distante, mas como alguém cujas histórias continuam provocando perguntas sobre as relações humanas.
Para quem se aproxima pela primeira vez do teatro drag ou da dramaturgia shakespeariana, a experiência pode começar pela própria trajetória do personagem: o que ele deseja, o que escolhe fazer para conseguir e o que acontece quando já não consegue controlar as consequências. A partir daí, outras questões entram em cena. Afinal, conquistar o que desejamos é o mesmo que ter o poder de decidir o que fazer com aquilo que conquistamos?
A Cia. Extemporânea dá continuidade ao projeto Shakespeare in Drag, iniciado pelo grupo em 2023, com a montagem de Rei Lear, que estreou em 2024, no Sesc Consolação, em São Paulo, e circulou por todo o Brasil, rendendo o Prêmio Shell de Melhor Ator a Alexia Twister. Com direção cênica de Ines Bushatsky e texto de João Mostazo, o espetáculo tem elenco formado exclusivamente por drag queens e traz os elementos da dramaturgia shakespeariana clássica para a linguagem drag contemporânea, sem desfigurar nem uma nem outra no processo. Com isso, a obra une a tragicidade à contestação estética e comportamental tradicional de gênero.
Fundada em 2016 e dirigida por Ines Bushatsky e João Mostazo, a Extemporânea tem como horizonte de pesquisa a intersecção entre comédia e violência, trabalhando com produção de dramaturgia autoral e encenação de temas de relevância política e social. Ao longo de uma década, a companhia estreou oito espetáculos inéditos, entre eles Roda morta (2018), Dr. Anti (2022) e A gente te liga, Laura (2024), este último com o Núcleo F de Falso, projeto artístico-pedagógico do grupo. Em 2023, a Extemporânea deu início ao projeto Shakespeare in Drag, que resultou na estreia de Rei Lear (2024). Assistida por mais de 10 mil pessoas em menos de dois anos, a peça circulou por diversos estados do Brasil. Em 2026 foi lançado o livro Caos e repetição: 10 anos da Cia. Extemporânea, publicação que reúne textos de mais de 30 autores sobre os trabalhos de repertório da companhia.
Haverá interpretação em libras às sextas, às 20h, nos dias 23/10, 30/10, 6/11 e 13/11.
FICHA TÉCNICA
Direção e idealização: Ines Bushatsky
Texto e codireção: João Mostazo
Elenco: Alexia Twister, Antonia Pethit, DaCota Monteiro, Ginger Moon, Lilith Prexeva, Maldita Hammer, Mercedez Vulcão, Thelores, Xaniqua Laquisha
Figurino e visagismo: Salomé Abdala
Cenário: Fernando Passetti
Iluminação: Nicolas Marchi
Trilha sonora e desenho de som: Gabriel Edé
Adereços e bonecos: Matias Ivan Arce
Perucas: André Góes
Contrarregragem e cenotécnica: Cauê Gouveia, Diego França, Matias Ivan Arce
Microfonista: Viviane Barbosa
Operação de som: Gabriel Edé
Colaboração de trilha sonora: Ines Bushatsky, João Mostazo, Xaniqua Laquisha
Assistência de iluminação e operação de luz: Karen Mezza
Assistência de adereços: Josefina Siro, Paulina Olgin
Assistência de figurino: Sissa Eisele, Giulianna Menegasso
Costura e modelagem: Salomé Abdala, Gilda Peixoto
Calçados: Porto Free Calçados, Au Botieur
Luvas: ControllU Atelier
Impressão de objetos: Rico3D
Apoio de maquiagem: Catharine Hill
Fotos: Gabriel Marques, Tetembua Dandara
Arte gráfica: Lidia Ganhito
Redes sociais: Mariana Marinho
Direção de produção: Tetembua Dandara
Produção executiva: Iolanda Sinatra
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Criação: Cia. Extemporânea
Direção geral: Ines Bushatsky e Joao Mostazo
Este espetáculo integra a Extensão Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas e teve sua estreia na 8ª edição do Festival, realizada em Santos, entre 3 e 13 de setembro de 2026.
MACBETH
Com Cia. Extemporânea
Direção geral: Ines Bushatsky e João Mostazo
Local: Teatro
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 105 minutos
Datas e horários:
Outubro
Novembro
Ingressos: venda on-line a partir de 13/10, às 17h, e nas bilheterias a partir de 14/10, às 17h.
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